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“O lirismo do artista quando jovem”

Entrevista de Antonio Gonçalves Filho com Paul Auster publicada no Estadão:

A poesia do escritor norte-americano Paul Auster é pouco ou nada conhecida entre seus leitores brasileiros. Traduzida por Caetano W. Galindo, ela foi reunida em Todos os Poemas, que chegou às livrarias ontem. O livro, organizado de forma cronológica, cobre o período entre 1970 e 1979 – época em que o romancista integrava um grupo de estudos sobre poesia contemporânea francesa. Acompanhado de uma esclarecedora introdução do cientista político Norman Finkelstein, Todos os Poemas é, a exemplo de muitos dos livros de Auster, autobiográfico por natureza, evocando desde a infância do escritor em New Jersey até sua juventude em Paris, quando, aos 25 anos, ao acompanhar a eleição presidencial na embaixada americana, testemunhou a vitória de Nixon, em 1972, e escreveu um dos seus mais raivosos poemas.

Sobre o livro e as razões de ter trocado a poesia pela prosa, em 1982, Auster, de 66 anos, falou, por telefone, de Nova York, com o Sabático, comentando ainda o volume Here and Now, que reúne sua correspondência com o Nobel sul-africano J.M. Coetzee (o livro chega ao mercado americano na quinta) e outro título seu, Report From the Interior, (que sai no dia 19 de novembro nos EUA).

Sua produção literária vai da poesia à prosa, passando por uma experiência como dramaturgo, da qual você não gosta muito de lembrar (ele é autor da peça em um ato, Hide and Seek, de 1976, duelo verbal entre um homem e uma mulher). O que o fez largar a poesia e se decidir pela prosa?

Essa é uma questão complicada. Quando jovem, escrevia centenas de páginas de prosa, mas nunca ficava satisfeito. Minha ambição era escrever romances, não poesia, projetos ambiciosos, complexos, muito além da minha capacidade. Ficava frustrado com essa minha inabilidade e, aos 22 anos, resolvi me concentrar na poesia, a tal ponto que ela virou obsessão. Veio um momento difícil e, repentinamente, parei de escrever. Quando retomei, já estava escrevendo prosa. Foi uma evolução lenta, natural.

Então, você não escreveu mais poesia?

Não. Tudo o que escrevi no gênero está no livro. Às vezes faço um ou outro poema para homenagear amigos aniversariantes, mas só isso.

Como um admirador da filosofia de Wittgenstein, sua poesia explora os limites da linguagem com curtos, mas densos, poemas, num crescendo que chega a Espaços em Branco (como White Spaces é traduzido no livro), concluído em 1979, quando seu pai morreu. Você se via como um poeta experimental, na época?

Não sei. O lado experimental nunca me disse muito. Tentei, sim, explorar os limites da linguagem, mas não como meta puramente formal. Meus poemas não falam de aviões ou de televisão, ou seja, não estão inseridos no mundo moderno. Eles têm mais a ver com a poesia feita no passado: Emily Dickinson, por exemplo. Tentei cavar e cavei fundo para chegar lá, mas concluí que destruía mais do que conservava. White Spaces representou uma nova possibilidade. Foi o primeiro texto de minha nova vida, a de prosador, que começa com a morte de meu pai (choque que o deixou com a sensação de um relacionamento inacabado, sentimento explorado mais tarde no autobiográfico ‘A Invenção da Solidão’).

Sua estreia em prosa, A Invenção da Solidão, publicado em 1982, fala justamente da morte de seu pai, mas, curiosamente, há um poema em Todos os Poemas, Desaparecimentos (Disappearences, 1975), que soa premonitório, ao tratar da ausência de alguém que respira pela última vez, metaforizando pedras que se juntam para erguer um muro, como se fosse uma sepultura. Você vê ligação entre Desaparecimentos e White Spaces?

