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“O suicídio da Lava Jato” – Vladimir Safatle

Coluna de Vladimir Safatle publicada no dia 18 de março de 2016 na Folha de S. Paulo. Até o momento, parece a análise mais precisa e menos polarizada já feita sobre o atual contexto político brasileiro:

O juiz Sergio Moro conseguiu o inacreditável: tornar-se tão indefensável quanto aqueles que ele procura julgar. Contrariamente ao que muito defenderam nos últimos dias, suas últimas ações são simplesmente uma afronta a qualquer ideia mínima de Estado democrático. Não se luta contra bandidos utilizando atos de banditismo.

A divulgação das conversas de Lula com seu advogado constitui uma quebra de sigilo e um crime grave em qualquer parte do mundo. Não há absolutamente nada que justifique o desrespeito à inviolabilidade da comunicação entre cliente e advogado, independente de quem seja o cliente. Ainda mais absurdo é a divulgação de um grampo envolvendo a presidente da República por um juiz de primeira instância tendo em vista simplesmente o acirramento de uma crise política.

Alguns acham que os fins justificam os meios. No entanto, há de se lembrar que quem se serve de meios espúrios destrói a correção dos fins.

Pois deveríamos começar por nos perguntar que país será este no qual um juiz de primeira instância acredita ter o direito de divulgar à imprensa nacional a gravação de uma conversa da presidente da República na qual, é sempre bom lembrar, não há nada que possa ser considerado ilegal ou criminoso.

Afinal, o argumento de obstrução de Justiça não para em pé. Dilma tem o direito de nomear quem quiser e Lula não é réu em processo algum. Se as provas contra ele se mostrarem substanciais, Lula será julgado pelo mesmo tribunal que colocou vários membros de seu partido, de maneira merecida, na cadeia, como foi no caso do mensalão.

Lembremos que “obstrução de Justiça” é uma situação na qual o indivíduo, de má-fé e intencionalmente, coloca obstáculos à ação da Justiça para inibir o cumprimento de uma ordem judicial ou diligência policial. Nomear alguém ministro, levando-o a ser julgado pelo STF, só pode ser “obstrução” se entendermos que o Supremo Tribunal não faz parte da “Justiça”.

A fragilidade do argumento é patente, assim como é frágil a intenção de usar um grampo ilegal cuja interpretação fornecida pelo sr. Moro é, no mínimo, passível de questionamento.

Na verdade, há muitas pessoas no país que temem que o sr. Moro tenha deixado sua função de juiz responsável pela condução de processo sobre as relações incestuosas entre a classe política e as mega construtoras para se tornar um mero incitador da derrubada de um governo.

A Operação Lava Jato já tinha sido criticada não por aqueles que temiam sua extensão, mas por aqueles que queriam vê-la ir mais longe. Há tempos, ela mais parece uma operação mãos limpas maneta.

Mesmo com denúncias se avolumando, uma parte da classe política até agora sempre passa ilesa. Não há “vazamentos” contra a oposição, embora todos soubessem de nomes e esquemas ligados ao governo FHC e a seu partido. Só agora eles começaram a aparecer, como Aécio Neves e Pedro Malan.

Reitero o que escrevi nesta mesma coluna, na semana passada: não devemos ter solidariedade alguma com um governo envolvido até o pescoço em casos de corrupção. Mas não se trata aqui de solidariedade a governos. Trata-se de recusar naturalizar práticas espúrias, que não seriam aceitas em nenhum Estado minimamente democrático.

Não quero viver em um país que permite a um juiz se sentir autorizado a desrespeitar os direitos elementares de seus cidadãos por ter sido incitado por um circo midiático composto de revistas e jornais que apoiaram, até o fim, ditaduras e por canais de televisão que pagaram salários fictícios para ex-amantes de presidentes da República a fim de protegê-los de escândalos.

O Ministério Público ganhou independência em relação ao poder executivo e legislativo, mas parece que ganhou também uma dependência viciosa em relação aos humores peculiares e à moralidade seletiva de setores hegemônicos da imprensa.

Passam-se os dias e fica cada dia mais claro que a comoção criada pela Lava Jato tem como alvo único o governo federal.

Por isso, é muito provável que, derrubado o governo e posto Lula na cadeia, a Lava Jato sumirá paulatinamente do noticiário, a imprensa será só sorrisos para os dias vindouros, o dólar cairá, a bolsa subirá e voltarão ao comando os mesmos corruptos de sempre, já que eles foram poupados de maneira sistemática durante toda a fase quente da operação.

O que poderia ter sido a exposição de como a democracia brasileira só funcionou até agora sob corrupção, precisando ser radicalmente mudada, terá sido apenas uma farsa grotesca.

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Dois poemas de Eucanaã Ferraz

Publicados no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo:

 

Eucanaã 1

 

Eucanaã 2

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“Peso”, de Richard Serra

Sem Título

No site da Folha de S. Paulo, encontra-se disponível o texto “O peso”, de Richard Serra, que faz parte do livro Richard Serra – Escritos e entrevistas (1967-2013), que foi lançado ontem no Instituto Moreira Salles.

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Programação da Flip 2014

Extraído do site do jornal Folha de S. Paulo:

Programação

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“Em defesa da sociedade” – Renato Sérgio de Lima

Mais um, agora de Renato Sérgio de Lima, publicado no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo de 23 de junho de 2013:

A forma como governos e forças policiais reagiram à onda de manifestações sociais, com mais de 1 milhão de pessoas protestando nas ruas do país, é evidência cabal não só da falência do atual modelo de segurança pública brasileiro mas, infelizmente e de modo preocupante, da fragilidade das instituições democráticas no Brasil.

As polícias brasileiras, à semelhança do que ocorre na Turquia e em outras partes do mundo, estão estruturadas a partir da lógica de defesa dos interesses do Estado e não sabem lidar com a defesa dos interesses da sociedade, ainda mais quando diferentes direitos são contrapostos e elas são chamadas para administrar conflitos.

