24/11/2009

O “lixo” de Clarice Lispector

Na biografia Clarice, Benjamin Moser relata a recepção do livro A via crucis do corpo, de Clarice Lispector, publicado em 1974. Segundo a revista Veja, o livro era um “Lixo, sim: lançamento inútil”, enquanto o Jornal do Brasil, afirmava: “teria sido melhor não publicar o livro, em vez de ser obrigada a se defender com esse falso desprezo por si própria como escritora”. Para o biógrafo Benjamin Moser, “A via crucis do corpo é notável como retrato da vida criativa de Clarice captado em tempo real, a ficção invadindo a vida cotidiana, e sua existência de mãe e dona de casa constantemente penetrando e minando sua ficção. Os contos imaginativos, ficcionais, alternam-se com anotações corriqueiras de suas atividades diárias: o telefone toca; ela topa com um homem que conheceu no passado; seu filho Paulo chega para almoçar. Essas telas alternadas compõem um quadro de 11 a 13 de maio de 1974, os dias que Clarice passou escrevendo o livro. Aquele fim de semana, significativamente, incluía o Dia das Mães, 12 de maio. E o tema que une os contos coletados não é, na verdade, o sexo. É a maternidade. Um transexual tem uma filha adotiva, para a qual ele é uma ‘verdadeira mãe’”.

24/11/2009

Villa-Lobos por John Neschling e João Marcos Coelho

Por causa dos 50 anos da morte de Villa-Lobos, a TV Estadão promoveu um debate sobre o músico brasileiro. Os debatedores são o maestro John Neschling e o crítico de música erudita João Marcos Coelho.

 

24/11/2009

30 anos de mau futebol, de João Pombeiro

24/11/2009

Bicho de sete cabeças, de Eucanaã Ferraz

24/11/2009

Mudanças na lei

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o primeiro esboço da revisão da Lei do Direito Autoral, proposto pelo Ministério da Cultura, será submetido à consulta pública. Há sugestões de mudanças significativas nos privilégios concedidos aos autores de obras intelectuais. A reforma permitirá cópia privada em CD e DVD, além de distribuição de obras fora de catálogo e criação de produtos com base no remix de outros.

O Ministério da Cultura está desempenhando um papel louvável para tentar adaptar a Lei dos Direitos Autorais a muitas implicações que surgiram com a web.

24/11/2009

França-Brasil

Forte de Villegagnon na enseada do Rio de Janeiro

 

 

No ano da França no Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional acaba de lançar A França no Brasil. O portal foi uma realização conjunta das bibliotecas nacionais dos dois países. Segundo Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil, o portal “consolida uma tradição multissecular de encontros e trocas de objetos e imagens culturais entre duas formações civilizatórias que sempre se mostraram mutuamente sedutoras no sentido amplo do termo. De novo mesmo existe o grande aporte dado pela tecnologia da informação, que permite a digitalização e a disponibilização pela Internet de todo um acervo de documentos representativos – mapas e fotografias, textos impressos e desenhos – da história das relações entre a França e o Brasil desde os albores do século XVI até o início do século XX”.

23/11/2009

Paulo Coelho e o ódio dos leitores

Segundo o site de O Estado de S. Paulo, o escritor Paulo Coelho criou uma seção em seu blog para quem o odeia. Não há como negar: o autor que também usa o twitter e ainda tem um site para que seus livros sejam copiados, o Pirate Coelho, conseguiu dessa maneira mais um lance inteligente de marketing por meio da web. E de ironia, é claro. Sem qualquer dúvida, foi uma das melhores invenções do Mago.

22/11/2009

Lançamento de Vinis mofados, de Ramon Mello

19/11/2009

Biografia de Clarice Lispector

Clarice, é o título da biografia de Benjamin Moser sobre Clarice Lispector, a ser lançada neste mês pela editora Cosac & Naify, com tradução de José Geraldo Couto. No blog do caderno Prosa & Verso do jornal O Globo, há entrevista com o biográfico e um trecho da biografia, aqui reproduzidos:

ENTREVISTA

Como foi o processo de pesquisa e de escrita da biografia de Clarice Lispector?
No início, pensava que ia incomodar as pessoas, ligando, batendo em portas no mundo inteiro, mas logo me dei conta de que elas queriam contar suas histórias, falar de suas vidas e de Clarice, que marcou todos que a encontraram. Tive muita sorte nisso: por exemplo, soube por uma professora na Escócia que um tradutor inglês de Clarice trabalhava numa biografia dela quando morreu, nos anos 90. Liguei para a casa de seu viúvo, ele falou que podia ir visitá-lo. Fui no dia seguinte para Manchester e este senhor me entregou, sem perguntas, quase 50 quilos de material sobre Clarice, que vinha colecionando desde os anos 60. Assim como ele, as pessoas ficaram contentes em ver que suas memórias, suas coleções, seus interesses iam servir para divulgar a obra de Clarice no mundo. E isso funcionou no sentido contrário também: na aldeia onde ela nasceu, na Ucrânia, onde não podem ler nem inglês, muito menos português, sabem que uma conterrânea ficou famosa no Brasil, mas não sabem quase nada sobre ela. Então eu também fiquei feliz em poder contar um pouco sobre ela.

Você conta algumas histórias íntimas, como o estupro da mãe de Clarice por um grupo de soldados e a descoberta que ela fez dos diários maternos depois que a mãe morreu. Você teve problemas com amigos e familiares de Clarice para contar estas histórias?
Há muitas coisas chocantes no livro, mas sem nenhum sensacionalismo, o que seria indigno do assunto da biografia. Tudo tem que ser visto no devido contexto, e em geral as pessoas ficaram contentes porque sabiam que eu não estava correndo atrás do escândalo. Aliás, há pouquíssimo “escândalo” na vida de Clarice. Talvez seja uma decepção para certos leitores… Para mim, muito mais chocante é G.H. no quarto da empregada, comendo a barata. Clarice não tinha medo de chocar. A obra dela é um choque mais profundo.

Como você vê seu trabalho em comparação com outras biografias de Clarice?
Cada biógrafo tem sua visão do biografado, mas eu diria que meu livro tenta fazer duas coisas novas: como o escrevi para o público americano e inglês, coloquei muito contexto sobre a história e cultura do Brasil onde Clarice passou sua vida. Segundo, fiz muita pesquisa na Europa Oriental, de onde ela veio, e dei muita atenção às suas origens judaicas, que acho fundamentais para entender sua vida e obra.

Por que Clarice é menos conhecida nos Estados Unidos do que na Europa, em especial na França?
É interessante que os brasileiros achem que Clarice é muito famosa na França, o que infelizmente está longe de ser verdade. Em certos meios acadêmicos ela é conhecida, mas não acho que seja mais ou menos do que nos Estados Unidos. Os países onde ela é mais conhecida são os de língua espanhola. Isto é um problema que os escritores de língua portuguesa, quase sempre, têm que encarar fora do Brasil ou Portugal. Felizmente acho que isso está mudando agora com meu livro, que está despertando interesse. Vamos ver quanto tempo isso vai durar…

Como você recebeu as resenhas sobre a biografia publicadas na imprensa americana?
Quase não acredito que a repercussão tenha sido tão boa. Foi meu sonho: escrever um livro que levaria as pessoas fora do Brasil a prestar atenção em Clarice. Mas para um livro de 500 páginas sobre uma escritora estrangeira, difícil, que quase ninguém conhece, não é uma tarefa fácil. As pessoas ficaram muito agradecidas pelo esforço de trazer essa pessoa fascinante para lá. Todos os jornais e revistas do país escreveram sobre Clarice, o que é uma gratificação enorme para mim, depois de cinco anos de trabalho um tanto solitário.

O que você espera dos leitores brasileiros?
Tenho a maior curiosidade em ver como vão reagir. Até agora, todo mundo tem sido muito generoso, também porque tentei fazer um retrato do Brasil durante a vida de Clarice para mostrar outras caras do país, inclusive as reações ao golpe militar. Elizabeth Bishop, vizinha e tradutora de Clarice, começou como uma grande amante do Brasil, porque amou uma brasileira, Lota de Macedo Soares. Mas a relação piorou bastante, Bishop bebendo muito, Lota muito depressiva, e em 1964 já detestava o país. Ela achou que o Brasil estava caindo nas mãos dos comunistas, o que estava longe de ser a verdade, e então — como muitos brasileiros, aliás — deu boas-vindas ao golpe. Mas Clarice, por causa da Revolução Russa que arruinou sua família, nunca flertou com o comunismo, como tantos intelectuais, e não só no Brasil. E também não gostava da ditadura. Hoje é difícil imaginar que você tinha que escolher entre o comunismo ou a ditadura, mas o centro democrático a que ela pertencia tinha muita dificuldade num cenário tão polarizado.