Não propriamente. Desaparecimentos era uma maneira de falar do sentimento de solidão do indivíduo no meio urbano, sobre a comunicação numa língua de pedra que abre caminho para outras pedras, erguendo um muro que, no fim, é um amontoado de pedras monstruosas. A primeira parte de A Invenção da Solidão foi escrita após a morte de meu pai, sob forte impacto emocional. Ele morreu subitamente. Era uma pessoa saudável e isso me deixou com várias perguntas sem respostas. Quando comecei a escrever, me dei conta do quanto era difícil falar de uma pessoa ausente e, especialmente, questionei se seria possível traduzir esse sentimento. Durante três anos, de 2008 em diante, troquei cartas com Coetzee (o escritor sul-africano ganhador do Nobel de 2003), que foram reunidas num livro, Here and Now (Aqui e Agora), a ser lançado dia 7 nos EUA. Ao comentar esse sentimento com Coetzee, ele me disse: “Às vezes também me sinto como alguém que deixa a mala no meio do caminho e continua a andar, pois não há a mínima possibilidade de volta a partir desse ponto”.

Voltando à poesia, poderia lembrar outros nomes que lhe parecem caros, como Hölderlin, Leopardi e, claro, Paul Célan, mas aí entramos em território europeu. Poetas norte-americanos contemporâneos, como W. S. Merwin ou William Carlos Williams, não eram referências para você no começo de sua carreira como poeta?

Gosto demais dos poetas que você mencionou e, claro, tanto Merwin como Williams foram importantes para mim, assim como Höelderlin, Leopardi ou Célan, mas gostaria ainda de citar um poeta de quem hoje pouco se fala, George Oppen (que trocou a poesia pelo ativismo político durante os anos da Depressão americana, ganhou o Pulitzer em 1969 e morreu com o mal de Alzheimer, em 1984). Oppen não é um dos “deuses” da poesia contemporânea, mesmo nos EUA, mas é um dos melhores poetas americanos – para mim o melhor -, cuja linguagem teve um efeito extraordinário quando comecei a escrever. No meu livro Invisível, não sei se você lembra, o estudante de letras Adam Walker escreve sobre ele na mesa de um café parisiense.

Ezra Pound sugeriu que, antes de escrever poesia, os poetas deveriam traduzir o máximo de livros para internalizar os “grandes”. Você traduziu um bocado de poesia nos anos 1980. Quais eram os poetas que tentava internalizar nessa época?

Estudei tradução quando era muito jovem, exatamente aos 20 anos, em 1967. Participava de um pequeno grupo de estudos de literatura contemporânea francesa e passava muito tempo traduzindo autores que depois publicaria (ele foi editor de ‘The Randon House Book of Twentieth-Century French Poetry’). Entre eles estão André du Bouchet e Jacques Dupin (o primeiro, morto em 2001 e Dupin, em outubro do ano passado). Por uma trágica coincidência, estou viajando amanhã para Paris (a entrevista foi concedida na quinta-feira) para uma homenagem póstuma a Dupin, esse poeta extraordinário, que foi meu amigo por 45 anos (Dupin, além de poeta, era sócio da histórica Galeria Maeght, em Paris, que representa Miró e Giacometti). Mas, voltando a Pound, ele estava certo ao fazer essa recomendação. Traduzir me ajudou muito a fazer poesia.

Há alguns elementos da natureza que aparecem com frequência em seus poemas, como pedras e folhas, temas recorrentes que, para alguns críticos, revelam uma certa repetição em seus poemas iniciais. Essas pedras eram metáforas ou simplesmente pedras?

Eram pedras mesmo, mas o leitor pode refletir sobre elas do modo que desejar. Para mim, elas têm uma presença real, física. Quando era criança, morava perto de uma pedreira em New Jersey e todos os dias, exatamente às três da tarde, costumava chegar perto para ver o espetáculo da explosão. Nos fins de semana, quando não havia ninguém trabalhando, caminhava com meus pés nus sobre as pedras quebradas – e essa sensação me inspiraria mais tarde a escrever poemas como Quarry (reproduzido nas páginas 278 e 279 de ‘Todos os Poemas’, ‘Pedreira’ fala do desmoronamento da terra sob os pés do poeta, comparando-o à música silenciosa produzida pelo andar sobre as pedras, sem nada ouvir além dos próprios passos).

