Arquivo da tag: Flip

Silviano Santiago sobre Mário de Andrade

No site do Estadão, encontra-se um artigo de Silviano Santiago publicado no dia 21 de fevereiro deste ano. Nesse artigo, Silviano avalia a importância da obra de Mário de Andrade para o século XXI: “No ano em que se completam os 70 anos da morte de Mário de Andrade (25/2/1945) e em que a Flip se adianta e valoriza a data, visto a pele de um incômodo Mallarmé e me pergunta se a ‘eternidade’ apenas o transformará no maior intelectual brasileiro da primeira metade do século XX. Começo pela pergunta exigente porque são vários os obstáculos que dificultam armazenar a figura de Mário no século XXI.” Leia o artigo completo no site.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Artigo

Programação da Flip 2014

Extraído do site do jornal Folha de S. Paulo:

Programação

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Programação da Flip

A programação da Festa Literária Internacional de Paraty foi anunciada. Eis os autores: Aleksander Hermon, Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques, Bruna Beber, Cleonice Berardinelli, Daniel Galera, Dênis de Moraes, Eduardo Coutinho, Eduardo Souto de Moura, Erwin Torralbo, Francisco Bosco, Geoff Dyer, Gilberto Gil, Jeanne-Marie Gagnebin, Jérôme Ferrari, John Banville, John Jeremiah Sullivan, José Luiz Passos, Karl Ove Knausgard, Laurent Binet, Lila Azam Zanganeh, Lourival Holanda, Lydia Davis, Mamede Mustafa Jarouche, Maria Bethânia, Marina de Mello e Souza, Michel Houellebecq, Milton Hatoum, Miúcha, Nelson Pereira dos Santos, Nicolas Behr, Paul Goldberger, Paulo Scott, Randal Johnson, Roberto Calasso, Sergio Miceli, T.J. Clark, Tamim Al-Barghouti, Tobias Wolff, Wander Melo Miranda, Zuca Sardan.

1 comentário

Arquivado em Festa literária

“Alta cultura” – Hermano Vianna

De total acordo com Hermano Vianna. Reproduzo o texto de sua coluna do jornal O Globo. A imagem que uso neste post é do filme de Sophia Coppola, Somewhere, entediante e lindo:

 Alguns dos espetáculos mais marcantes da minha vida, ou alguns livros que mais amei, foram de uma chatice avassaladora

Já passou o bombardeio literário? Fico sempre bem impressionado com a repercussão da Flip na imprensa. É um dos poucos eventos culturais — junto com as fashion weeks e o Rock in Rio — que saem dos segundos para os primeiros cadernos, disputando espaço e urgência editorial com as notícias mais importantes do dia. Considero divertido encontrar Jennifer Egan e Teju Cole, ou Carlito Azevedo homenageando Carlos Drummond de Andrade, entre inauguração présal de Dilma Rousseff ou reunião de Angela Merkel para conter a crise do euro.

Esse acompanhamento “em cima da hora” das palestras é antecedido, durante meses a fio, por muitas entrevistas exclusivas com convidados. Os anúncios das confirmações de cada escritor também ganham as manchetes. Até hoje, uma busca pelo meu nome na internet vai encontrar entre os primeiros resultados, e repetido em centenas de sites, o press-release da minha participação, em mes secundária, na Flip 2010. É a união entre trabalho de assessoria de imprensa impecável e receptividade extraordinária por parte dos jornalistas.

Amor eterno enquanto dura? Neste ano de 2012, notei um esfriamento no namoro Flip-imprensa, que por pouco não virou momento tenso para discutir a relação. A participação de várias estrelas literárias foi descrita como “morna” ou “pálida”. Só me acalmei quando a “Folha de S.Paulo” decretou que a edição foi salva “aos 45 do 2otempo”. O jornal reatou o romance com manchete bem assanhadinha na sua geralmente sisuda primeira página : “Com debates divertidos, Flip empolga no último dia.” (Vinha logo abaixo de “Novo presidente do Egito restaura Parlamento”.)

