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“A privataria arruina a Biblioteca Nacional”, de Elio Gaspari

A foto (extraída d'O Globo) é de um funcionário da BN secando páginas de periódicos molhadas durante o vazamento de água do ar-condicionado central

A foto (extraída d’O Globo) é de um funcionário da BN secando páginas de periódicos molhadas durante o vazamento de água do ar-condicionado central

De total acordo com Elio Gaspari, em sua coluna de 2 de setembro, no jornal Folha de S. Paulo. Qualquer consulta a sites de diversas bibliotecas públicas de países latino-americanos, como Argentina e Chile, ou de países europeus, como França e Portugal, comprova o quanto a Fundação Biblioteca Nacional está atrasada, fora os problemas frequentes de alagamento, perda de acervo, entre outros. Ao mesmo tempo, a Biblioteca Nacional preocupa-se com uma série de questões que não são do seu calibre.

Segue a reprodução de parte da coluna:

Biblioteca, como diz o nome, é um lugar onde se guardam livros catalogados, acessíveis ao público.

No caso da Biblioteca Nacional, um transeunte que entra no prédio para sapear o catálogo precisa deixar até os cadernos na portaria. Caneta não entra, só lápis preto.

Se alguém for à página da BN na internet, terá à mão um catálogo de 576 mil obras, apesar de o acervo ser de pelo menos 2 milhões.

Mais, nas palavras do seu Relatório de Gestão: “Para evitar sobrecarga (da rede elétrica), não é permitido aos leitores utilizar carregadores para equipamentos como computadores, gravadores e assemelhados”.

Neste ano, em duas ocasiões, vazamentos do sistema de ar refrigerado inundaram áreas em vários andares, formando poças com até 10 centímetros de profundidade.

Há estantes que dão choque, sua fachada centenária solta pedaços e tapumes protegem os pedestres.

Funcionários da instituição fizeram uma manifestação na sua escadaria celebrando “o aniversário das baratas que infestam o prédio, com destaque para seu ‘berçário’, no quinto andar; das pragas que gostam muito de papel; brocas, traças e cupins” bem como “dos ratos do primeiro andar”.

Nesse cenário de real ruína, ressurge a cantilena: faltam recursos. Coisa nenhuma. O governo da doutora Dilma e a administração do companheiro Galeno Amorim, atual diretor da BN, botam dinheiro da Viúva em coisas que nada têm a ver com a tarefa de guardar, catalogar e tornar acessíveis os livros.

Em 2011, o Orçamento deu à BN R$ 30,1 milhões para gastos sem relação com pessoal e encargos. De outras fontes públicas, para diversas finalidades, recebeu mais R$ 63,4 milhões.

A digitalização dos sacrossantos Anais da BN parou em 1997, mas ela gastou alguns milhões em coedições, no patrocínio de traduções (inclusive para o croata) e na manutenção de um Circuito Nacional de Feiras do Livro. Colocou R$ 16,7 milhões num programa de compra e distribuição de livros populares, ao preço máximo de R$ 10 para distribuí-los pelo país afora. (Quem achou que por R$ 10 compram-se também estoques de livros encalhados ganha uma passagem de ida e volta a Paris.)

A criação de um polo de irradiação editorial pode ser uma boa ideia, mas essa não é a atribuição da Casa. Mercado de livros é coisa privada, biblioteca é coisa pública. Se ela não tivesse ratos no primeiro andar, baratas em todos, estantes que dão choque e um catálogo eletrônico mixuruca, poderia entrar no que quisesse, até mesmo na exploração do pré-sal.

Se Galeno Amorim pode revolucionar o mundo editorial brasileiro, a doutora Dilma deveria criar o Programa do Livro Companheiro, o Prolico. Nomeando-o para lá, deixaria a Biblioteca Nacional para quem pudesse cuidar dela.

