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“A viagem de James Amaro”, de Luiz Biajoni

Click na imagem para ler o release do livro A viagem de James Amaro, de Luiz Biajoni, publicado pela editora Língua Geral:

release viagem de james amaro

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“Ouvir histórias; contar histórias; estar no mundo” – Entrevista com Luiz Ruffato

Reproduzo entrevista realizada por Mirhiane Mendes de Abreu com Luiz Ruffato, publicada na revista Pessoa:

Naquela tarde, pensei no seu primeiro livro, O homem que tece. “Um desenho do seu perfil?”, eu me perguntava, ouvindo aquela prosa fluida, de um narrador que entra e sai de casos com a fluência dos que sabem narrar. O livro compunha-se por poemas e Luiz Ruffato me disse já não possuir nenhum exemplar, mas, como se vê, seguiu por aí, tecendo histórias de um mundo vivido e imaginado. Não foi diferente naquela conversa, em que falou de si, da sua escrita, do seu tempo. Quem lê e quem ouve esse mineiro logo ingressa no universo da escrita e da narração, e reconhece o discurso de quem sabe o que quer e para onde vai:

 “Quer dizer que você é brasileira?”, “Brasileiríssima. E você é mineiro”, “Ué, como é que você sabe?”, “Só mineiro fala ‘Aqui’, e gargalhou entre dentes alvos, bem-feitos, sem falhas, que revelavam uma origem de moça-de-família, como eu suspeitava, dificilmente erro nos julgamentos, e, impensado, apelei pro meu lado cavalheiresco convidando ela pra comer alguma coisa […]”

“Lisboa cheira a sardinha no calor e castanha assada no frio, descobri isso revirando a cidade de cabeça-pra-baixo, de metro, de eléctro, de autocarro, de combio, de a-pé, sozinho ou ladeado pela Sheila. Com ela de-guia, visitamos um monte de sítios bestiais, o Castelo de São Jorge, o Elevador de Santa Justa, Belém (pra comer pastel), o Padrão dos Descobrimentos e o Aquário, na estação Oriente […]”

 Esses dois fragmentos de Estive em Lisboa e lembrei de você são expressivos: convidado para integrar a coleção Amores expressos (um projeto de escrita literária que levou escritores para diversos lugares do mundo), Ruffato deixou claro o que queria. O seu destino seria Paris. “Não! Lisboa é mais interessante para o que queria narrar.” “Por quê? Você é muito lido em Portugal?” – eu quis saber. “Não é isso: meus livros vendem mais na Alemanha e na França. Os elementos temáticos e estilísticos que eu queria explorar funcionariam melhor em Portugal. Adoro Paris, mas Lisboa seria mais adequada ao projeto”. E o projeto consistia justamente em narrar as desventuras de Serginho, um mineiro que vai para Portugal em busca de melhores oportunidades de trabalho, após ininterruptos insucessos e uma grande frustração amorosa. Enquanto o narrador experimenta a linguagem, Serginho experimenta outros ângulos e sensações dessa mesma língua, tão comum e, paradoxalmente, tão estranha… Desterritorializado e estereotipado, Serginho busca o consolo em Sheila, gentil prostituta que interpreta bem a condição de quem “nem nome tem”.

Enquanto conversávamos, vi vários Ruffatos ali (o pai, o cronista, o mineiro-que-mora-em São-Paulo, o homem público, o leitor, o narrador, o viajante, o organizador de antologias e festivais literários, o polêmico) e todos sabem a extensão do seu trabalho, do seu papel como figura pública: “Minha pretensão é levar para a literatura a discussão do que ocorre no Brasil, por isso, quis fazer uma obra com base na representação do universo dos trabalhadores urbanos e a busca de uma forma de escrita diferente da imposta pelo romance burguês. O Estive em Lisboa… é parte dessa preocupação, que está também em Eles eram muito cavalos, em que tematizo o mosaico humano da cidade São Paulo.”