Divertido? Empolga? Fique tranquilo, não vou passar aqui sermão em jornalista e público que vão a encontros literários em busca de entretenimento. Não vou esbravejar contra a “lógica do consumo” que tomou conta da cobertura e da atitude da plateia mesmo em eventos de Alta Cultura. Sou contraditório (esse é meu bordão): gosto de Guy Debord e também do espetáculo. Porém, preciso defender com unhas e dentes o nosso direito ao morno, ao pálido, e — radicalizando — ao chato. Alguns dos espetáculos mais marcantes da minha vida, ou alguns livros que mais amei, foram de uma chatice avassaladora — e só atravessando vastos desertos de tédio (pois sou muito disciplinado) consegui perceber suas belezas. Se a chamada Alta Cultura perder essa permissão de nos entediar, muitas obras-primas da Humanidade deixarão de ser criadas.

Também preciso defender os escritores malas. É muita crueldade exigir que, além de escrever bem, tenham talento para divertir ou esquentar plateias impacientes, com déficit de atenção ou com hiperatividade só controlada com muita ritalina. Ficou chato, não está a fim de enfrentar a chatice? Navegue pela internet do seu smartphone, mas mantenha um ouvido ligado no palco: quem sabe daqui a 20 minutos o escritor morno não solte uma frase brilhante de poucos caracteres e perfeitamente retuitável?

Sempre que participo de palestras, penso em Elizabeth Costello, personagem ranzinza de J. M. Coetzee. Suas falas públicas são desastrosas. Mesmo seu filho admite: “Não é o métier dela, a argumentação. Ela não deveria estar ali.” Mas os convites continuam, até para participar de ciclos de debates em cruzeiros marítimos. É uma escritora famosa, e o mundo tem uma quantidade assombrosa e crescente de feiras literárias e eventos de “pensamento”, criando um mercado enorme que precisa ser alimentado com mais e mais atrações. O escritor aceita os convites insistentes. Dizer não a todos eles seria tão difícil quanto — para usar lugar-comum em artigos sobre a Flip — andar de salto alto nas ruas de Paraty. (Antonio Prata sugeriu, em coluna na “Folha”, que escritores emburrados, blasés e que não respondem “educadamente às perguntas que lhes fazem” deveriam ser tragados por um alçapão. Recomendo a mesma punição para algumas plateias, que poderiam procurar diversão alhures. Estou em dia raro de defesa de poderosos e eruditos: os escritores também voaram meio mundo, e o público muitas vezes os recebe com perguntas imbecis, que tiram qualquer um do sério. Cito novamente o filho da Elizabeth Costello: “Palestras públicas atraem malucos e pirados como um cadáveratrai moscas.”)

Mesmo assim, com tanta demanda, talvez as Elizabeths Costellos do mundo (e esse tipo de maluco) tenham seus dias contados. Eventos tipo TED já nos acostumaram com conferências de dez minutos todas embaladas por imagens velozes no power point e performances impecáveis/ensaiadas de palestrante transformado em show-man, com tiradas bemhumoradas, indignadas ou politicamente incorretas (é isso que esquenta o público) emitidas com timing perfeito. Ler demora, é chato: o grande público quer um resumo divertido.

Ou quer apenas um ponto de encontro badalado, para ver e ser visto, e depois ter assunto para comentar no Facebook. O Facebook parece ser destino e modelo para tudo (é o condomínio fechado que engoliu a cidade). Como bem identificou meu amigo José Marcelo Zacchi, hoje diretor do Iets (e uma das pessoas que mais gosto de copiar): essa rede social se tornou tão poderosa por apostar que a desculpa para interagir (Flip, show de pagode etc.) é secundária. O que o povo quer é interação. A rede de pessoas toma o lugar da rede dos conteúdos — o que pode ser frustrante pra quem gosta de conteúdo, “mas é inegavelmente humano até o fim”.

Deixe um comentário

Arquivado em Crônica

Diário de José Luís Peixoto – A Festa Literária de Paraty

O escritor português José Luís Peixoto está escrevendo um diário sobre a Festa Literária de Paraty. Acompanhe no blog da Companhia das Letras os registros sobre os próximos dias:

Dia 1: Escrevo o seu nome num grão de arroz

Não importam as 9 horas entre Lisboa e São Paulo ao lado de um menino de três ou quatro anos a gritar, não importam as 5 horas entre São Paulo e Paraty, mil curvas lentas atrás de camiões com pára-lamas a dizerem que Deus é fiel. Após uma noite em Paraty, só o som dos passarinhos e do frigorífico do minibar, acordar é muito parecido com ressuscitar. Nas manhãs desta cidade, nada agride um escritor publicado: o sol está à temperatura certa, ouvem-se galos ao longe, o café da manhã está pronto, esperando.