O país foi tomado por um forte sentimento difuso de insatisfação e, em não existindo uma doutrina nacional de uso da força que balize governos e polícias sobre como atuar para geri-lo, não há certeza sobre como e quando devem agir.

E isso é ainda mais grave quando as manifestações começam a dar pistas de que esta insatisfação difusa vem associada ao crescimento do desprezo pela política e pelas instituições, como na repulsa a governos e partidos, ou ao desrespeito às diferenças.

Os governos ficaram atônitos, e o efeito é que há um desproporcional (para mais e para menos) emprego dos recursos de força hoje disponíveis, que paradoxalmente foram modernizados por pesados investimentos em tecnologia e gestão feitos nos últimos 20 anos.

Numa análise jurídica do atual quadro do país, nota-se que segurança pública é um conceito frouxamente formulado e recepcionado na legislação e nas normas que regulam o funcionamento das instituições encarregadas de garantir direitos, ordem e tranquilidade.

Não existe projeto político dos governos para a área, e o debate sobre segurança pública ficou restrito a quem responde melhor aos dramas da opinião pública e investe mais em armas e viaturas. E, em segurança pública, prioridade política não se traduz apenas em mais recursos financeiros.

Slogans são criados e investimentos são feitos, mas sem discutir os ruídos, no pacto federativo, do modelo bipartido de organização policial (civil e militar), do papel desempenhado pelas Polícias Civil, Militar e Federal; pelo Ministério Público; e pelos Três Poderes.

Na incapacidade de definir um protocolo transparente de intervenção, os governos abrem margem para a violência eclodir e fortalecem a tendência de homogeneização do comportamento de organizações de um mesmo campo.

Esta tendência é chamada de isomorfismo, entendido como um processo de constrangimento organizacional que, sob as mesmas condições, força as organizações à assemelharem-se a organizações que reconhecem como referência.

Uma das forças desse isomorfismo é a incerteza. Quando as organizações são pouco transparentes, seus objetivos são ambíguos ou o ambiente social gera incertezas simbólicas, as polícias tendem a incorporar soluções adotadas por essas outras organizações. No caso das PMs, as soluções encontradas ainda estão sob forte identidade das Forças Armadas. Mesmo reconhecendo o esforço, nas últimas décadas, para mudar padrões, por trás das balas de borracha e do tratamento de busca e captura de manifestantes há a ideia de que existe um inimigo.

Isso não é exclusividade das polícias militares. O enquadramento dos manifestantes no crime de “formação de quadrilha” é outro exemplo de que estamos despreparados para administrar conflitos, pois ele repete o tratamento penalizante dispensado ao crime organizado.

Por maior que seja a disposição de segmentos importantes das forças policiais para se adaptarem à ordem democrática, a falta de prioridade política e a força do isomorfismo das organizações impedem que mudanças significativas ocorram sem envolvimento da sociedade.

Ou radicalizamos na transformação das instituições responsáveis por prover segurança pública ou continuaremos reféns das crises e das eclosões de violência. A violência e a insatisfação que surgem das manifestações e da forma como governos e polícias a ela reagem são sintomas de profundo mal-estar da sociedade com o modelo de organização do Estado. Ou compreendemos esse mal-estar e saímos da zona de conforto do senso comum e do cálculo eleitoral ou corremos riscos de retrocesso institucional. As conquistas sociais são fundamentais, mas não são suficientes para mudar o país.

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Ameaça ao Parque do Flamengo – Elio Gaspari

Extraído do site da Folha de S. Paulo [via Roberto Bozzetti]:

Eike Batista é um dos homens mais ricos do Brasil, símbolo de um novo tipo de empreendedor audacioso. Tem projetos de portos, mineradoras e empresas de energia. Nesse modo, onde os negócios e seus desempenhos são medidos diariamente pelo mercado, as ações da sua OGX, lançadas a R$ 12, valiam na semana passada R$ 1,70. Noutro modo, ele se relaciona com o patrimônio da Viúva. Nele, é um sucesso. Há poucas semanas, associado à empreiteira Odebrecht, conquistou a concessão do estádio do Maracanã. Pelo andar da carruagem, na primeira semana de junho, poderá obter do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional uma licença para erguer um centro de convenções no aterro do Flamengo, onde fica a Marina da Glória. Fechada a operação, o Hotel Glória, que é de Batista, mas irá ao mercado, ganha um anexo.

No dia 4 de junho, reúne-se em Brasília a Câmara Técnica do Iphan que julgará a conveniência da construção, no parque, de um auditório de 900 lugares, com 50 lojas e 600 vagas para automóveis. No dia seguinte o Conselho Consultivo da instituição dará a última palavra a respeito do assunto.

Trata-se de autorizar uma edificação numa área tombada pelo próprio Iphan, onde não podem ser acrescentados equipamentos urbanos estranhos ao projeto original do arquiteto Affonso Reidy. Nele não há centro de convenções.

No modo governo, Batista é poderoso. Anunciou que tinha um projeto arquitetônico para a marina, mas não exibiu documentação que justificasse esse nome. Em seguida informou que trocaria o riscado, chamando um concurso internacional. O que fez não justifica essa designação. Finalmente, em março circulou a informação segundo a qual o Iphan autorizara o projeto. Falso. A presidente da instituição, Jurema Machado, reclamou da precipitação, argumentando que ela prejudicava sua imagem. Tudo bem, mas em pelo menos uma ocasião, em fevereiro, na presença do prefeito Eduardo Paes, o secretário do Patrimônio Cultural do Rio, Washington Fajardo, disse que “o Iphan aprovou” o projeto do arquiteto Índio da Costa.

Eike Batista foi um discreto doador nas campanhas de Paes e do governador Sérgio Cabral. A ambos já deu o conforto de seus jatinhos. (No caso de Cabral, permitindo-lhe mobilidade durante um feriadão.) Esse estilo, que se mostrou insuficiente para assegurar a simpatia do mercado, mostrou-se persistente nas tratativas com governos encarregados de preservar o patrimônio da Viúva. Nunca é demais repetir o que disse em 1964 Lota de Macedo Soares, a quem o Brasil deve o parque, quando pediu proteção e respeito ao projeto original do aterro:
“Pelo seu tombamento, o parque do Flamengo ficará protegido da ganância que suscita uma área de inestimável valor financeiro, e da extrema leviandade dos poderes públicos quando se trata da complementação ou permanência de planos”.