Identidade, percepção e ausência parecem ser os três temas principais tanto de sua poesia como da prosa, mas, na poesia, o caminho aponta para a tradição moderna, enquanto sua prosa indica outra direção. A pós-modernidade dos anos 1980 teve alguma ressonância nessa sua mudança de registro?

É difícil para mim inserir meu trabalho numa categoria, pois nunca participei de movimentos literários. No entanto, é impossível desconsiderar a atração exercida pela literatura pós-moderna de Thomas Pynchon, Robert Coover ou John Barth (os três nascidos nos anos 1930, uma geração antes daquela a que pertence Auster). No entanto, nunca me senti ligado a eles. Sempre tive mais interesse em contar histórias, o que me obrigou a retomar um certo tipo de literatura do passado, especialmente contos populares. Claro, sempre estive interessado na forma e investiguei novos modos de contar histórias, que é basicamente o que faço em meus livros de prosa- e já são 16, todos eles muito diferentes entre si. Mas não, não tenho um programa ideológico nem posição definida. Penso apenas se essas histórias funcionam ou não.

Há um belo poema em seu livro, Northern Lights (‘Luzes do Norte’, página 246), em que você fala de “palavras que não sobrevivem ao mundo”. Dizê-las, para você, é sumir, o que lembra o credo teatral de Beckett. Que papel ele teve em sua vida?

Beckett é uma referência enorme. Suas questões ainda ressoam em minha literatura, como a dos limites da linguagem. Entre todos, ele é o meu herói. Mas devo ainda mencionar Martin Buber (filósofo judeu de origem austríaca, morto em 1965), cuja filosofia da inter-relação que leva ao diálogo é evocada em referência direta nos meus livros.

Como você recebeu a notícia da decisão de Philip Roth parar de escrever?

Costumamos jantar, às vezes. Gosto muito dele. Acho que Roth só precisa de uma pausa. Não creio que possa parar de escrever.

Qual o tema de seu próximo livro?

Ele é uma sequência de meu livro mais recente, Winter Journal. Chama-se Report from the Interior e sai em novembro. Winter Journal é basicamente sobre o envelhecimento e a questão do corpo. Este é sobre o espírito, o desenvolvimento moral e intelectual de um jovem.

TODOS OS POEMAS
Autor: Paul Auster

Tradução: Caetano W. Galindo
Editora: Companhia das Letras
(352 págs., R$ 49,50)

Poesias de Paul Auster (do livro Todos os Poemas)

Raios (1970)

1.
Raízes agonizam entre vermes – o crivo
Da hora convive no peito de um pardal.
Entre ramo e espira – a palavra
Apequena seu ninho, e a semente, ninada
Por lindes mais simples, não vai confessar.
Apenas o ovo gravita.

2.
Em água – minha ausência em aridez. Uma flor.
Uma flor que define o ar.
No poço mais fundo, teu corpo é estopim.

3.
A casca não basta. Engasta
Lascas redundantes e troca
Pedra por seiva, sangue por eclusa em fuga,
Enquanto a folha se fura, se malha
De ar, e tanto mais, sulcada
Ou envolta, entre lobo e cão,
Por quanto mais há de estacar
A vã vantagem do machado?

4.
Nada rega o caule, a pedra nada perde.
Falar não calçaria a lama,
Logo danças por um calar mais claro.
Cliva a luz a vaga, naufraga, camufla –
O vento discursa, é travado.
Teu nome será deserto.

5.
Picaretas pontuam a pedreira – marcas gastas
Que não alcançaram cifrar a mensagem.
A disputa açulou suas letras,
E as pedras, cingidas de abuso,
Memorizaram a derrota.

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“‘Todos os poemas’ expõe faceta pouco conhecida do escritor Paul Auster

Matéria de Lucas Ferraz para o site da Folha de S. Paulo, a 2 de março de 2013:

O ano de 1979 marcou uma virada na vida do escritor americano Paul Auster, 66. Com o primeiro casamento em crise e quebrado financeiramente, ele encerrava a década em que se dedicou à poesia em crise existencial e literária.

