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120 batimentos por minuto, direção de Robin Campillo

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As olimpíadas vão ao cinema

As olimpíadas vão ao cinema

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23/04/2016 · 19:20

Minicurso – Relações entre literatura, imagem e cinema no período das vanguardas históricas

MINICURSO2015

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11/05/2015 · 17:21

Centro de Artes UFF

Finalmente, uma boa notícia. Extraído do site do jornal O Globo [via Roberto Bozzetti]:

NITERÓI — Reaberto em agosto do ano passado, o Centro de Artes UFF se tornou rapidamente um sucesso de público. Desde então, mais de 35 mil pessoas de diferentes faixas etárias passaram por lá, e a previsão é que até dezembro mais de 200 mil visitantes compareçam ao espaço que exibe filmes, peças de teatro e exposições e é palco de concertos de música clássica.

E não são apenas os números que comprovam o sucesso do complexo cultural. Quem passa pelo local distribui elogios à programação e à estrutura encontrada nas instalações do centro. Maria Luiza Silveira fez uma ótima avaliação. Ela assistiu a “Relatos selvagens”, longa argentino que concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Maria Luiza, que mora em Nova York, mas é nascida em Niterói, estava com a amiga francesa Zuzane Russo.

— A programação de filmes é muito bacana. Sentimos falta de um cinema assim. Está faltando cultura em Niterói, e a reforma deixou o espaço excelente — diz Maria Luiza.

Robson Leitão, gestor interino do Centro de Artes UFF, comemora o rápido sucesso com a população de todo o estado, não apenas de Niterói:

— Vem muita gente do Rio, de Itaboraí e de São Gonçalo. Quando o Centro de Artes ficou fechado, houve uma perda de atividades culturais na cidade. Quando reabrimos, o público percebeu que não precisava mais ir ao Rio para buscar esse tipo de programação.

EXPERIÊNCIA COMPLETA

E são vários os casos de quem voltou a comparecer ao edifício onde também funciona a reitoria da universidade na Rua Miguel de Frias 9, em Icaraí. Conta ainda positivamente o fato de o cinema estar integrado a um ambiente que proporciona imersão em atividades culturais.

— É ótimo o cinema estar dentro do Centro de Artes porque completa o passeio. Podemos ter uma experiência cultural completa — diz o representante comercial Antonio Mattos, de 67 anos.

Com muitas falhas na exibição, a projeção do antigo cinema sempre foi alvo de reclamação dos frequentadores e virou até motivo de piada. O motivo, explica Leitão, era um erro na concepção da sala:

— Havia um erro de angulação da janela de uma das cabines de projeção, mas com a reforma esse problema foi completamente resolvido.

E a estrutura não ficou melhor apenas para exibição de filmes. João Franco, diretor do Teatro da UFF, relata que as instalações estão melhores também para as artes cênicas:

— O teatro hoje é o melhor do Brasil em termos de equipamento. Procuramos fazer nossa programação para interagir tanto com o cenário universitário quanto o de educação.

A VOLTA DA ORQUESTRA

O Centro de Artes também mantém uma orquestra, que volta a se apresentar em março. É a oportunidade para jovens músicos mostrarem o seu trabalho.

— Este tipo de música não tem muito espaço nas casas de show. Por isso é importante que a UFF mantenha a orquestra — conta Márcio Selles, coordenador-geral de música. — Damos oportunidade a jovens compositores, regentes e solistas.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

Sábado. “Histórias de João de Barro”. Espetáculo musical de Bia Bedran com músicas de Braguinha. Em cartaz até o dia 15. Sábados e domingos, às 17h. Ingresso: R$ 30. Livre.

Sábado. “Deixa clarear”. O espetáculo faz uma visita à memória de Clara Nunes e ao seu universo musical. Em cartaz até o dia 15. Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h. Ingresso: R$ 30. Livre.

Até o dia 4 de março. Exposição “O jogo”. De segunda a sexta, das 10h às 21h; sábados e domingos, das14h às 21h. Gratuito. Livre.

8 de março. Concerto da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, às 10h30m. Regência do maestro Jésus Figueiredo. Ingresso: R$ 10. Livre.

12 de março. Exposição “A linha do artista?”, de Vinícius Ferraz, no Espaço Aberto UFF. Domingo a sexta, das 10h às 21h; sábados, das 14h às 21h. Em cartaz até 19 de abril. Gratuito. Livre.

