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“Frank Gehry’s Digital Defiance” – Peter Schjeldahl

Extraído de The New Yorker [via Gustavo Sénéchal]:

Last Thursday, Frank Gehry raised a middle finger to a journalist in Oviedo, Spain, where the architect of the Guggenheim Bilbao, and of the Louis Vuitton Foundation museum (dubbed “the glass cloud” by admirers), just opened in the Bois de Boulogne, in Paris, was being honored with the Prince Asturias Award for the Arts. He had been asked, at a news conference, to comment on a view that his designs are mere “spectacle.” The bird flipped.

“Let me tell you one thing,” Gehry said, according to the Guardian: “In this world we are living in, ninety-eight per cent of everything that is built and designed today is pure shit. There’s no sense of design, no respect for humanity or for anything else.” He added, pleading, “Once in a while, however, a group of people do something special. Very few, but God, leave us alone.”

I’d like to think that Gehry’s vertical digit consciously mimed the shape of today’s predominant urban architectural style, if “style” even applies to, say, the insolent ninety-six-story shaft of 432 Park Avenue or, for that matter, the botched opportunity of the Freedom Tower, which makes the lost, banal Twin Towers seem a very Parthenon in retrospect. But Gehry quickly and humbly apologized for the gesture, citing jet lag and a “bad moment.” He is eighty-five years old.

So the fury of Frank’s finger passes to those of us who have been benumbed by today’s proliferating, meaningless urban menhirs—street after street a corridor of dead souls. The wealth that builds them can’t be bothered even to symbolize its pride. The buildings say nothing about what goes on inside them or what anybody might feel about it. We live in a dark age when the most nearly eloquent new structures are boutique condos—popping up mushroom-like in Brooklyn—which at least express kinds of niceness that money can buy.

You may or may not believe, as I do, that the Guggenheim Bilbao is the best building of the last half century: indeed spectacular, differently so from every outer viewpoint, but embracing when you enter, and modulating gracefully from sculptural bravura to fine rectilinear spaces for displaying works of art. Most architects seem to disdain artists. Gehry cherishes and learns from them. There’s a palimpsest of modern-art history in the titanium, limestone, steel, and glass composition. Purists deplore such casual detailing as the loose joinery of the titanium cladding. But must the God that is in a building’s details be a martinet? How about a deity that apparently rather likes us—humanly imperfect—as we are? That seems to be Gehry’s creed.

Why anyone would gainsay efforts as generous as Bilbao and, judging from photographs, the Vuitton museum, or would ambush, with a nasty question, the man who made them beggars comprehension. I mean, compared to what, people?

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“A maravilhosa fábrica de virtudes” – Curso

Fabrica de virtudes

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13/05/2014 · 1:50

“Grande sertão: veredas” e Paulo Mendes da Rocha

 

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Corrimão da Villa Mairea, de Alvar Aalto

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18/11/2013 · 1:40

Entrevista de Oscar Niemeyer no programa Roda Viva

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Roberto Burle Marx (1909-1994)

Roberto Burle Marx

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“Uma arquitetura do caos: uma entrevista com Peter Eisenman por Nicolau Sevcenko”

Extraído do blog da editora Cosac & Naify:

Poucos sabem ou lembram, mas Peter Eisenman já esteve no Brasil. E não entrou no avião com sua esposa Cynthia Davidson apenas para passear: veio para a exposição retrospectiva de sua obra, intitulada Malhas, Escalas, Rastros e Dobras na Obra de Peter Eisenman e ocorrida no Masp em 1993. Na mesma época, produziu-se com catálogo homônimo, com seu texto “O fim do clássico: O fim do começo, o fim do fim” e importantes ensaios de Sophia S. Telles e Otília Beatriz Fiori Arantes. Encerra o volume uma entrevista com ele realizada pelo historiador Nicolau Sevcenko, da qual reproduzimos com exclusividade um trecho no blog (clique aqui para ler na íntegra).

Nicolau Sevcenko: Um aspecto perturbador em sua criação arquitetônica é que o senhor decidiu tomar como os mais básicos princípios de orientação de seu trabalho exatamente aqueles que se poderia considerar como os menos adequados a qualquer construção arquitetônica, isto é: instabilidade, deslocamento, incerteza, contingência. Como o senhor explica isso?

Peter Eisenman: Meu trabalho sempre tem buscado transformar ou reenquadrar o discurso da arquitetura. Isto decorre da mudança na situação filosófica e cultural, ao longo do século XX, daquilo que eu denomino de paradigma mecânico para o eletrônico. Tradicionalmente, a arquitetura tem sido pensada dentro do paradigma mecânico, como uma construção que resiste à gravidade, preocupada com a estabilidade e o fechamento – e a arquitetura tem se reportado, metaforicamente, à ideia deste paradigma mecânico. Por exemplo, quando Vitrúvio falava da funcionalidade, solidez e beleza – sobretudo da solidez – ele não estava se referindo à possibilidade da arquitetura manter-se de pé, porque é evidente que toda arquitetura tem que se manter de pé. O que ele estava se referindo era à necessidade da arquitetura parecer posta de pé, precisava simbolizar a possibilidade de manter-se erguida frente à natureza. Hoje em dia, não é que a arquitetura deixou de ter esta necessidade de resistir às forças naturais e da gravidade, é que não precisamos mais simbolizar esta resistência às forças mecânicas e naturais, posto que existe esta mudança do paradigma mecânico ao eletrônico. O que é preciso é uma nova simbolização no interior do paradigma eletrônico e este simbolismo reside precisamente nestas coisas que são a antítese da estabilidade, do fechamento, da construção ou da habitação. É por isso que eu escolhi este discurso, para tentar achar uma maneira de elaborar uma arquitetura no paradigma eletrônico.