É a seguinte a composição da Câmara Técnica do Iphan que julgará o projeto:

Rosina Coeli Alice Parchen, Marcos de Azambuja, Italo Campofiorito, Nestor Reis Filho e José Liberal de Castro.

E é a seguinte a composição do conselho consultivo:

Os cinco integrantes da Câmara Técnica, mais a presidente do Iphan, Jurema Machado e, como representantes do governo:

Antônio Menezes Junior, Eliezer Moreira Pacheco, Cícero Antônio Fonseca de Almeida, Carla Maria Casara e Gilson Rambelli.

Como representantes da sociedade civil: Angela Gutierrez, Arno Wehling, Breno de Almeida Neves, Luiz Phelipe Andrés, Marcos Vinicios Vilaça, Maria Cecília Londres, Myriam Andrade Ribeiro, Synésio Scofano Fernandes e Ulpiano Bezerra de Menezes.

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“‘Todos os poemas’ expõe faceta pouco conhecida do escritor Paul Auster

Matéria de Lucas Ferraz para o site da Folha de S. Paulo, a 2 de março de 2013:

O ano de 1979 marcou uma virada na vida do escritor americano Paul Auster, 66. Com o primeiro casamento em crise e quebrado financeiramente, ele encerrava a década em que se dedicou à poesia em crise existencial e literária.

Sem conseguir escrever desde o ano anterior, ele se arriscava novamente na prosa com o texto experimental “Espaços em Branco”, que coincidentemente concluiu na mesma noite em que seu pai morreu.

Para Auster, foi seu renascimento como escritor e ponto de partida para tornar-se um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea dos EUA.

Toda sua produção literária até esse período, que marca os anos de formação do autor, acaba de chegar às livrarias.

“Todos os Poemas” (Companhia das Letras) expõe uma faceta pouco conhecida de Auster até mesmo por seu público nos EUA: a reunião de sua obra poética, escrita na década de 1970 – as exceções são “Espaços em Branco” e as reflexões “Anotações de um caderno de rascunhos”, de 1967, compostas quando ele tinha 20 anos.

“Foi a fundação de tudo o que fiz nos 30 anos seguintes”, disse o escritor em entrevista à Folha.

Fragmentos dos romances que tentou escrever nessa época foram usados anos depois na novela “Cidade de Vidro”, que compõe um de seus mais famosos livros, “A Trilogia de Nova York”.

“Nunca estava satisfeito com o que escrevia. Quando tinha 22 ou 23 anos, decidi que não poderia mais escrever ficção. Então me dediquei apenas à poesia”.

Parte dos poemas foram escritos no período em que viveu na França, entre 71 e 74. Na segunda metade daquela década, algumas de suas coletâneas foram publicadas em revistas de poesia, mas sem transformá-lo em um nome conhecido.

Há em seus poemas elementos que, mais tarde, ele desenvolveria em sua obra ficcional, como o existencialismo.

O último poema ele escreveu em 1979. “Descobri que estava me repetindo, a poesia me abandonou”, conta. “Talvez algum dia eu ressuscite e escreva [poesia] novamente”.

Sobre os diferentes gêneros em que transitou, ele faz uma comparação: “Poesia é como tirar fotografia, enquanto escrever ficção é como dirigir um filme, com imagens e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo”.

Auster não tem dúvida de que “Espaços em Branco” foi um trabalho seminal para sua transição entre poesia e prosa.

Inspirado em um espetáculo de dança, ele tentou traduzir a experiência da performance coreográfica. O autor trabalhou no texto por duas semanas. O ponto final foi dado na madrugada do dia 15 de janeiro de 1979, mesma noite em que perdeu o pai.

“Foi algo cruel e estranho, que ainda me machuca. Justo no momento em que voltei à vida, meu pai morre. Foi terrível”, recordou Auster.

Após a morte do pai, o escritor começou a trabalhar no que seria seu primeiro romance, “A Invenção da Solidão”, em que mescla recordações pessoais, tendo como base a figura paterna, com imagens literárias e artísticas.

A seguir, trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, em Nova York, na última quinta.

*

Folha – Seus primeiros anos como poeta o influenciaram depois sua prosa?
Paul Auster – Na minha adolescência e quando eu tinha 20 e poucos anos, eu estava fazendo os dois, ficção e poesia. Eu comecei duas ou três novelas antes de fazer 20 anos, eram centenas de páginas. Mas eu nunca estava satisfeito com o resultado. Depois, fragmentos desses livros tornaram parte da novela “Cidade de Vidro” [uma das três histórias narradas no livro “A Trilogia de Nova York”]. Eu comecei a trabalhar em esse projeto cedo, mas eu ainda não estava pronto como escritor.

Em um acerto ponto, quando eu tinha 22 ou 23 anos, eu disse, “não escrevo mais ficção, não posso fazer isso”. Eu apenas podia escrever poesia, e foi o que fiz durante todo os anos 70. Eventualmente eu escrevia ensaios, mas não ficção.

Então, veio um momento de crise, quando eu não estava conseguindo escrever nada. Isso durou um ano. Quando eu recomecei de novo, era prosa. Eu comecei 10 anos depois a escrever ficção, como eu fazia no início. Naquele momento, eu tinha muito mais material e enfoque para fazer o que queria.

Durante um momento de sua vida o sr. queria ser poeta. Por que não conseguiu mais escrever poesia?
Eu descobri que estava me repetindo. E talvez a maneira que eu abordava a poesia era muito limitada. Estava muito limitado com o vocabulário e as referências.

Não foi apenas eu que decidi parar, mas também porque a poesia me abandonou. A única coisa que tinha a fazer era voltar à minha prosa.