12 de março. Exposição “Alguma coisa atravessa pelos poros”, de Andréa Facchini, na Galeria de Arte UFF. Domingo a sexta, das 10h às 21h; sábados, das 14h às 21h. Em cartaz até 19 de abril. Gratuito. Livre.

12 de março. Exposição “Invisíveis”, de Klacius Ank, no Espaço UFF de Fotografia. Domingo a sexta, das 10h às 21h; sábados, das 14h às 21h. Em cartaz até 19 de abril. Gratuito. Livre.

15 de março. Música aos domingos, com o Conjunto Música Antiga da UFF, às 10h30m. Ingresso: R$ 10. Livre.

22 de março. Música aos domingos, com a Orquestra Barroca do Amazonas, às 10h30m. Regência de Márcio Pessoa. Ingresso: R$ 10. Livre.

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ESC:ALA #4

Editorial extraído do site da revista ESC:ALA [via Rosa Martelo]:

O quarto número da revista conta, novamente, com um vasto conjunto de autores cujas colaborações vão do ensaio (Catarina Simão, José Capela, Paula Januário, Pedro Boléo Rodrigues e Rita Novas Miranda) à fotografia (Henrique Bento, José Carlos Duarte, nuno ventura barbosa e Teresa Carvalho de Sousa), passando pelo vídeo (Luca Argel, Mathilde Ferreira Neves, Renata Sancho e Sofia Marques Ferreira), o formato videomusical (Joana Matos Frias e Nuno Morão), a prosa (Diogo Bento), os GIFs (João Pedro da Costa), o argumento cinematográfico (Mathilde Ferreira Neves) e a poesia (Evelyn Blaut-Fernandes e Manuel Gusmão).

No seu conjunto, os diversos contributos não apenas abordam ou evocam a obra de uma vasta galeria de criadores e pensadores (Adília Lopes, Anne-Marie Miéville, Herberto Helder, Jacques Derrida, Jean-Luc Godard, José Tolentino Mendonça, Man Ray, Maria Velho da Costa, Paul Virilio, Peter Sloterdijk, Rimbaud, Samuel Beckett, Solveig Nordlund, Walter Benjamin e William Blake entre outros) e temas como o feminismo, a guerra colonial, o 25 de Abril, a censura, o exorcismo, o erotismo e a música popular, como problematizam questões como o papel da música na estética cinematográfica, as interfaces gráficas, a relação entre política e estética, a importância da interdisciplinaridade na criação artística, os limites dos recursos dramatúrgicos e as práticas intertextuais.

A ESC:ALA está, como sempre, extremamente grata a todos os que possibilitaram a existência do seu quarto número.

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Filme para poeta cego – Um documentário sobre Glauco Mattoso

Via Roberto Bozzetti:

Gênero: Documentário
Subgênero: Retrospectiva
Diretor: Gustavo Vinagre
Elenco: Akira Nichimura, Glauco Mattoso
Duração: 25 min     Ano: 2012     Formato: HDV
País: Brasil     Local de Produção: SP
Cor: Colorido
Sinopse: Um documentário sobre o poeta Glauco Mattoso: cego, masoquista, podólatra e gay. De maneira poética, assim como a obra de seu personagem, o filme revela a tênue linha entre alta literatura e vulgaridade.

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Vida e verso de Carlos Drummond de Andrade

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“A mesma água que mata a sede é a que afoga” – Bernardo Carvalho

Extraído do blog do IMS:

É fácil passar da esquerda à direita, achando-se original e gabando-se de independência de pensamento, quando no fundo esse movimento não é mais do que eco, rendição à ignorância e à brutalidade ambiente; quando essa passagem faz parte de um concerto coletivo, de um acordo com o seu tempo, quando o mundo inteiro tende para o mesmo lado. Difícil é pensar sem claque. E sem correspondência. É aí que está a possibilidade de um pensamento independente de verdade, nesse escândalo sem defensores de primeira hora, nessa irrupção sem seguidores (à esquerda e à direita), nessa coragem que é ao mesmo tempo antevisão e suicídio, ato de loucura e gesto artístico. São raros os casos de pensadores desse calibre. Pasolini era um deles.