NS: Sua é uma arquitetura muito arrojada e coerente, o senhor é um criador categórico. Apesar disso, seu pensamento arquitetônico é pontuado por certos pressupostos negativos, já que é claro que seus objetivos não são nem formais, nem funcionais, nem teleológicos. Então, qual a substância desse paradoxo?

PE: O que procuro fazer é buscar uma maneira de não simbolizar a função ou a forma, de descontextualizar os elementos arquitetônicos, tais como uma coluna ou uma que eu chamaria de a-formais, ou seja, aqueles não relacionados primordialmente ao visual ou ao estético, porém de alguma maneira que possuam características físicas que eu chamo de indiciais ao invés de icônicas. Por exemplo, a equação dois mais dois não possui necessariamente características estéticas. Porém, tem características formais: o dois deve ser constituído de determinada maneira e o mais de tal modo que não se constitua enquanto menos, então, é claro que ela assume características formais – no entanto, na equação, estas características podem ser chamadas de indiciais, constituindo uma condição secundária. O que eu tenho procurado fazer é reduzir a preocupação icônica, simbólica, metafórica e estética da arquitetura a aquilo que se pode chamar de indicial, isto é, de reduzir um projeto composicional para uma forma de mapeamento. Em outras palavras, busco entender a arquitetura como basicamente o mapeamento de certos pontos no espaço e não como a composição de determinados pontos no espaço, o que produz apenas um resultado estético.

NS: Falando mais uma vez em termos de história, existe uma concepção mítica do arquiteto como um indivíduo todo poderoso, concepção esta derivada da simbolização arcaica de Theus Pantocrator, deus criador e planificador do universo. Os modernos desenvolvimentos da tecnologia e a difusão mundial da ideia de planejamento social aumentaram, e não diminui o poder decisório que os arquitetos detêm. No entanto, o senhor prefere falar em termos de uma arquitetura fraca e de um arquiteto fraco. Qual o porquê disto? O senhor assim o considera em termos estéticos ou políticos?

PE: Para começar, eu nunca considerei o arquiteto como sendo muito forte em termos políticos. Nos regimes repressivos deste século, por exemplo, são os poetas e os escritores que são presos, nunca os arquitetos. As pessoas nunca realmente temem a arquitetura; a arquitetura não chega a ameaçar a sociedade da mesma forma que a poesia ou a literatura. Mesmo nos dias de hoje, quando os arquitetos estão planejando as cidades, na verdade estão apenas ornamentando as funções que foram todas erigidas pelas forças políticas, sociais e econômicas. O arquiteto, não planeja. Agora, se realmente coubesse ao arquiteto planejar, se este fosse visto como sendo seu papel, então a arquitetura poderia tornar-se verdadeiramente perigosa. No meu entender, a mão do autor não pode mais ser a mesma, pois não pode mais desempenhar o planejamento nos meios eletrônicos, tais como o computador, que pode servir para provocar novos tipos de organização que não seriam possíveis pela mão do arquiteto. Isto fortaleceria a possibilidade de uma arquitetura, não em termos estéticos, mas em um verdadeiro sentido político. Se usarmos o computador como uma ferramenta de criação, e não como uma ferramenta apenas de expropriação, nós poderemos oferecer ao arquiteto um papel capaz de torná-lo politicamente significativo.

NS: Como é para um arquiteto como o senhor viver e trabalhar na mais prodigiosa megalópole do século XX e, ao mesmo tempo, saber que esta é provavelmente a cidade do mundo desenvolvido que possui o maior número de pessoas sem-teto, vivendo nas ruas?

PE: A arquitetura nada tem a ver com a questão dos sem-teto. Não cabe ao arquiteto, a não ser enquanto cidadão da humanidade, dizer: “Eu sou contra a existência dos sem-teto”. Não se trata de um problema para a arquitetura, porque esta é uma questão, em primeiro lugar, da política e da economia. As estruturas políticas, econômicas e sociais dos Estados Unidos não permitem que ninguém enfrente o problema dos sem-teto. Sou um arquiteto marginalizado na sociedade da cidade de Nova York. Eu nunca construí nesta cidade e nunca fui solicitado a construir nesta cidade, creio eu, em função das afirmações teóricas que eu expresso, consideradas como ameaçadoras às estruturas políticas e sociais. Tenho construído em todas as partes do mundo, na Alemanha, no Japão, na Espanha, na Itália, na Holanda e em outras regiões dos Estados Unidos, mas não me é permitido construir na sofisticada comunidade de Nova York. Neste sentido, eu me sinto muito como um estrangeiro, eu mesmo uma espécie de “sem-teto”, por assim dizer, nesta cidade. Eu não me sinto realmente em casa nesta cidade, não que eu pense que estar em casa seja uma coisa boa. Eu não estou convencido de que as pessoas sem-teto desejem uma casa, tal como as casas populares são hoje em dia. Eu acredito que o simples deslocamento dos sem-teto para estas construções sem vida, estas habitações públicas, não é o que devemos estar discutindo. Nós poderíamos estar considerando a possibilidade da existência de estruturas nômades ou de estruturas para pessoas que optam pelo nomadismo e que não desejem viver num lar no sentido burguês do termo. Eu acho que, ao invés de falar a respeito de pessoas sem-teto (homeless), nós deveríamos nos referir a pessoas sem-casa (houseless). Eu sou uma pessoa sem-teto, embora não uma pessoa sem-casa. Eu acho que esta importante distinção deveria ser feita.

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