Eles eram muito cavalos dialoga diretamente com um fragmento de Cecília Meireles, citado na epígrafe do livro – “eles eram muito cavalos, mas ninguém mais sabe os seus nomes, sua pelagem, sua origem…” – e com um versículo bíblico extraído do Salmo 82: “Até quando julgareis injustamente, sustentando a causa dos ímpios?”. A inquietante sensação de injustiça vivida por rostos apagados, por sujeitos despersonalizados na grande São Paulo, é narrada em 69 textos-curtos que são, de alguma forma, experimentais. Colando o conteúdo à forma para expressar a espiral de tipos e sotaques próprios do caos urbano dessa megalópole, o livro – premiado e muito discutido pela crítica pela sua experiência formal – reconfigura elementos significativos da sua visão de mundo e está diretamente relacionado aos seus anos de formação:

 

“O meu mundo foi o dos bairros operários de Cataguases. Meus amigos eram filhos de operários e muitos deles eram também operários. Minha educação se deu nos colégios públicos de Cataguases, destinados aos mais pobres. Eram escolas muito ruins. Meu pai era pipoqueiro e meu destino seria esse também: trabalhei em botequim, no setor de algodão hidrófilo, como balconista e também fui pipoqueiro, ajudante de meu pai. A minha educação formal se deu nessa circunstância. Foi em Juiz de Fora que tive meu primeiro encontro com a política. Estudei como um louco para o vestibular e passei em primeiro lugar no curso de Comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora. Trabalhava de dia e fazia cursinho à noite. Na época de fazer a inscrição para o vestibular, eu não sabia o que fazer e algumas pessoas falavam em Comunicação, foi o que fiz. Para me manter na cidade, arranjei um emprego no Diário Mercantil, comecei a escrever sistematicamente e a fazer política estudantil. Eu era interessante para uma certa esquerda por ser representante do proletariado.

Foi nesse momento que me dei conta que a literatura brasileira não tratava das pessoas pobres que eu conhecia e por uma razão muito simples: os escritores, em geral, vêm da classe média alta e não conhecem essa realidade. O bandido e o marginal podem ser personagens idealizadas pela classe média alta, mas o trabalhador, aquele que pega ônibus, bate cartão, não tem vez. Eu conheço essas pessoas e, como todo escritor, escrevo a partir das minhas experiências. Foi o que trouxe para Eles eram muito cavalos: o livro é um pouco da minha experiência de uma pessoa que gosta de caminhar pela cidade e ouvir as histórias dos outros.”

 Ouvir histórias; contar histórias; estar no mundo. Esse é o caminho de Ruffato ao escrever suas crônicas para El-País Brasil, falando sobre o que vê e percebe do seu tempo, sem fazer concessões a partido político algum. O olhar para o contemporâneo também estrutura o seu livro infantil, A história verdadeira do sapo Luiz. “Não é livro infantil”, posicionou-se: “é uma narrativa ilustrada.” Indaguei-lhe um pouco sobre literatura com destinatário (“literatura é boa ou má”, disse ele) e sobre a representação, tema inerente ao seu conjunto narrativo: “A minha escrita é parte de uma decisão política e uma decisão estética também. Não acredito que estética e política sejam coisas separadas”. E como, para se ter acesso à literatura é preciso aprender a ler, falamos sobre a escola brasileira e a responsabilidade de se formar leitores: “A minha formação foi muito errática. Não sei o que propor.” Mas eu insisti na pergunta, queria saber como ele agiria em sala de aula: “Acho que deve se oferecer o maior número possível de livros aos alunos, variedade de gêneros e épocas”. “Acredito piamente que a literatura seja capaz de mudar o mundo”, idealizou.

E foi assim que chegamos ao polêmico discurso proferido na Feira de Frankfurt, em 2013, quando o Brasil foi um dos homenageados. A análise aguda sobre os problemas que o país enfrenta causou incômodo à plateia brasileira que, na ocasião, desejava algo mais festivo. Muito se falou sobre esse discurso, que causou um debate acalorado. Para se obter uma ideia mais precisa a respeito dessas considerações que, no fim das contas, sustentam seu percurso narrativo e a boa discussão que tivemos sobre o tema, transcrevo aqui um trecho:

“O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século XXI, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito entre as pessoas. […].

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas […]; ora como um lugar execrável, de violência urbana. […].

Volto então à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?”

Foi assim, entre política e literatura, que prosseguiu nossa conversa: “Até hoje não entendi o porquê de tanto barulho. Não falei nada de novo: falei da bruta desigualdade social, da violência contra negros e mulheres. Falei que a educação brasileira é um artigo de luxo. Onde está a novidade nisso? Onde seria o lugar para discutir essas questões? Eu pensei que fosse entre intelectuais…”.

Estive em Lisboa… voltou ao tema por esse caminho. Livro em que o jogo com a realidade se impõe de tal forma que, empregando recursos usados por escritores da narrativa tradicional, abre-se com uma nota, afirmando: “o que se segue é o depoimento, minimamente editado, de Sérgio de Souza Sampaio, nascido em Cataguases (MG) em 7 de agosto de 1969. […]”. Assim como a nota, a desventura amorosa vivida por Sergio e Sheila é transfiguração de um real imaginado. Amor deslocado no espaço e na própria condição amorosa, que movimenta esse simulacro do real. A obra de Ruffato, em síntese, expõe de forma simétrica o jogo e a experiência estética, de que a linguagem é parte indissociável.