Na tarde de 1 de novembro de 1975, um sábado, poucas horas antes de ser brutalmente assassinado, Pasolini concedeu sua última entrevista, publicada uma semana depois, no “La Stampa”, e mais tarde reeditada em livro, com o título: “Estamos todos em perigo”. Eu não sabia (ou não me lembrava) da existência dessa entrevista até deparar com a tradução francesa – “L’Ultima Intervista di Pasolini”, ed. Allia, 2014 –, na semana passada, na vitrine de uma livraria de Bruxelas.

Alguns dias antes da entrevista, durante um debate, Pasolini defendera a ideia de uma “língua vulgar” contra a uniformização promovida pela televisão e por um sistema educacional a serviço do hedonismo consumista. Para ele, o sistema educacional e a televisão eram dois instrumentos do mesmo poder que faz todo mundo desejar as mesmas coisas, da mesma maneira. Era uma guerra antiga. E Pasolini recorria a um suposto “arcaísmo”, que na verdade tinha a ver apenas com a arte e a vida do presente, com uma relação sensual com a terra e com a natureza, com uma relação vital com o mundo, para libertar a língua e a cultura desse processo coletivo de normalização. Ele opunha o dialeto à escola e o desejo ao consumismo. É claro que sua presciência em termos de hedonismo consumista não podia antever nem de longe o que estava por vir.

Não há nada mais fácil do que exaltar o bem e execrar o mal quando isso apenas ecoa o que todo mundo pensa. A teoria da conspiração, por exemplo, tão fértil em meios como a internet, resolve todas as contradições ao dar um sentido maniqueísta (de um lado os bons, de outro os maus) a situações nas quais os papéis são móveis. A inteligência do pensamento político, ao contrário, não está em identificar o fascismo onde se espera encontrá-lo, mas onde ele se manifesta, nos oportunismos e nas imposturas do bem, por exemplo, sob diferentes disfarces.

“Você já viu essas marionetes que tanto provocam o riso das crianças, porque têm o corpo virado para um lado e a cabeça para o outro?  (…) É como eu vejo essa trupe de intelectuais, sociólogos, especialistas e jornalistas imbuídos das melhores intenções: as coisas acontecem de um lado e a cabeça deles está virada para o outro. Não estou dizendo que o fascismo não existe. Estou dizendo: parem de me falar do mar, porque estamos na montanha.”

Contra o político que se apresenta como alternativa à velha política e que, na sua voracidade pelo poder, acaba fazendo o mesmo tipo de aliança que antes ele condenava, Pasolini é simples e direto: “Tenho nostalgia da gente pobre e verdadeira que lutava para derrubar o patrão sem por isso se tornar patrão”.

É essa ambiguidade do poder, do “homem de bem” que pode ser também assassino dentro da lei, que a política escandalosa de Pasolini revela e denuncia. Porque a mesma água que mata a sede é a que afoga: “É como quando chove numa cidade e os buracos de esgoto estão entupidos. A água sobe, é uma água inocente, uma água de chuva, ela não tem nem a fúria do mar nem a maldade da correnteza de um rio. (…) É a mesma água da chuva celebrada por tantas poesias singelas. Mas ela sobe e te afoga”.

No final da entrevista, Pasolini diz a frase que acabaria lhe servindo de título: “Estamos todos em perigo”. É a deixa para o jornalista replicar com a última pergunta, que ficará sem resposta: “E como é que você pretende evitar o perigo e o risco?”.

Já é tarde, Pasolini pede para reler as anotações do jornalista. Compromete-se a precisar alguns pontos e responder à última pergunta, com calma, até o dia seguinte. Diz que é mais fácil por escrito. Horas depois, ele será encontrado morto, com o rosto desfigurado, numa praia perto de Roma.

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“A noiva de Godard e o noivo de Baleia” — José Carlos Avellar

Extraído do blog do IMS:

Cannes. Na competição, um quase noivo de Baleia, o cachorro Roxy, e a quase mariée de Marcel Duchamp mise à nu por Jean-Luc Godard, même. A ideia de Adieu au langage (Adeus à linguagem) é simples, esclarece o diretor num breve texto à maneira de sinopse no livreto distribuído como material de divulgação: “Uma mulher casada e um homem solteiro se encontram, se amam, se desentendem, os corpos choram. Um cachorro vaga entre a cidade e o campo. As estações passam. O homem e a mulher se reencontram, o cachorro se encontra entre eles. O outro está dentro de um, o um está dentro do outro, essas são as três pessoas”.

