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“[Há uma espécie de asma mental, em que sufoco]”, de Luís Miguel Nava

Trecho de “[Há uma espécie de asma mental, em que sufoco]”, de Luís Miguel Nava, publicado na revista Relâmpago n. 1, de 1997:

A razão por que um ruído longínquo ouvido durante a noite, tal como o dum camião, o dum comboio, dum barco ou uma motorizada, ou mesmo o ladrar dum cão – qualquer deles conferindo à lisa superfície do escuro uma terceira dimensão -, a razão por que eles, na nitidez com que se recortam no silêncio (que faz corpo com a escuridão), nos fazem estremecer, é que, havendo uma equivalência entre o espaço e o tempo, na lonjura de que vêm parecem desprender-se de tempos imemoriais e fazer-nos tomar consciência duma distância interior, duma profundidade, que não espera senão por sinais disso para se revelar.

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“Através da nudez”, de Luis Miguel Nava

 

Este garoto é fácil compará-lo a um campo de relâmpagos
encarcerando um touro. Através da nudez veem-se os
astros.
É onde o poema interioriza
a sua própria hipérbole, a paisagem.

Movem-se os tigres como câmaras na areia, prontos eles
também a deflagrarem. A manhã
espanca a praia, é impossível descrevê-la sem falar
dos fios deste poema
que a cosem com a paisagem.

 

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