Arquivo da tag: Artes gráficas

Mike Joyce

[Via Gramaticologia]

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Cartazes do Porsche

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Se discos fossem livros

No excelente blog Cadernos de Perguntas, de Jd Lucas, encontram-se reproduções de alguns álbus de música que foram transformados em capas de livros. É divertido.

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H-57 Creative Station

Muito bom o trabalho da H-57:

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Word as image

[Via André Vallias]

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Bandeiras – territórios imaginários, de Guilherme Mansur

No site da Errática, encontra-se o belo trabalho de Guilherme Mansur: Bandeiras – territórios imaginários

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Capas da Móbile Editorial

Saiba como a Móbile Editorial está criando as suas capas.

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A noisy alphabet

Extraído do blog Gramaticologia:

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O leitor

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A Sucata de Armando Freitas Filho e Sergio Liuzzi

No portal Literal, Bolívar Torres escreveu sobre o mais novo projeto de Armando Freitas Filho e Sergio Liuzzi: Sucata. Armando e Liuzzi são autores de algumas belezas editorais de pequena tiragem, como o poema-objeto sobre a obra de Franz Weissman. Aqui reproduzo a matéria, com a reportagem:

O designer Sergio Liuzzi voltava de Jacarepaguá quando o cano de descarga do seu carro começou a arrastar-se. Foi obrigado a parar na primeira oficina que encontrou na Barra da Tijuca. Enquanto os mecânicos resolviam o problema, decidiu matar tempo explorando o local. Foi então que encontrou, em um pátio aberto, um depósito de peças velhas deixadas de lado pelos mecânicos. Maltratada pelo tempo, abandonada por tudo e por todos, a sucata transformou-se em paisagem improvável sob a lente de Liuzzi, que fotografou o cenário com uma Canon que carregava por acaso.

Sabendo do fascínio do seu amigo Armando Freitas Filho pelas coisas gastas, compartilhou as fotos com o poeta, que não hesitou em escrever, na mesma noite, um poema inspirado pelas imagens. A parceria resultou nas colagens de Sucata, trabalho experimental que o Portal Literal disponibiliza AQUI em primeira mão.

Conversamos com a dupla sobre a origem do projeto.

AS FOTOS

PORTAL: Sergio, o que tanto o fascinou nesse cenário?

LIUZZI: Gosto muito deste tipo de material abandonado, como a gente encontra naqueles cemitérios de carros nos Estados Unidos, empilhados um em cima do outro. Era fevereiro quando cheguei na oficina, e entrava uma luz de verão, que dava uma sombra muito bonita aos objetos. Meus olhos brilharam quando vi aquilo. O cenário parecia feito por alguém e não pelo acaso. Estava tão empolgado que nem vi que tinha deixado a câmera numa resolução média.

Acho que o fascínio vem da minha infância. Eu ia seguido a uma cidade do interior de Minas, na casa de uma amiga da minha mãe. O marido dela era químico, tinha uma casa dentro da CSN. Era uma época de desperdício, mais ainda do que é hoje. Abandonavam caminhão velho , roda velha… A área era muito grande e eu adorava entrar no caminhão e conviver com coisas abandonadas. Não é como hoje, em que vemos qualquer sujeira como lixo ambiental. Ninguém dava muita bola na época para isso.


PORTAL: Você se concentrou numa impressão geral ou em objetos isolados?

LIUZZI: Procurei olhar para todo o cenário. Não me detive em objetos específicos. As fotos têm quase todas o mesmo enquadramento, tanto o quadro quanto a distância. Eu não estava preocupado se ele estava muito corroído. Era mais a composição, como se fosse uma natureza morta de sucata. Queria mostrar o ambiente.