Na verdade, nenhuma direta relação entre a personagem de Vidas secas e seu quase noivo de Adeus à linguagem. Mas a presença do cachorro como um dos protagonistas do filme traz à memória a inclusão de Vidas secas na lista dos melhores do ano feita para o Cahiers du Cinéma, em 1965. Roxy traz ainda à memória que, em 2004, aqui mesmo, em Cannes, indagado sobre os novos cinemas da década de 1960, Godard apontou Vidas secas como um filme que permanecia novo — um dos raros, sublinhou.

Nenhuma direta relação, nenhuma referência direta, mas Roxy, como Baleia, é um cachorro que pensa. Tal como no livro de Graciliano, o narrador do filme de Godard entra na cabeça do cachorro para traduzir seus pensamentos. Roxy pensa que não se pode pensar livremente se os olhos não veem em liberdade. Que não se pode ver em liberdade se pensamos enquanto vemos. Que as pessoas saem de si mesmas e da realidade em que se encontram enquanto pensam e assim se dividem em duas: uma pessoa que é e uma pessoa que é só pensamento.

Nenhuma relação direta com a noiva de Roxy, mas uma estreita relação com a noiva de Marcel Duchamp, a mariée despida por seus celibatários, mesmo ou O grande vidro. Quando aparece despida pela primeira vez por Godard, a mariée de Adeus à linguagem desce aquela mesma escada do nu de Duchamp.

Para compor os diálogos de Adieu au langage, Godard se serve uma outra vez de um procedimento ao mesmo tempo próximo da ideia do ready made de Duchamp e do natural processo de compor e montar imagens cinematográficas — enquadramento e montagem. As falas são recortadas de livros tal como as imagens são recortadas de cenários reais ou dos corpos dos atores. Na montagem, aqui como em tudo quanto é filme, falas e imagens ganham novos sentidos sem deixar de se referir à realidade objetiva ou subjetiva de onde foram extraídas. Por isso mesmo, em dois ou três momentos o narrador se pergunta onde começa a metáfora e termina a realidade.

Relação direta com O grande vidro de Duchamp também pelas muitas transparências das imagens em 3D. Adeus à linguagem tem pouco a ver com os habituais efeitos de profundidade dos filmes em terceira dimensão. Não se serve dos pequenos truques visuais em que algo atirado na direção da câmera tenta provocar ilusão semelhante à que, no nascimento do cinema, desabou sobre a plateia que viu o trem de Lumière saltar da estação para dentro da sala de projeção. Na tela, de fato, um adeus à prática corrente do 3D e um estreito diálogo com o quadro em três dimensões de Duchamp, vidro e não tela, ao mesmo tempo o que está nele e o que se pode ver através dele.

A câmera por trás do vidro do carro, o olhar é solicitado a um permanente deslocamento da paisagem no fundo da imagem para a água no para-brisa, espécie de cortina ou biombo que encobre as árvores ao fundo, ou da estrada para o limpador de para-brisa, um segundo biombo correndo de um lado para outro do quadro. Nas fusões, uma idêntica sensação de vertigem visual, pois a vista se acomoda pouco à vontade sobre as duas superpostas e conflitantes ilusões de profundidade. Fusões de imagens e também nos letreiros, como os que reescrevem o título original colando em primeiro plano duas letras grandes e vermelhas. Adieu transforma-se então em AH Dieux (Ah! Deus), e au langage transforma-se então em OH langage (Oh! linguagem). Vidro, fusões, Duchamp e mais a lembrança de Claude Monet: “Em lugar de pintar o que se vê, pois de fato não vemos nada, pintemos o que não se vê”.

Na imagem, frases visuais. Nas falas, imagens verbais. Filmar o que não se vê: o azul no céu, mas não como o azul do céu, o vermelho na flor mas não como o vermelho da flor, o amarelo das folhas de outono, mas com um brilho e calor diferente das folhas de outono. Enquadrar as palavras para inseri-las numa outra ordem, pela montagem:

Deus não pode nos fazer humildes, ou não soube nos fazer humildes, por isso nos fez humilhados.
Ah! Deus, hoje todo mundo tem medo.
Renuncie à liberdade e conseguirá tudo.
Essa manhã é um sonho e cada um pensa que o sonhador é o outro.
Não direi quase nada, procuro a pobreza da linguagem.

Assim como aqui e ali um realizador adapta um livro ou numa peça de teatro para cinema, quase é possível dizer que em Adeus à linguagem Godard faz uma adaptação da Mariée mise à nu par ses celibataires même para o cinema. Uma ideia simples, uma mulher casada um homem solteiro, o reencontro e o encontro com um cachorro, para compor um filme em que o 3D passa na tela como uma imagem no vidro dianteiro de um carro em movimento num dia de chuva.