Por falar em linguagem, tocamos aqui num ponto importante das ideias de Ruffato e sua concepção de escrita. “Literatura é fundamental”, insiste. E, ao afirmar isso, demonstra gosto pela leitura de José de Alencar e Mário de Andrade, autores que admira pelo projeto de linguagem. Discutimos sobre o modernismo brasileiro. E divergimos: “Oswald de Andrade é o grande escritor do nosso modernismo”, opinião controversa. Comentamos sobre a pluralidade dos escritores daquelas primeiras décadas do século XX , recuamos ainda mais no tempo até chegarmos a Machado de Assis: “leio tudo o que posso desse homem genial”, afirmou. “Machado decidiu que queria se tornar o grande escritor. E conseguiu.”

Pareceu-me que, para Ruffato, ser escritor é ser um intelectual público, significa intervir, ocupar os espaços para dar voz a quem não a tem. Esse depoimento vai ao encontro dos seus temas, das suas leituras, do seu projeto de escrita. Literatura e política ordenam seu olhar sobre o mundo. Os vários Ruffatos que vi ali, naquela tarde, compõem um homem fluente na sua prosa, tranquilo para falar da sua inaptidão para lidar com blogs, com trânsito e que, ainda assim, procura digerir o caos social. São nuances da mesma preocupação: um homem acompanhado por livros e que deseja tecer histórias que lutem contra a mesquinhez do mundo.

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“O segredo de Virginia Woolf” – Alcir Pécora

Extraído da Revista Cult:

Nada impressiona tanto em Mrs. Dalloway (1925), obrachave da literatura de Virginia Woolf (1882-1941), quanto aquilo que, na falta de melhor nome, chamaria de “dinâmica” do romance. Passa-se todo ele em Londres, no intervalo de um único dia, cujo andamento é acentuado pelas batidas precisas das horas do Big Ben, seguidas do badalar de outro relógio, que soa descompensadamente alguns minutos depois.

Compreende-se, portanto, porque Woolf intitulou-o inicialmente “As Horas”.

O dia começa com o passeio de Clarissa – então com 52 anos, mulher de Richard Dalloway, membro do Parlamento Britânico–, até a florista, a fim de comprar pessoalmente as flores para a festa que ela daria em sua casa naquela mesma noite, e se encerra com o seu encontro, já ao final da festa, com Peter Walsh, um antigo pretendente, que passara muitos anos na Índia e, evidentemente, sabia o suficiente para se desiludir com a civilização representada pelo Império Britânico.

Esse movimento praticamente linear compõe o que poderíamos chamar de fluxo temporal do romance.

Há outro fluxo derivado deste: ao longo do passeio de Mrs. Dalloway até a florista, ela cruza com Hugh Whitbread, um homem fátuo que também fora seu pretendente no passado, vê passar um misterioso carro de uma autoridade, que atrai os olhares dos transeuntes, especialmente do ex-soldado Septimus, que servira com bravura na guerra e se via progressivamente tomado de alucinações a ponto de, nesse instante, ser conduzido pela jovem esposa italiana ao consultório de um médico famoso.

Logo adiante, um aeroplano começa a escrever com fumaça nos céus o nome de uma nova guloseima, que é curiosamente decifrado por vários outros passantes, enquanto Clarissa chega de volta a sua casa e é visitada sem aviso por Peter, o qual é convidado para a festa da noite e logo se despede, tomando a direção de seu hotel.

Uma vez na rua, entrega-se à excitação de seguir uma jovem desconhecida até a porta de seu destino, passa pelo mesmo Septimus, que ainda segue em direção ao médico, dá uma moeda a uma mendiga devastada que canta o amor ancestral, etc.

Quer dizer, trata-se aqui de um fluxo de comunicação de acontecimentos praticamente simultâneos que proliferam a partir do fluxo de sucessão cronológica inicial.

A dinâmica ganha proporções definitivamente vertiginosas quando incorpora um terceiro fluxo: cada uma das personagens que surgem seguidamente na narrativa não são apenas mencionadas como pessoas que agem à nossa vista desta ou daquela maneira, mas são arrebatadas por um mergulho interior nos seus pensamentos e sentimentos, que se aprofunda mais ou menos segundo elas reapareçam com maior ou menor constância ao longo da narrativa.