Esse livro reúne dez anos de trabalho, e suponho que aí está a fundação de tudo o que fiz depois.

Você viveu na França durante um período de sua vida de poeta. Qual a influência daqueles anos em sua poesia?
Eu realmente não sei. Eu traduzi poetas franceses, trabalho que eu realmente gostava de fazer. Não penso que a França influenciou muito em meu trabalho. Por muitas razões, minhas influências vieram de outros lugares. Primeiro de todos, EUA, mas também Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Itália, mas não muitos franceses.

Eu amo a França e meu francês é bom. Eu me mudei para lá no início de 1971, fiquei três anos e meio. Quando eu decidi ir para a França, eu queria mais era estar fora dos EUA. Decidi ir porque gostava do país e falava a língua.

Lembre-se, eram tempos da guerra do Vietnã, uma época de muito tumulto nos EUA. Senti que precisava estar fora por um tempo, para respirar outros ares e poder me tornar escritor.

“Espaços em Branco” é um texto experimental, escrito num momento em que o sr. não se dedicava mais aos poemas. Qual a importância desse trabalho para sua transição entre poesia e prosa?
Foi o primeiro trabalho de prosa que escrevi depois de passar um ano incapacitado, sem conseguir escrever nada. E claro, foi a primeira coisa que escrevi depois de parar com a poesia.

À época eu fui a um ensaio de dança em Nova York e aquilo me marcou muito, eu tentei repassar aquela experiência para o papel. Eu escrevi “Espaços em Branco” em duas semanas.

E o sr. concluiu o texto na noite que o seu pai morreu…
Exatamente. Eu terminei o texto na noite em que meu pai morreu. Foi algo muito cruel e estranho, que ainda me machuca. Justo no momento em que voltei à vida, meu pai morre. Foi uma coisa estranha, muito terrível. E depois de sua morte, eu comecei a trabalhar no que se transformou no meu primeiro livro [“A Invenção da Solidão”].

Qual é a diferença entre escrever poesia e prosa?
Fazer poesia é como tirar fotografias com uma câmera, enquanto escrever novelas é como dirigir um filme, há muito mais imagens e coisas acontecendo ao mesmo tempo. Uma fotografia pode ser mais colorida que uma imagem de um filme, por exemplo, mas é diferente. A intensidade é diferente e também a maneira de desenvolver as histórias.

Que tipo de sentimento o sr. tem quando revê sua obra poética?
É um trabalho de um jovem muito apaixonado, que estava vivendo inteiramente em um mundo que ele criou para si. Essa poesia explora a subjetividade, os limites da linguagem, o que significa ser humano… Foi um momento intensamente importante em minha vida. Eu realmente acredito que foi a fundação de tudo que fiz nos 30 anos seguintes.

O sr. escreveu seu último poema em 1979. Você morreu como poeta?
Eu não sei, talvez algum dia eu ressuscite e escreva poesia novamente. Não sei o que vai acontecer no futuro. Mas há um longo tempo eu estou morto como poeta, com exceção de algumas coisas em aniversários ou festas de família, por exemplo, quando eventualmente posso escrever algum poema, mas nada sério.

Eu fiz algumas letras de música…

O sr. compôs para sua filha, Sophie Auster, que é cantora. Essas composições não podem ser consideradas uma nova incursão à poesia?
Eu fiz algumas, para ela, uma grande cantora, e para uma banda do Brooklyn chamada One Ring Zero. Uma delas era uma canção contra George W. Bush. E fiz uma música para um filme que dirigi.

Letras para canções são diferentes de poesia, mas é claro que você usa formas poéticas. Você precisa ser mais simples do que em um poema.

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Nova edição de “O arco e a lira”, de Octavio Paz

Artigo de Marco Rodrigo Almeida publicado no site da Folha de S. Paulo:

Por si só a reedição do livro “O Arco e a Lira” já é uma das boas notícias do ano no mercado editorial, mas o livro de Octavio Paz (1914-1998) também sela o início de uma parceria entre Brasil e México.

Há anos fora de catálogo no Brasil, o livro publicado originalmente em 1956 é um dos principais trabalhos do poeta e ensaísta mexicano, vencedor do Nobel de Literatura.
O escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984) escreveu que trata-se de “o melhor ensaio sobre poética já escrito na América”.

O célebre ensaio de Paz é o primeiro fruto entre a editora brasileira Cosac Naify e a mexicana Fondo de Cultura Económica.

O lançamento do livro acontece nesta quarta (dia 12) e terá debate entre Celso Lafer, membro da Academia Brasileira de Letras, Danubio Torres Fierro, diretor da Fondo de Cultura Económica no Brasil, e Laura Greenhalgh, editora executiva do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Principal grupo editorial do México, a Fondo foi criada pelo governo do país em 1934. Tem cerca de 5.000 títulos de livros em seu catálogo, muitos voltados para a área acadêmica, e filiais na Espanha, nos EUA e na Argentina, entre outros países.

A editora aportou no Brasil no início dos anos 1990, com a Livraria Azteca. Agora pretende ampliar sua participação no mercado editorial brasileiro.

“Nós e a Cosac pretendemos firmar uma parceria cultural de longa duração. Queremos promover um casamento entre a literatura espanhola e a brasileira”, comenta Fierro.

Há dois anos o editor uruguaio mudou-se para São Paulo para estreitar os laços. Ele avalia que o mercado editorial brasileiro passa por um bom momento e deve se expandir nos próximos anos.

A relação da Fondo com o Brasil é antiga. Eles já traduziram para o espanhol “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis), “Canaã” (Graça Aranha), “Angústia” (Graciliano Ramos) e “Os Sertões” (Euclydes da Cunha).

O acordo com a Cosac prevê para 2013 outro livro de Paz, “Os Filhos do Lodo”, espécie de continuação de “O Arco e a Lira”. Já a Fondo vai traduzir para o espanhol “O Sonho de Vitório”, da Veridiana Scarpelli. Os próximos títulos ainda não foram definidos, mas “O Labirinto da Solidão”, outro famoso trabalho de Paz, deve ser um deles.