Alguns filmes do festival estiveram especialmente voltados para os problemas contemporâneos. A injustiça social e a falta de emprego na Europa, como Deux jours, une nuit (Dois dias, uma noite), de Jean Pierre e Luc Dardenne, e Jimmys’ Hall (O salão de Jimmy), de Ken Loach, ou o extremismo religioso e a violência na África, Timbuktu, de Abderrahmane Sissako. A entrada de jovens num mundo adulto dividido entre a vontade de viver em harmonia com a natureza e a pressão de desenvolvimento econômico, Le meraviglie (As maravilhas), de Alice Rohrwacher, e Futatsume no mado (A segunda janela), de Naomi Kawaze. As relações entre o artista e o intelectual e os trabalhadores comuns, Mr. Turner, de Mike Leigh, e Kis Uykusu (Sonho de inverno), de Nuri Bilge Ceylan. Mas um apenas tomou como tema, trouxe para o centro da discussão, a luta comum a todos esses em busca da imagem capaz de expressar o sentimento de cada um, apenas um, o de Godard, que visto assim, à distância, antes de chegar a uma de nossas salas de cinema, revela melhor o que é quando em lugar do título original usamos as duas exclamações e trocadilhos montados pelo diretor no meio da narrativa: Ah! Deus, oh! a linguagem.

José Carlos Avellar é coordenador de cinema do IMS.

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Manoel de Oliveira e o Velho do Restelo

Matéria de Sérgio C. Andrade publicada no jornal Público, de Lisboa. Enviada por Jorge Fernandes da Silveira.

Manoel de Oliveira disse uma vez que o Porto era a sua casa e que o cinema era a sua vida. E se a sua vida e carreira, ambas já longas, confirmam essas afirmações, nunca como agora elas estarão tão ligadas. O realizador, de 105 anos, vai rodar o seu novo filme esta semana, a partir de quarta-feira, mesmo junto à sua casa na Foz, na sua cidade natal.

Foram finalmente desbloqueadas as condições necessárias à concretização do projecto O Velho do Restelo, uma reflexão sobre Portugal e a sua História, a partir da situação de crise que o país actualmente vive.

Produção de O Som e a Fúria – o mesmo produtor da mais recente longa-metragem do realizador, O Gebo e a Sombra (2012) –, O Velho do Restelo pega neste personagem pessimista e derrotista d’Os Lusíadas e associa-lhe uma leitura pessoal de textos de Miguel de Cervantes, Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco, além de excertos de filmes anteriores do próprio realizador. Será um filme sobre “um presente suspenso da realidade” da crise económica que se abateu sobre nós, disse Manoel de Oliveira em entrevista à revista francesa Cahiers du Cinéma (Novembro de 2013).

A produção de O Velho do Restelo vai contar com o apoio da Câmara Municipal do Porto, que esta terça-feira vai votar, em reunião do executivo, uma proposta do presidente Rui Moreira com esse fim. O facto de Manoel de Oliveira ser “um dos maiores vultos da Cultura do Porto”, de a acção do filme se passar na cidade e de, por essa razão, as filmagens ganharem “interesse municipal” justificam este protocolo de apoio técnico e logístico, que se estenderá também à isenção, a título excepcional, do pagamento de taxas camarárias num valor que não poderá ultrapassar os 25 mil euros.

O orçamento de O Velho do Restelo não foi anunciado pela O Som e a Fúria, que também não divulgou ainda as entidades que vão patrocinar a produção da curta-metragem.

No elenco, vão estar actores que fazem parte da “trupe” habitual de Manoel de Oliveira: Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Dória, Mário Barroso…, além da anotadora Júlia Buisel e do director de fotografia francês Renato Berta.

O Velho do Restelo significará o regresso da cidade do Porto como cenário privilegiado do cinema de Oliveira, desde que, na viragem das décadas 1920/30, ainda no tempo do cinema mudo, aí rodou a sua primeira-obra, Douro, Faina Fluvial, estreada em 1931. Seguiram-se Aniki-Bóbó (1942), O Pintor e a Cidade (1956), Visita – Memórias e Confissões (1982, filme autobiográfico que permanece inédito), Inquietude (1998) e Porto da Minha Infância (2001).

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