PORTAL: O curioso é que quem jogou todo esse material ao longo dos anos não o fez pensado na composição de uma imagem. As peças eram apenas objetos que tinham uma função específica enquanto funcionavam, e que agora causam um efeito estético muito distante da sua razão original de existir…

LIUZZI: Quem trabalha com arte faz outras leituras de determinados objetos. Numa primeira olhada, você tem uma leitura muito simplificada. Os caras atulharam tudo lá dentro, sem se impressionar. Mas num outro enfoque, o objeto pode ganhar uma função muito maior do que a sua função específica. Uma vez deslocado, ganha um outro significado.


PORTAL: Você falou da sua infância em meio aos carros abandonados… Hoje em dia, as pessoas teriam criado uma relação diferente com o lixo? É algo do qual precisam desesperadamente se livrar ou reaproveitar?

LIUZZI: Sim, há um movimento nesse sentido. A consciência ecológica ganhou força no mundo ocidental. Queremos acabar com o lixo, com o desperdício… Mas não fiz as fotos com a intenção de mostrar isso. Não tem nada a ver com o Vik Muniz. Minha intenção era puramente estética. Aquilo tinha um valor enorme do ponto de vista de composição, aquela cor de ferrugem, a luz que entrava, tudo me fascinou…


O POEMA


PORTAL: Armando, você chegou a conhecer o famoso depósito?

FREITAS FILHO: Não. A oficina fica numa dessas lonjuras cariocas. Eu estive lá pelas fotos. Ele me mandou o conjunto e fiquei muito tempo olhando para elas. Não é a toa que um sujeito entra num ferro velho e tira fotos. Ele procurou o fim da paisagem

PORTAL: E também não é a toa que o Sérgio lhe mandou as fotos, certo? Você sempre teve interesse em sucata e materiais abandonados…

FREITAS FILHO: Exato. Ele sabe que tenho o gosto daquilo que se gasta – isso sempre foi uma preocupação minha. Eu não tenho nada a ver com oficinas, com carro, nem sei onde fica e para quê serve cada peça. Mas me interessa o universo das coisas que perderam o seu uso, e que estão agora numa espécie de limbo. Não se sabe se é um recomeço ou um fim.

PORTAL: Não deixa de ser uma metáfora poderosa da condição humana…

FREITAS FILHO: É o que todos nós esperamos. Aquilo é um cemitério aberto. Renascer ali vai ser difícil, o futuro é nenhum. São coisas gastas pelo uso, pelos dias que passaram por ela. Como as peças, somos finitos. Mas os dias são infinitos. Pode parecer uma visão um pouco trágica, mas é a pura verdade – a verdade do ferro velho. Tudo é uma oficina de carros, de coisas que transitam. Aquilo tudo largado para sempre, com o mato crescendo em volta, o cheiro acre… Quem já não sentiu isso ao visitar uma oficina? É um lugar parado, sem movimento. As fotos do Serginho mostram um lugar morto-vivo.


PORTAL: O que está no depósito apodrece sozinho, enquanto a natureza, ao redor, segue o seu caminho…

FREITAS FILHO: Os dias são lindos lá fora e lá dentro é sempre feio, escuro, enferrujado, imóvel. O que está lá dentro é aquilo que sobrou e ficará para sempre.

PORTAL: Acabamos criando compaixão por essas peças, nos identificamos com a sensação de abandono ao ver as fotos…

FREITAS FILHO: E não podemos nem der adeus para as peças porque elas não respondem. São peças de alguma outra coisa que se perdeu. Estão perdidas para sempre, não têm mais uso. Então é o gasto, a gastura, o inútil – tudo muito trágico, muito triste. Uma melancolia que se vê num resto de óleo aqui e ali.


PORTAL: Fica a impressão de que o sangue é o óleo. E também a impressão violenta de separação, fragmentação, já que são pedaços espalhados de algo maior.

FERITAS FILHO: Não há, de fato, nenhuma completude. Há esquartejamento. Pode parecer uma dramatização excessiva. Você olha o que não tem exclamação alguma, e ao pensar tudo aquilo vai lhe oferecendo essa ênfase de tragédia.

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