PARTICULAR E UNIVERSAL

Fierro conheceu Paz nos anos 1970, quando foi secretário de Redação de duas revistas fundadas pelo mexicano: “Plural” e “Vuelta”.

“Ele tinha uma vitalidade incrível, uma inteligência que assombrava a cada instante”, recorda.

Um reflexo disso está espalhado pelas 352 páginas de “O Arco e a Lira”. A densa reflexão serve de brecha para Paz abordar um tema que lhe era caro: o lugar da poesia hispano-americana na tradição poética do Ocidente.

Para Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores, o livro é a prova da grandeza de Paz como poeta e ensaísta.

“Ele faz uma análise do significado da poesia em diversas sociedades. O livro é de abrangência impressionante”, diz.
Lafer foi aluno de Paz em um curso de poesia moderna na Universidade Cornell (EUA), em 1966.

“Foi uma convivência ótima. Tinha uma mente muito aberta, era muito reflexivo.”

O ARCO E A LIRA
AUTOR Octavio Paz
EDITORA Cosac Naify
TRADUÇÃO Ari Roitman, Paulina Wacht
QUANTO R$ 69 (352 págs.)
LANÇAMENTO dia 12, às 19h, no Instituto Cervantes (av. Paulista, 2.439; tel. 0/xx/11/3897-9609)

 

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“Conversa de arquiteto”, de Oscar Niemeyer

Texto de Oscar Niemeyer publicado na seção Tendências/debates da Folha de S. Paulo, em 16 de julho de 2006:

Um dia, Darcy Ribeiro me contou uma história engraçada. Tinha organizado uma mesa-redonda para debater os problemas dos índios brasileiros. Entre os convidados, havia um índio seu conhecido, e, durante uma hora, as questões foram discutidas sem que ele dissesse uma única palavra.

Surpreso, Darcy o interrogou: “Você não que falar?”. “Não”, foi a resposta. O nosso antropólogo insistiu: “Por quê?”. “Estou com preguiça”, respondeu o rapaz.

Todos riram, e eu fiquei a matutar: será que o índio não acreditava mais em certo tipo de promessa, naquelas boas intenções a que os nossos irmãos mais pobres já estão tão habituados?

Confesso que, tal qual o índio, tenho preguiça de participar de congressos, simpósios que surgem sobre arquitetura, de escutar as opiniões mais ridículas, os pontos de vista já superados, que, neles, impacientes, somos obrigados a ouvir.

Certa vez, Alvar Aalto, cansado de tais conversas, declarou que não existe arquitetura antiga e moderna. O que existe, no seu modo de ver, é boa e má arquitetura.

É evidente que Alvar Aalto tinha razão. Mas como eram limitadas, nos velhos tempos, as possibilidades de se caminhar na arquitetura!

*

É sempre bom exemplificar. Lembrar como era penoso para Michelangelo limitar o diâmetro de suas cúpulas a 30 ou 40 metros. É lógico que ele teria gostado de poder fazê-las com 80 metros de diâmetro, como tive a oportunidade de realizar agora no museu de Brasília.

E recordo outro exemplo de como os arquitetos daqueles tempos ficavam a sonhar soluções arquitetônicas que só agora é possível concretizar. Lembro Calendario, o arquiteto que projetou o Palácio dos Doges, em Veneza, desejoso de nele criar um espaço mais amplo e obrigado a recorrer a uma enorme treliça de madeira. Problema esse que, hoje, uma simples laje de concreto resolveria.

Não acredito numa arquitetura ideal, por todos adotada. Seria a repetição, a monotonia. Cada arquiteto deveria ter a sua arquitetura, não criticar os colegas, fazer o que lhe agrada, e não aquilo que outros gostariam que ele fizesse. E, ainda, ter a coragem de procurar a solução diferente, mesmo quando sentisse que era radical demais para ser aceita.

Reconheço, sem falsa modéstia, que não me faltou coragem para desenhar as cúpulas do Congresso Nacional, que espantaram até Le Corbusier, a nos afirmar: “Aqui há invenção”. E, pelos mesmos motivos, agrada-me lembrar a praça do Havre, que projetei na França, eu a dizer ao seu prefeito diante do terreno escolhido: “Gostaria de rebaixar o piso desta praça quatro metros”. Recordo que ele me olhou surpreso, mas eu falava com tanta convicção que a praça foi rebaixada como pedi.

É claro que eu tinha razão. Minha ideia era protegê-la dos ventos e do frio que vinham do mar.

Hoje, das calçadas que a contornam, o povo, de cima, a vê e, espantado, desce pelas rampas para apreciá-la melhor. Eu, pelo menos, não conheço nenhuma praça como aquela, agora tombada e escolhida um dia pelo crítico italiano Bruno Zevi como uma das dez melhores obras da arquitetura contemporânea.

Confesso que vacilei em falar desse trabalho meu com tanto entusiasmo. É um exemplo de determinação profissional que cabia aqui mencionar.

Se examinarmos a questão da intervenção da técnica na arquitetura, basta lembrarmos o seguinte: antigamente, as paredes é que sustentavam os prédios; com o aparecimento da estrutura independente, elas passaram a simples material de vedação.

*

E surgiram a leveza arquitetural, as fachadas livres e os grandes panos de vidro que caracterizam a arquitetura atual. E, quando, por razões urbanísticas –para encurtar distâncias–, os prédios começaram a ganhar altura, foi a descoberta do elevador que tudo tornou possível.

E apareceram os grandes arranha-céus, uma solução que espalha o caos por toda parte se não forem observados os afastamentos horizontais indispensáveis, como tão bem ocorreu na Défense, em Paris.

Não foi apenas o progresso da técnica construtiva que marcou a evolução da arquitetura mas também as transformações das ciências e da sociedade.