Sem conseguir escrever desde o ano anterior, ele se arriscava novamente na prosa com o texto experimental “Espaços em Branco”, que coincidentemente concluiu na mesma noite em que seu pai morreu.

Para Auster, foi seu renascimento como escritor e ponto de partida para tornar-se um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea dos EUA.

Toda sua produção literária até esse período, que marca os anos de formação do autor, acaba de chegar às livrarias.

“Todos os Poemas” (Companhia das Letras) expõe uma faceta pouco conhecida de Auster até mesmo por seu público nos EUA: a reunião de sua obra poética, escrita na década de 1970 – as exceções são “Espaços em Branco” e as reflexões “Anotações de um caderno de rascunhos”, de 1967, compostas quando ele tinha 20 anos.

“Foi a fundação de tudo o que fiz nos 30 anos seguintes”, disse o escritor em entrevista à Folha.

Fragmentos dos romances que tentou escrever nessa época foram usados anos depois na novela “Cidade de Vidro”, que compõe um de seus mais famosos livros, “A Trilogia de Nova York”.

“Nunca estava satisfeito com o que escrevia. Quando tinha 22 ou 23 anos, decidi que não poderia mais escrever ficção. Então me dediquei apenas à poesia”.

Parte dos poemas foram escritos no período em que viveu na França, entre 71 e 74. Na segunda metade daquela década, algumas de suas coletâneas foram publicadas em revistas de poesia, mas sem transformá-lo em um nome conhecido.

Há em seus poemas elementos que, mais tarde, ele desenvolveria em sua obra ficcional, como o existencialismo.

O último poema ele escreveu em 1979. “Descobri que estava me repetindo, a poesia me abandonou”, conta. “Talvez algum dia eu ressuscite e escreva [poesia] novamente”.

Sobre os diferentes gêneros em que transitou, ele faz uma comparação: “Poesia é como tirar fotografia, enquanto escrever ficção é como dirigir um filme, com imagens e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo”.

Auster não tem dúvida de que “Espaços em Branco” foi um trabalho seminal para sua transição entre poesia e prosa.

Inspirado em um espetáculo de dança, ele tentou traduzir a experiência da performance coreográfica. O autor trabalhou no texto por duas semanas. O ponto final foi dado na madrugada do dia 15 de janeiro de 1979, mesma noite em que perdeu o pai.

“Foi algo cruel e estranho, que ainda me machuca. Justo no momento em que voltei à vida, meu pai morre. Foi terrível”, recordou Auster.

Após a morte do pai, o escritor começou a trabalhar no que seria seu primeiro romance, “A Invenção da Solidão”, em que mescla recordações pessoais, tendo como base a figura paterna, com imagens literárias e artísticas.

A seguir, trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, em Nova York, na última quinta.

*

Folha – Seus primeiros anos como poeta o influenciaram depois sua prosa?
Paul Auster – Na minha adolescência e quando eu tinha 20 e poucos anos, eu estava fazendo os dois, ficção e poesia. Eu comecei duas ou três novelas antes de fazer 20 anos, eram centenas de páginas. Mas eu nunca estava satisfeito com o resultado. Depois, fragmentos desses livros tornaram parte da novela “Cidade de Vidro” [uma das três histórias narradas no livro “A Trilogia de Nova York”]. Eu comecei a trabalhar em esse projeto cedo, mas eu ainda não estava pronto como escritor.

Em um acerto ponto, quando eu tinha 22 ou 23 anos, eu disse, “não escrevo mais ficção, não posso fazer isso”. Eu apenas podia escrever poesia, e foi o que fiz durante todo os anos 70. Eventualmente eu escrevia ensaios, mas não ficção.

Então, veio um momento de crise, quando eu não estava conseguindo escrever nada. Isso durou um ano. Quando eu recomecei de novo, era prosa. Eu comecei 10 anos depois a escrever ficção, como eu fazia no início. Naquele momento, eu tinha muito mais material e enfoque para fazer o que queria.