A festa começa mais logo. Nas ruas, há homens a pintarem os últimos detalhes com pincéis pequenos. A cidade está terminando de se preparar. Os carrinhos de pipocas, de churros e de bolos chegam aos seus postos. Toda a gente tem esperança de vender alguma coisa à multidão que aí vem. Num dos carros de bolos está escrito: aqui só tem delícias. Passo por um grupo de crianças pequenas, em fila, agarradas a uma corda. Reencontro-as na Praça da Matriz, entre livros pendurados dos ramos das árvores por fios invisíveis, entre personagens da Alice no País das Maravilhas ou do Sítio do Picapau Amarelo. O Gulliver ainda está levando os retoques finais. Já está estendido no chão, rodeado de liliputianos de cartão, mas um senhor paciente ainda está a desembaraçar os cordéis que não o deixam levantar-se. Para as crianças, a Flip já começou. Na tenda da Flipinha, ouve-se um coro de meninos a responder um sim arrastado. Aproximo-me, no palco, sete crianças vestidas de letra soletram a palavra DESEJOS.

Ao início da tarde, numa pousada do centro, há o almoço de boas-vindas. Chego tarde, mas toda a gente ainda está à espera de qualquer coisa. Afinal, não cheguei tarde. A piscina no centro, as palmeiras a levantarem-se na direcção do céu e os autores convidados na fila para encherem o prato. Amigos que conheci aqui, amigos que conheci noutros pontos do mundo, amigos futuros que acabo de conhecer, caipirinha de maracujá e caipirinha de frutos vermelhos. São as duas muito boas mas a de frutos vermelhos entope o canudinho.

Anoitece cedo. Com este bom tempo, esqueço-me de que é inverno. Saio pela cidade, acompanho as luzes foscas que se vão acendendo. Reparo em dois barcos no rio, um chama-se Amor Eterno I e o outro, mais pequeno, chama-se Sonho de Arte. Os dois estão disponíveis para aluguer.

Às 7 da tarde, começa a mesa de abertura. Luís Fernando Veríssimo, António Cícero e Silviano Santiago falam sobre Drummond. Assisto ao início na tenda do telão, como são grandes os seus rostos a falar, como são altas e correctas as suas vozes. Gosto do que dizem mas, a essa hora, estou já irremediavelmente melancólico e decido voltar às ruas da cidade. No caminho, por cinco reais, compro um pequeno livro de espiritualidade e receitas vegetarianas a um hare krishna que me pergunta se sou argentino. Cruzo-me também com um homem de cara pintada; por um real, declama poemas, que podem ser escolhidos de um cardápio. Compro um pastel de palmito e, na outra margem do rio, escolho um lugar mal iluminado para me sentar a comê-lo. Sem que seja possível distinguir as palavras, as vozes amplificadas que chegam da tenda dos autores têm um ritmo sereno. Em momentos assinalados, ouve-se o público todo a aplaudir. Aqui, mais perto, há uma mistura de vozes que só é perturbada por uma gargalhada ocasional, mais alta e distante. A pouca distância de mim, está outro autor. Trabalha sob um letreiro que diz: escrevo o seu nome num grão de arroz. As pessoas param e assistem ao seu trabalho com admiração.

Mais logo, à hora do jogo entre o Corinthians e o Boca Juniors para a Taça Libertadores, haverá show de abertura pelo Lenine. Continuo olhando a noite. Ainda não sei se vou, ainda não sei se fui.

Dia 2: Três regras para escrever um romance

As quintas-feiras são aquele dia. O fim de semana está ali, depois de amanhã. Falta pouco para faltar pouco. As quintas-feiras não são a sexta-feira, aproximando-se minuto a minuto da sexta à noite; mas também não são a segunda-feira a pedir coragem para a semana. As quintas-feiras são uma espécie de terça-feira, mas ao contrário.

Na Flip, a quinta-feira é o dia em que começam as “mesas”. É interessante chamarem “mesas” a esses encontros porque não existe qualquer mesa à vista. Sendo esta festa em torno da literatura, com a reconhecida importância que as palavras têm para a mesma, creio que não ficaria mal substituir-se a palavra “mesa” por “encontro”, “debate”, “conversa” ou mil outros sinónimos mais adequados. Talvez este seja um preciosismo (ou talvez não).