Na Universidade de Constantine, na Argélia, por exemplo, projetamos somente dois grandes edifícios: um de classes, e o outro, de ciências. O objetivo era atender a Darcy Ribeiro, evitar a construção de prédios separados (um para cada faculdade). Desses dois edifícios todos os alunos se serviriam, criando a troca de experiências que o meu amigo considerava indispensável.

E foi assim, atendendo ao progresso da técnica e da própria evolução social, que foi possível chegar a esta etapa do concreto armado, que abriu aos arquitetos um campo novo de possibilidades.

Sempre digo que podemos voltar ao passado por simples curiosidade, lembrar a primeira verga, o primeiro arco, as grandes catedrais, mas o vocabulário plástico do concreto armado é tão rico que com ele devemos trabalhar.

*

Infelizmente, a simplicidade com que se busca explicar a evolução da arquitetura não impede que, por ignorância ou falta de sensibilidade, os problemas continuem a ser discutidos da maneira mais medíocre. Uns a insistir na importância da ligação com o passado, outros a defender uma arquitetura mais simples, indiferentes à técnica do concreto armado que nos permite todas as fantasias.

É claro que ele abre aos arquitetos os caminhos mais diferentes, e o que adotamos é, em princípio, reduzir os apoios, tornando a arquitetura mais audaciosa e variada.

E, como a procura da surpresa arquitetural nos ocupa e a curva nos atrai, é nas próprias estruturas que intervimos.

Esse é o momento em que o arquiteto define a sua arquitetura –uns, como nós, voltados para a curva livre e inesperada, outros, com igual empenho, para a linha reta por eles preferida. Às vezes me perguntam qual é a razão da predominância da curva em minha arquitetura. E recordo logo André Malraux a dizer: “Guardo dentro de mim um museu de tudo que vi e amei na vida”. E, como ele, é desse museu imaginário que muita coisa me ocorre com certeza, ao elaborar os meus projetos.

Na realidade, aprecio as coisas mais diferentes. Gosto de Le Corbusier como gosto de Mies van der Rohe. De Picasso como de Matisse. De Machado de Assis como de Eça de Queiroz.

Somente no campo da política sou radical, intransigente com o império assassino de Bush ou com os que, em nosso país, tentam combater o governo de Lula, que, diante dos problemas da América Latina, tão importantes para nós, tem sabido se manifestar.

Nestes momentos de pausa e reflexão é que me permito dizer que a vida é mais importante do que a arquitetura. Que, um dia, o mundo será mais justo e a vida a levará a uma etapa superior, não mais limitada aos governos e às classes dominantes, atendendo a todos, sem discriminação.

Releio este artigo e lembro Le Corbusier a escrever o poema sobre o ângulo reto, e eu a falar da curva que tanto me fascina:

“Não é o ângulo reto que me atrai Nem a linha reta, dura, inflexível, Criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual, A curva que encontro nas montanhas do meu país, No curso sinuoso dos seus rios, Nas ondas do mar, No corpo da mulher preferida.

De curvas é feito todo o universo, O universo curvo de Einstein.”

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Os vencedores do Prêmio Jabuti

Publicado no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo:

A Câmara Brasileira do Livro divulgou na noite de quinta (18) os vencedores das 29 categorias do Prêmio Jabuti.

“Nihonjin” (ed. Saraiva), de Oscar Nakasato, recebeu o Prêmio Jabuti de melhor romance após uma votação que causou controvérsia.

A vitória de Nakasato, romancista de primeira viagem, foi favorecida pelos votos de um dos jurados da categoria, identificado como “C”.

Último a votar, de um total de três, ele favoreceu autores estreantes ou em início de carreira em detrimento de nomes consagrados e desequilibrou o resultado.

O segundo lugar da categoria foi para “Naqueles Morros, Depois da Chuva” (ed. Hedra), de Edival Lourenço. “O Estranho no Corredor” (Editora 34), de Chico Lopes, ficou em terceiro.

Ana Maria Machado, que concorria pelo livro “Infâmia” (editora Objetiva), recebeu duas notas zero e uma nota meio de “C”. Se apenas a pontuação dos dois outros jurados fosse considerada, ela teria vencido.

Wilson Bueno e Domingos Pellegrini receberam notas um de “C”.

“Não fiquei satisfeito com o resultado, preferia que as notas fossem mais equilibradas. Mas os jurados têm total liberdade, votam como querem. O resultado é inquestionável, não será anulado”, diz José Luiz Goldfarb, curador do prêmio.

A identidade dos jurados será divulgada em 28/11, quando os prêmios serão entregues aos vencedores.

Goldfarb comentou que vai propor mudanças na próxima edição do prêmio, como a inclusão de mais um jurado, para evitar que a “matemática” tenha peso demais no resultado final.

“Benjamin: Poemas com Desenhos e Músicas” (ed. Melhoramentos), de Biagio D’Angelo, eleito melhor livro infantil, inicialmente tinha ficado de fora da lista de finalistas da categoria, divulgada 18 de outubro, por erro de contagem.

Um dos jurados, que acompanhou aquela primeira apuração, questionou a votação e o livro apareceu na lista uma semana depois.

Confira os vencedores abaixo:

*

CAPA

1º Lugar
“A Anatomia de John Gray”
Capista: Leonardo Iaccarino
Editora Record

2º Lugar
“Ratos”
Capista: Marcelo Martinez (Laboratório Secreto)
Editora Intrínseca

3º Lugar
“Dresden”
Capista: Elmo Rosa
Editora Record

ILUSTRAÇÃO

1º Lugar
“Bananas Podres”
Ilustrador: Ferreira Gullar
Editora Casa da Palavra

2º Lugar
“Água Sim”
Ilustrador: Andrés Sandoval
Companhia das Letrinhas

3º Lugar
“O Ovo ou a Galinha?”
Ilustrador: Gustavo Rosa
Editora Rideel

ILUSTRAÇÃO DE LIVRO INFANTIL E JUVENIL

1º Lugar
“Mil e uma Estrelas”
Ilustrador: Marilda Castanha
Editora SM

2º Lugar
“A Visita”
Ilustrador: Lúcia Hiratsuka
Editora DCL

3º Lugar
“Carmela Vai à Escola”
Ilustrador: Elisabeth Teixeira
Editora Record

ARQUITETURA E URBANISMO

1º Lugar
“A Arquitetura de Croce, Aflalo e Gasperini”
Autor: Fernando Serapião
Editora Paralexe