Durante um momento de sua vida o sr. queria ser poeta. Por que não conseguiu mais escrever poesia?
Eu descobri que estava me repetindo. E talvez a maneira que eu abordava a poesia era muito limitada. Estava muito limitado com o vocabulário e as referências.

Não foi apenas eu que decidi parar, mas também porque a poesia me abandonou. A única coisa que tinha a fazer era voltar à minha prosa.

Esse livro reúne dez anos de trabalho, e suponho que aí está a fundação de tudo o que fiz depois.

Você viveu na França durante um período de sua vida de poeta. Qual a influência daqueles anos em sua poesia?
Eu realmente não sei. Eu traduzi poetas franceses, trabalho que eu realmente gostava de fazer. Não penso que a França influenciou muito em meu trabalho. Por muitas razões, minhas influências vieram de outros lugares. Primeiro de todos, EUA, mas também Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Itália, mas não muitos franceses.

Eu amo a França e meu francês é bom. Eu me mudei para lá no início de 1971, fiquei três anos e meio. Quando eu decidi ir para a França, eu queria mais era estar fora dos EUA. Decidi ir porque gostava do país e falava a língua.

Lembre-se, eram tempos da guerra do Vietnã, uma época de muito tumulto nos EUA. Senti que precisava estar fora por um tempo, para respirar outros ares e poder me tornar escritor.

“Espaços em Branco” é um texto experimental, escrito num momento em que o sr. não se dedicava mais aos poemas. Qual a importância desse trabalho para sua transição entre poesia e prosa?
Foi o primeiro trabalho de prosa que escrevi depois de passar um ano incapacitado, sem conseguir escrever nada. E claro, foi a primeira coisa que escrevi depois de parar com a poesia.

À época eu fui a um ensaio de dança em Nova York e aquilo me marcou muito, eu tentei repassar aquela experiência para o papel. Eu escrevi “Espaços em Branco” em duas semanas.

E o sr. concluiu o texto na noite que o seu pai morreu…
Exatamente. Eu terminei o texto na noite em que meu pai morreu. Foi algo muito cruel e estranho, que ainda me machuca. Justo no momento em que voltei à vida, meu pai morre. Foi uma coisa estranha, muito terrível. E depois de sua morte, eu comecei a trabalhar no que se transformou no meu primeiro livro [“A Invenção da Solidão”].

Qual é a diferença entre escrever poesia e prosa?
Fazer poesia é como tirar fotografias com uma câmera, enquanto escrever novelas é como dirigir um filme, há muito mais imagens e coisas acontecendo ao mesmo tempo. Uma fotografia pode ser mais colorida que uma imagem de um filme, por exemplo, mas é diferente. A intensidade é diferente e também a maneira de desenvolver as histórias.

Que tipo de sentimento o sr. tem quando revê sua obra poética?
É um trabalho de um jovem muito apaixonado, que estava vivendo inteiramente em um mundo que ele criou para si. Essa poesia explora a subjetividade, os limites da linguagem, o que significa ser humano… Foi um momento intensamente importante em minha vida. Eu realmente acredito que foi a fundação de tudo que fiz nos 30 anos seguintes.

O sr. escreveu seu último poema em 1979. Você morreu como poeta?
Eu não sei, talvez algum dia eu ressuscite e escreva poesia novamente. Não sei o que vai acontecer no futuro. Mas há um longo tempo eu estou morto como poeta, com exceção de algumas coisas em aniversários ou festas de família, por exemplo, quando eventualmente posso escrever algum poema, mas nada sério.

Eu fiz algumas letras de música…

O sr. compôs para sua filha, Sophie Auster, que é cantora. Essas composições não podem ser consideradas uma nova incursão à poesia?
Eu fiz algumas, para ela, uma grande cantora, e para uma banda do Brooklyn chamada One Ring Zero. Uma delas era uma canção contra George W. Bush. E fiz uma música para um filme que dirigi.

Letras para canções são diferentes de poesia, mas é claro que você usa formas poéticas. Você precisa ser mais simples do que em um poema.

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