Assisti ao encontro entre Javier Cercas e Juan Gabriel Vasquez. Na entrada, é difícil não reparar no quanto é incrível existir num festival literário onde centenas de pessoas, que pagaram bilhete, esperam em filas enormes para assistirem à conversa de dois escritores. Depois, quando são abertas as portas, há a pequena corrida pelos lugares melhores. Antes de começar, há as vozes de toda a gente, o entusiasmo. Duas ou três mil pessoas? Não sei dizer ao certo, nunca fui bom a calcular multidões. O palco, sem mesa, tem três cadeiras vazias. Para além dos escritores, estará o moderador Angel Gurría-Quintana. Inexplicavelmente, o cenário tem uma única palavra, diz: ITERÁRIA. Ou seja, existe um “L” desaparecido. Mistério.

Eu sabia que a conversa ia ser muito boa. Não vou repetir ou resumir aquilo que foi dito sobre ficção histórica, não o saberia fazer. Vou apenas referir duas citações que me iluminaram. Cercas citou Umberto Eco, dizendo que 25% dos ingleses acreditam que Winston Churchill é uma personagem de ficção. Juan Gabriel Vasquez citou Sommerset Maughan: “Há três regras para escrever um romance. Infelizmente, ninguém sabe quais são.” O primeiro diz quase tudo o que há para dizer sobre ficção histórica, o segundo diz tudo sobre a escrita de romances. No futuro, se me ouvirem a citar Eco ou Summerset Maughan, já saberão que, na realidade, estou a citar Cercas a citar Eco ou estou a citar Juan Gabriel Vasquez a citar Summerset Maughan.

Quando ia para a fila dos autógrafos, cruzei-me com uma fotografia da minha cara entre vários escritores que participaram na Flip em anos anteriores: uma fotografia mais alta do que eu, impressa num cubo que, noutra das suas faces tinha, por exemplo, Salman Rushdie. Que bom receber essa consideração e, confesso, que surpresa.

Já na fila, uma menina pediu-me para escrever o nome num papel para que os autores não tivessem dificuldade de escrevê-lo. Luís com “s”. O papel não foi necessário. Ambos se lembravam de mim, abraçámo-nos, marcámos novo encontro nestes dias e saí com dois autógrafos muito especiais. De novo, confesso que não esperava. Estas coisas funcionam assim, em vagas: por vezes, não há nada, deserto total, noutras vezes chega tudo ao mesmo tempo. É assim com a consideração (fotografia grande entre grandes autores, abraço apertado de dois escritores que admiro), como é assim com os amores, com a sorte e com os acasos em geral. Pelo menos, é nisso que acreditam os supersticiosos como eu.

À noite, havia a festa da Companhia das Letras. Lá estive com o meu casaquinho, conversando com mil pessoas, comendo pratinhos pequeninos com garfinhos pequeninos. O garçon tentava explicar o que eram, mas acho que ele próprio não entendia o que dizia. Entre caipirinhas de tangerina e pratinhos de ceviche de frutas, a pergunta que me faziam mais tinha a ver com a selecção de jovens autores brasileiros feita para a revista Granta e apresentada durante a tarde. Eu, como é óbvio, não tinha nada a dizer sobre isso e, com subtileza, mudava de assunto.

Deixe um comentário

Arquivado em Festa literária

Transmissão ao vivo da Flip

As mesas da Flip estão sendo transmitidas em ótima qualidade, ao vivo, pelo site G1.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Festa literária

Festa Literária Internacional de Paraty – Programação 2012

O site da Flip já disponibiliza a programação da tenda principal. Sem dúvida alguma, é muito melhor que a dos últimos anos. A festa volta a ser mais literária, inclusive. Dos nomes já conhecidos do público brasileiro, Fernando Gabeira, Ian McEwan, Jonathan Franzen, Luis Fernando Verissimo, Luiz Eduardo Soares e Roberto DaMatta. Entre os mais jovens, uma ótima surpresa: Paloma Vidal! Quem não conhece procure conhecer. Publicou A duas mãos (7Letras), Escrever de fora – viagem e experiência na narrativa argentina contemporânea (Lumme Editor), Mais ao sul (Língua Geral) e Algum lugar (7Letras).

Deixe um comentário

Arquivado em Festa literária