2º Lugar
“Warchavchik Fraturas da Vanguarda”
Autor: José Lira
Cosac & Naify

3º Lugar
“Galo Cantou: A Conquista da Propriedade pelos Moradores do Cantagalo”
Autor: Paulo Rabello de Castro
Editora Record

ARTES

1º Lugar
“Samico”
Autor: Weydson Barros Leal
Editora Bem-te-vi

2º Lugar
“Brecheret e a Escola de Paris”
Autor: Daisy Peccinini
FM Editorial

3º Lugar
“F.O. Fayga Ostrower Ilustradora”
Autor: Eucanaã Ferraz
Instituto Moreira Salles

BIOGRAFIA

1º Lugar
“Fernando Pessoa: Uma Quase Autobiografia”
Autor: José Paulo Cavalcanti Filho
Editora Record

2º Lugar
“Cláudio Manoel da Costa”
Autor: Laura de Mello e Souza
Companhia das Letras

3º Lugar
“Antonio Vieira”
Autor: Ronaldo Vainfas
Companhia das Letras

CIÊNCIAS EXATAS

1º Lugar
“Eletrodinâmica de Ampere”
Autor: André Koch Torres Assis e João Paulo Martins De Castro Chaib
Editora UNICAMP

2º Lugar
“Química Medicinal: Métodos e Fundamentos em Planejamento de Fármacos”
Autor: Carlos A. Montanare (Org.)
Edusp

3º Lugar
“Substâncias Orgânicas: Estrutura e Propriedades”
Autor: Nídia Franca Roque
Edusp

CIÊNCIAS HUMANAS

1º Lugar
“A Política da Escravidão no Império do Brasil: 1826 – 1865”
Autor: Tâmis Parron
Editora Civilização Brasileira

2º Lugar
“Ritmo Espontâneo: Organicismo em Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Hollanda”
Autor: João Kennedy Eugênio
Editora da Universidade Federal do Piauí

3º Lugar
“Oniska: Poética do Xamanismo”
Autor: Pedro de Niemeyer Cesarino
Editora Perspectiva

CIÊNCIAS NATURAIS

1º Lugar
“Fundamentos da Paleoparasitologia”
Autor: Luiz Fernando Ferreira Karl Jan Reinhard e Adauto Araújo (Orgs.)
Editora Fiocruz

2º Lugar
“Energia Eólica – Série Sustentabilidade”
Autor: Eliane A. Faria Amaral Fadigas
Editora Manole

3º Lugar
“Gestão de Saneamento Básico – Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário – Coleção Ambiental”
Autor: Arlindo Philippi Jr. e Alceu de Castro Galvão
Editora Manole

CIÊNCIAS DA SAÚDE

1º Lugar
“Clínica Psiquiátrica – A visão do Depto. e do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP”
Autor: Eurípedes Constantino Miguel, Valentin Gentil e Wagner Farid Gattaz
Editora Manole

2º Lugar
“Coluna Vertebral – Série Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem”
Autor: João Luiz Fernandes e Francisco Maciel Júnior
Editora Elsevier

3º Lugar
“Tratado de Gastroenterologia”
Autor: Federação Brasileira de Gastroenterologia – Editores: Schlioma Zaterka e Jaime Natam Eisig
Editora Atheneu

COMUNICAÇÃO

1º Lugar
“O Império dos Livros: Instituições e Práticas de Leitura na São Paulo Oitocentista”
Autor: Marisa Nidori Deaecto
Edusp

2º Lugar
“Repressão e Resistência: Censura a Livros na Ditadura Militar”
Autor: Sandra Reimão
Edusp

3º Lugar
“Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil”
Autor: Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra
Cosac & Naify

CONTOS E CRÔNICAS

1º Lugar
“O Destino das Metáforas”
Autor: Sidney Rocha
Editora Iluminuras

2º Lugar
“O Anão e a Ninfeta”
Autor: Dalton Trevisan
Editora Record

3º Lugar
“O Livro de Praga”
Autor: Sérgio Sant’Anna
Companhia das Letras

DIDÁDITO E PARADIDÁTICO

1º Lugar
“Mundo Leitor – Linhas da Vida: Caderno do Orientador”
Autor: Áureo Gomes Monteiro Júnior, Celia Cunico, Marcia Porto e Rogério Coelho
Ahom Educação

2º Lugar
“Bullying e Cyberbullying – O que Fazemos com o que Fazem Conosco?”
Autor: Maria Tereza Maldonado
Editora Moderna

3º Lugar
“Atlas Histórico – Geral & Brasil”
Autor: Claudio Vicentino
Editora Ática

DIREITO

1º Lugar
“Direitos da Criança e do Adolescente em Face da TV”
Autor: Antonio Jorge Pereira Júnior
Editora Saraiva

2º Lugar
“O Estado e o Direito Depois da Crise – Série Direito em Debate – DDJ”
Autor: José Eduardo Faria
Editora Saraiva

3º Lugar
“Direito Internacional Penal – Imunidades e Anistias”
Autor: Cláudia Perrone-Moisés
Editora Manole

ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS

1º Lugar
“Aprendizagem Organizacional no Brasil”
Autor: Claudia Simone Antonello e Arilda Schmidt Godoy
Editora Artmed

2º Lugar
“A Gestão da Amazônia: Ações Empresariais, Políticas Públicas, Estudos e Propostas”
Autor: Jacques Marcovitch
Edusp

3º Lugar
“Empresas Proativas: como Antecipar Mudanças no Mercado”
Autor: Leonardo Araújo e Rogério Gava
Editora Elsevier

EDUCAÇÃO

1º Lugar
“Alfabetização no Brasil: Uma História de sua História”
Autor: Maria do Rosário Lombo Mortatti (org.)
Editora Cultura Acadêmica – Oficina Universitária