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Traduções suspeitas

Extraído da coluna de Raquel Cozer, da Folha de S. Paulo:

A Martin Claret, que inscreveu traduções suspeitas de plágio para compras por bibliotecas públicas, foi a terceira editora com mais títulos pedidos pelas instituições dentro do programa de aquisição acervos lançado neste ano pela Fundação Biblioteca Nacional. As primeiras, conforme balanço recente da FBN, são a Ciranda Cultural e a Todolivro. No começo do ano, a tradutora Denise Bottmann listou dezenas de casos suspeitos em denúncia ao Ministério Público Federal. Vários desses títulos estão na lista de encomendas feitas à Claret, que no total vendeu 93 mil cópias e teria faturado cerca de R$ 550 mil. Segundo Galeno Amorim, presidente da FBN, o caso está sendo investigado pelo MPF e a editora pode ser processada caso fraudes sejam comprovadas. Os livros já estão sendo distribuídos às bibliotecas.

*

Novas traduções A Martin Claret há meses refaz traduções –18 títulos saem agora na Bienal do Livro. Embora em janeiro tenha prometido descadastrar obras com traduções em andamento, isso não ocorreu. Elisângela Alves, ex-Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio, acaba de assumir a edição da casa e coordena o novo trabalho.

Novas aquisições O balanço da FBN sobre o programa de aquisição de livros a até R$ 10 foi feito por ocasião do anúncio da segunda fase. Aprimorado, o novo edital corrige falhas. Entre as mudanças, agora as bibliotecas listam títulos e só depois a FBN aciona as editoras. Antes, as editoras cadastravam obras e então as bibliotecas escolhiam.

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Coleção Nelson Werneck Sodré on-line

Extraído do blog da Fundação Biblioteca Nacional:

A Fundação Biblioteca Nacional assinou hoje o acordo que vai permitir a divulgação da Coleção Nelson Werneck Sodré através do projeto BN Digital. Doado à BN em 1995 pelo próprio intelectual, o material estará disponível na íntegra para consulta e inaugura “Legado” – área de destaque do site reunindo o acervo e documentos ligados a ele. A iniciativa representa um passo importante, por se tratar do 1º conjunto documental com direito autoral vigente a ter sua disponibilização na internet autorizada.

Olga Sodré, filha do intelectual brasileiro, assinou o termo na presença de Galeno Amorim (presidente da FBN), Mônica Rizzo (Diretora do Centro de Referência e Difusão da Fundação Biblioteca Nacional), Liana Gomes Amadeo (Diretora do Centro de Processos Técnicos da Fundação Biblioteca Nacional), Maria José Fernandes (Coordenadora de Acervo Especial da Fundação Biblioteca Nacional), Vera Faillace (Chefe da Divisão de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional), Vinicius Martins (Representante da Biblioteca Nacional Digital) e seu advogado, Eduardo Magrani. Com o ato, ela permitiu que mais brasileiros tivessem acesso ao importante acervo, que conta parte da história do país.

Além da obra bibliográfica completa do autor, compõem o material liberado fotos de familiares e pessoas públicas, cartas enviadas a políticos e intelectuais de sua época, artigos publicados, programas de cursos, recortes de jornais e revistas, documentos pessoais, trabalhos e registro audiovisual da vida de Nelson Werneck Sodré. Nascido em 27 de abril de 1911, o militar é um nome relevante na trajetória da intelectualidade brasileira.

Em 1924, Nelson ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Posteriormente, estudou na Escola Militar de Realengo e em 1937, passou a fazer parte das rodas intelectuais da Livraria José Olympio, no Centro do Rio. Lá, conheceu grandes escritores como José Lins do Rego e Graciliano Ramos, formando-se na Escola de Comando e Estado Maior do Exército em 1946. Fez parte da chapa vencedora nas eleições do Clube Militar em 1950, que defendia o monopólio do petróleo e a maior independência brasileira na relação diplomática com os EUA. Nessa ocasião, assumiu a direção do Departamento Cultural da instituição, que editava a “Revista do Clube Militar”.

Desde 1954, Nelson esteve em contato com o movimento de pensadores liderado por Hélio Jaguaribe – o chamado Grupo de Itatiaia. Quando a sucessão presidencial esteve em risco, o intelectual apoiou o general Henrique Teixeira Lott, em favor da posse de Juscelino Kubitscheck em 1955. De 1962 em diante, dedicou-se ao trabalho intelectual. Nelson Werneck Sodré morreu em 1999. Além do acervo disponibilizado, um texto sobre sua vida e obra inaugura o espaço “Pensamento Brasileiro” na Rede da Memória Virtual Brasileira.

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