Assim, o desdobramento afetivo e analítico é especialmente desenvolvido em relação a Clarissa, dissecada em suas sensações mais rápidas ou mais intrincadas, e tem em Peter a sua correspondência mais imediata, pois ambos partilham de fortes lembranças comuns de seus tempos de juventude e enamoramento.

E aqui, curiosamente, o fluxo se detém, ou sofre uma contracarga estática. Pois a lembrança de ambos se centra num verão inesquecível passado na casa de campo dos pais de Clarissa, com cenas muito bem marcadas, como aquela do instante em que Peter soube inevitavelmente que perderia Clarissa para Richard, ou aquela em que Clarissa se percebeu apaixonada pela amiga Sally, que veraneava com eles.

Nesse ponto, já não há sucessão: o que se impõe à narrativa são momentos, instantes definitivos, singulares, que impressionam para sempre a retina, a memória e os sentimentos que as personagens carregam ao longo da existência.

Mas há dois outros movimentos a serem incorporados a essa dinâmica: justamente aqueles que dão a mais grave (e a mais alta) dimensão do alcance a que chegou a literatura de Virginia Woolf.

Se na análise interior das experiências Clarissa e Peter se compõem como uma dupla, em que as memórias se complementam ou contradizem, o verdadeiro duplo, entretanto, o elemento perturbador de toda a ordem inscrita na experiência do tempo e nas convenções dos costumes, resumida naquele dia preciso da festa, é composto pela personagem de Septimus, o jovem herói de guerra que se vê progressivamente, irremediavelmente, abandonado pela esperança – representada em primeiro lugar pela sua esposa apaixonada e, por fim, pelo médico que o quer internar, investido da autoridade inabalável de uma pretensa proporcionalidade científica.

Alertado, contudo, pelas intensas leituras de Shakespeare, pelo amigo morto na frente de guerra que lhe traz insistentes notícias dos mortos e pelos passarinhos que chilreiam em grego, Septimus conhece o derradeiro e terrível segredo: o que as gerações sucessivas legam às outras é apenas desprezo, ódio e desespero.

Esse relance do mais extremo sofrimento, que, paradoxalmente, se traduz pela incapacidade de sentir e pela perda de sentido do mundo, se concentra em grau máximo nas alucinações de Septimus, mas não está apenas nelas. O mergulho interior nas várias personagens, mesmo as mais ligeiras, também toma dele a mesma direção infernal, apenas se detém à beira do precipício, por vezes até num lampejo de felicidade ou de esperança, como a que sente a moça do interior que chega a Londres para assumir um cargo na loja do tio.

Mas o leitor de Mrs. Dalloway não tem direito à mesma inocência. Movido pela dinâmica que o coloca na linha do tempo, distende-a por vidas diversas e a faz reverberar, abaladamente, pelos eventos, para então arremessá-la ao passado, fazendo com que se identifique e se detenha em seus momentos decisivos.

Esse leitor sabe – seja lá qual for o ponto do passeio em que esteja – que os seus passos o dirigem para o breu onde a insignificância da vida se revela mais real que ela.

Alcir Pécora é professor de teoria literária na Unicamp

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Porque nos relacionamos com personagens de ficção – Will Self

Extraído do Blogtailors:

“Embora tenham as suas vidas determinadas pelos escritores, os personagens de ficção são frequentemente retratados como donos do seu destino. Talvez seja por esse motivo que os leitores gostam tanto deles.” O autor Will Self reflete sobre as personagens de ficção e a sua relação com os leitores, aqui.

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Silviano Santiago sobre Mário de Andrade

No site do Estadão, encontra-se um artigo de Silviano Santiago publicado no dia 21 de fevereiro deste ano. Nesse artigo, Silviano avalia a importância da obra de Mário de Andrade para o século XXI: “No ano em que se completam os 70 anos da morte de Mário de Andrade (25/2/1945) e em que a Flip se adianta e valoriza a data, visto a pele de um incômodo Mallarmé e me pergunta se a ‘eternidade’ apenas o transformará no maior intelectual brasileiro da primeira metade do século XX. Começo pela pergunta exigente porque são vários os obstáculos que dificultam armazenar a figura de Mário no século XXI.” Leia o artigo completo no site.

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Conferência de Mia Couto

No ano passado, durante o CIFALE – Congresso Internacional da Faculdade de Letras UFRJ, o escritor moçambicano Mia Couto proferiu uma belíssima conferência de encerramento das atividades. Nessa altura, ele tratou da criação literária, associando-a às primeiras percepções de um ser humano.

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“Mayombe” e “A geração da utopia” – Lançamento de Pepetela

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17/09/2013 · 7:45