2º Lugar
“Avaliação da Aprendizagem – Componente do Ato Pedagógico”
Autor: Cipriano Carlos Luckesi
Cortez Editora

3º Lugar
“Educação infantil: Enfoques em Diálogo”
Autor: Eloisa A. C. Rocha e Sonia Kramer (orgs.)
Editora Papirus

FOTOGRAFIA

1º Lugar
“Os Chicos – Fotografia”
Autor: Leo Drumond
Nitro Editorial

2º Lugar
“A Riqueza de Um Vale”
Autor: Ricardo Martins
Editora Kongo / FM Editorial

3º Lugar
“Amazônia”
Autor: Araquém Alcântara e Alex Atala
Editora Terra Brasil

GASTRONOMIA

1º Lugar
“Ambiências: Histórias e Receitas do Brasil”
Autor: Mara Salles
Editora DBA

2º Lugar
“Histórias, Lendas e Curiosidades da Gastronomia”
Autor: Roberta Malta Saldanha
Editora Senac Rio

3º Lugar
“Dicionário do Vinho”
Autor: Maurício Tagliari e Rogério de Campos
COMPANHIA EDITORIAL NACIONAL

INFANTIL
1º Lugar
“Benjamin: Poemas com Desenhos e Músicas”
Autor: Biágio D’Ángelo
Editora Melhoramentos

2º Lugar
“O Herói Imóvel”
Autor: Rosa Amanda Strausz
Editora Rovelle

3º Lugar
“Votupira o Vento Doido da Esquina”
Autor: Fabrício Carpinejar
Editora SM

JUVENIL

1º Lugar
“A Mocinha do Mercado Central”
Autor: Stella Maris Rezende
Editora Globo

2º Lugar
“A Guardiã dos Segredos de Família”
Autor: Stella Maris Rezende
Editora SM

3º Lugar
“As Memórias de Eugênia”
Autor: Marcos Bagno
Editora Positivo

POESIA

1º Lugar
“Alumbramentos”
Autor: Maria Lúcia Dal Farra
Editora Iluminuras

2º Lugar
“Vesuvio”
Autor: Zulmira Ribeiro Tavares
Companhia das Letras

3º Lugar
“Roça Barroca”
Autor: Josely Vianna Baptista
Cosac & Naify

PSICOLOGIA E PSICANÁLISE

1º Lugar
“Estrutura e Constituição da Psicanálise: Uma Arqueologia das Práticas de Cura, Psicoterapia e Tratamento”
Autor: Christian Ingo Lenz Dunker
Annablume Editora

2º Lugar
“O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental”
Autor: Marcos Montarroyos Callegaro
Editora Artmed

3º Lugar
“Psicologia Social: Principais Temas Vertentes”
Autor: Cláudio Vaz Torres e Elaine Rabelo Neiva
Editora Artmed

REPORTAGEM

1º Lugar
“Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo por sua Moeda”
Autor: Miriam Leitão
Editora Record

2º Lugar
“O Cofre do Dr. Rui”
Autor: Tom Cardoso
Editora Civilização Brasileira

3º Lugar
“O Espetáculo Mais Triste da Terra”
Autor: Mauro Ventura
Companhia das Letras

ROMANCE

1º Lugar
“Nihonjin”
Autor: Oscar Nakasato
Editora Saraiva

2º Lugar
“Naqueles Morros, Depois da Chuva”
Autor: Edival Lourenço
Editora Hedra

3º Lugar
“O Estranho no Corredor”
Autor: Chico Lopes
Editora 34

TECNOLOGIA E INFORMÁTICA

1º Lugar
“Inteligência Artificial: Uma Abordagem de Aprendizado de Máquina”
Autor: Kati Faceli, Ana Carolina, João Gama, Andre Carlos Ponce
Grupo Gen

2º Lugar
“Tecnologia do Pescado – Ciência, Tecnologia, Inovação e Legislação”
Autor: Alex Augusto Gonçalves
Editora Atheneu

3º Lugar
“Sistemas Colaborativos”
Autor: Mariano Pimentel e Hugo Fuks (Orgs.)
Editora Elsevier

TEORIA/CRÍTICA LITERÁRIA

1º Lugar
“A Espanha de João Cabral e Murilo Mendes”
Autor: Ricardo Souza de Carvalho
Editora 34

2º Lugar
“Da Estepe à Caatinga: O Romance Russo no Brasil (1887-1936)”
Autor: Bruno Barretto Gomide
Edusp

3º Lugar
“Crítica Textualis in Caelum Revocata? Uma Proposta de Edição e Estudo da Tradição de Gregório de Matos e Guerra”
Autor: Marello Moreira
Edusp

TURISMO E HOTELARIA

1º Lugar
“História do Turismo no Brasil entre os séculos XVI e XX”
Autor: Paulo de Assunção
Editora Manole

2º Lugar
“Destinos de Sonho – 101 Viagens Inesquecíveis”
Autor: Elaine Ianicelli, Gabriela Aguerre, Rosana Zakabi, Adriana Setti, Cristina Capuano e Maila Blöss
Editora Abril

3º Lugar
“Lisboa em Pessoa – Guia Turístico e Literário da Capital Portuguesa”
Autor: João Correia Filho
Editora Leya

PROJETO GRÁFICO

1º Lugar
“Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil”
Autor: Chico Homem de Melo e Elaine Ramos Coimbra
Cosac & Naify

2º Lugar
“40 Microcontos Experimentais”
Autor: Airton Cattani
Editora Marca Visual

3º Lugar
“Aventuras de Alice no Subterrâneo”
Autor: Adriana Peliano
Editora Scipione

TRADUÇÃO

1º Lugar
“Odisseia”
Tradutor: Trajano Vieira
Editora 34

2º Lugar
“Guerra e Paz”
Tradutor: Rubens Figueiredo
Cosac & Naify

3º Lugar
“Madame Bovary”
Tradutor: Mario Laranjeira
Companhia das Letras

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