Por que você escolheu Clarice como tema de seu livro? O que motivou seu interesse por sua vida e obra?
Acho que não fui eu que escolhi Clarice, ela me escolheu. É um amor que tenho por ela, simplesmente, difícil de explicar, assim como é difícil dizer por que você gosta do seu namorado. Eu tinha feito uns cursos de português na faculdade nos Estados Unidos, cheguei a ficar um tempo no Brasil, mas foi sempre ela que me chamou de volta ao país. Achei uma injustiça enorme que ela não fosse mais conhecida fora do Brasil, e resolvi fazer o que podia para mudar isso. Não sou professor, não tenho nada a ver com a literatura brasileira. O que tenho é uma missão, um pouco louca, de divulgar Clarice Lispector.

TRECHO DA BIOGRAFIA

“Não  havia característica que Clarice Lispetor mais quisesse perder do que o local de nascimento. Por essa razão, a despeito da língua que a prendia lá, a despeito da honestidade por vezes terrível de sua escrita, sua reptuação é de ter sido um tanto mentirosa. Mentiras inocentes, como os poucos anos que tendia a subtrair de sua idade, são vistas como coqueterias de uma bela mulher. No entanto, quase todas as mentiras que contou tinham a ver com as circunstâncias de seu nascimento.

Em seus escritos publicados, Clarice estava mais preocupada com o sentido metafísico do seu nascimento do que com as reais circunstâncias topográficas dele. Ainda assim, essas circunstâncias a perseguiam. Em entrevistas, ela insistia que não sabia nada sobre o lugar de onde vinha. Nos anos 60, deu uma entrevista ao escritor Renard Perez,  a mais longa que jamais concedeu; o amável e cortês Perez certamente a deixou à vontade. Antes de publicar a matéria, ele a submeteu à aprovação de Clarice. A única objeção que ela fez foi à primeira frase: “Quando, logo após a Revolução, os Lispector decidiram emigrar da Rússia para a América…”. “Não foi logo após! Foi muitos, muitos anos depois!”, protestou. Perez acatou, e a matéria publicada começava assim: “Quando os Lispector resolveram emigrar da Rússia para a América (isso muitos anos depois da Revolução)…”.

E ela mentia sobre a idade que tinha quando veio para o Brasil. Numa passagem já citada aqui, ela usa o itálico para enfatizar que tinha apenas dois meses de idade quando sua família desembarcou. Tinhja mais de um ano, porém, como ela bem sabia. É uma pequena diferença – era muito nova, de todo modo, para se lembrar que qualquer outra pátria -, mas é estranha a sua insistência em rebaixar a idade até o mínimo verossímil. Por que se dar ao trabalho?

Não havia nada que Clarice Lispector desejasse mais do que reescrever a história do seu nascimento. Em anotações pessoais redigidas quando estava na casa dos trinta e morando fora do país, ela escreveu: “Eu estou voltando para o lugar de onde vim. O ideal seria ir até a cidadezinha na Rússia e nascer sob outras circunstâncias”. O pensamento lhe ocorreu quando estava quase caindo no sono. Sonhara que tinha sido banida da Rússia num julgamento público. Um homem diz que “só mulheres femininas eram permitidas na Rússia – e eu não era feminina”. Dois gestos a traíram inadvertidamente, explica o juiz: “1o.: eu acendera meu próprio cigarro, mas uma mulher fica esperando com o cigarro até que o homem acenda. 2o.: eu mesma tinha aproximado a cadeira da mesa, quando deveria esperar que ele fizesse isso para mim”.

Então foi proibida de retornar. Em seu segundo romance, talvez pensando no caráter definitivo de sua partida, ela escreveu: “O lugar onde ela nascera – surpreendia-se vagamente de que ele ainda existisse como se também ele pertencesse ao que se perde”.

19/11/2009

Hotel Atlântico chega às telas de cinema

Hotel Atlântico, de João Gilberto Noll, foi publicado em 1989. Agora ele chega às telas pelas mãos da habilidosa diretora Suzana Amaral, já conhecida pelas adaptações de A hora da estrela, de Clarice Lispector, e Uma vida em segredo, de Autran Dourado. Veja aqui o trailer do filme e entrevista com a diretora para o Portal Saraiva Conteúdo: