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Ameaça ao Parque do Flamengo – Elio Gaspari

Extraído do site da Folha de S. Paulo [via Roberto Bozzetti]:

Eike Batista é um dos homens mais ricos do Brasil, símbolo de um novo tipo de empreendedor audacioso. Tem projetos de portos, mineradoras e empresas de energia. Nesse modo, onde os negócios e seus desempenhos são medidos diariamente pelo mercado, as ações da sua OGX, lançadas a R$ 12, valiam na semana passada R$ 1,70. Noutro modo, ele se relaciona com o patrimônio da Viúva. Nele, é um sucesso. Há poucas semanas, associado à empreiteira Odebrecht, conquistou a concessão do estádio do Maracanã. Pelo andar da carruagem, na primeira semana de junho, poderá obter do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional uma licença para erguer um centro de convenções no aterro do Flamengo, onde fica a Marina da Glória. Fechada a operação, o Hotel Glória, que é de Batista, mas irá ao mercado, ganha um anexo.

No dia 4 de junho, reúne-se em Brasília a Câmara Técnica do Iphan que julgará a conveniência da construção, no parque, de um auditório de 900 lugares, com 50 lojas e 600 vagas para automóveis. No dia seguinte o Conselho Consultivo da instituição dará a última palavra a respeito do assunto.

Trata-se de autorizar uma edificação numa área tombada pelo próprio Iphan, onde não podem ser acrescentados equipamentos urbanos estranhos ao projeto original do arquiteto Affonso Reidy. Nele não há centro de convenções.

No modo governo, Batista é poderoso. Anunciou que tinha um projeto arquitetônico para a marina, mas não exibiu documentação que justificasse esse nome. Em seguida informou que trocaria o riscado, chamando um concurso internacional. O que fez não justifica essa designação. Finalmente, em março circulou a informação segundo a qual o Iphan autorizara o projeto. Falso. A presidente da instituição, Jurema Machado, reclamou da precipitação, argumentando que ela prejudicava sua imagem. Tudo bem, mas em pelo menos uma ocasião, em fevereiro, na presença do prefeito Eduardo Paes, o secretário do Patrimônio Cultural do Rio, Washington Fajardo, disse que “o Iphan aprovou” o projeto do arquiteto Índio da Costa.

Eike Batista foi um discreto doador nas campanhas de Paes e do governador Sérgio Cabral. A ambos já deu o conforto de seus jatinhos. (No caso de Cabral, permitindo-lhe mobilidade durante um feriadão.) Esse estilo, que se mostrou insuficiente para assegurar a simpatia do mercado, mostrou-se persistente nas tratativas com governos encarregados de preservar o patrimônio da Viúva. Nunca é demais repetir o que disse em 1964 Lota de Macedo Soares, a quem o Brasil deve o parque, quando pediu proteção e respeito ao projeto original do aterro:
“Pelo seu tombamento, o parque do Flamengo ficará protegido da ganância que suscita uma área de inestimável valor financeiro, e da extrema leviandade dos poderes públicos quando se trata da complementação ou permanência de planos”.

É a seguinte a composição da Câmara Técnica do Iphan que julgará o projeto:

Rosina Coeli Alice Parchen, Marcos de Azambuja, Italo Campofiorito, Nestor Reis Filho e José Liberal de Castro.

E é a seguinte a composição do conselho consultivo:

Os cinco integrantes da Câmara Técnica, mais a presidente do Iphan, Jurema Machado e, como representantes do governo:

Antônio Menezes Junior, Eliezer Moreira Pacheco, Cícero Antônio Fonseca de Almeida, Carla Maria Casara e Gilson Rambelli.

Como representantes da sociedade civil: Angela Gutierrez, Arno Wehling, Breno de Almeida Neves, Luiz Phelipe Andrés, Marcos Vinicios Vilaça, Maria Cecília Londres, Myriam Andrade Ribeiro, Synésio Scofano Fernandes e Ulpiano Bezerra de Menezes.

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“Brava gente, a brasileira” – Elio Gaspari

Texto de Elio Gaspari publico no jornal O Globo, a 12 de maio de 2013 [via André Vallias]:

Atribui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual “a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta”. Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo. A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que, de cada cem famílias amparadas, 12 foram à prefeitura a informaram que não precisavam mais do dinheiro. A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimulará o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimulará a inadimplência. Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde se estima que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do Produto Interno. A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que, num universo de 168 mil alunos que concluíram 13 cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6, e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de Engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta. Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque se dava de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão, e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6, e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá. As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a Abolição da Escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Admita-se que a frase atribuída a San Tiago é apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: “Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas.”

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“A privataria arruina a Biblioteca Nacional”, de Elio Gaspari

A foto (extraída d'O Globo) é de um funcionário da BN secando páginas de periódicos molhadas durante o vazamento de água do ar-condicionado central

A foto (extraída d’O Globo) é de um funcionário da BN secando páginas de periódicos molhadas durante o vazamento de água do ar-condicionado central

De total acordo com Elio Gaspari, em sua coluna de 2 de setembro, no jornal Folha de S. Paulo. Qualquer consulta a sites de diversas bibliotecas públicas de países latino-americanos, como Argentina e Chile, ou de países europeus, como França e Portugal, comprova o quanto a Fundação Biblioteca Nacional está atrasada, fora os problemas frequentes de alagamento, perda de acervo, entre outros. Ao mesmo tempo, a Biblioteca Nacional preocupa-se com uma série de questões que não são do seu calibre.

Segue a reprodução de parte da coluna:

Biblioteca, como diz o nome, é um lugar onde se guardam livros catalogados, acessíveis ao público.

No caso da Biblioteca Nacional, um transeunte que entra no prédio para sapear o catálogo precisa deixar até os cadernos na portaria. Caneta não entra, só lápis preto.

Se alguém for à página da BN na internet, terá à mão um catálogo de 576 mil obras, apesar de o acervo ser de pelo menos 2 milhões.

Mais, nas palavras do seu Relatório de Gestão: “Para evitar sobrecarga (da rede elétrica), não é permitido aos leitores utilizar carregadores para equipamentos como computadores, gravadores e assemelhados”.

Neste ano, em duas ocasiões, vazamentos do sistema de ar refrigerado inundaram áreas em vários andares, formando poças com até 10 centímetros de profundidade.

Há estantes que dão choque, sua fachada centenária solta pedaços e tapumes protegem os pedestres.

Funcionários da instituição fizeram uma manifestação na sua escadaria celebrando “o aniversário das baratas que infestam o prédio, com destaque para seu ‘berçário’, no quinto andar; das pragas que gostam muito de papel; brocas, traças e cupins” bem como “dos ratos do primeiro andar”.

Nesse cenário de real ruína, ressurge a cantilena: faltam recursos. Coisa nenhuma. O governo da doutora Dilma e a administração do companheiro Galeno Amorim, atual diretor da BN, botam dinheiro da Viúva em coisas que nada têm a ver com a tarefa de guardar, catalogar e tornar acessíveis os livros.

Em 2011, o Orçamento deu à BN R$ 30,1 milhões para gastos sem relação com pessoal e encargos. De outras fontes públicas, para diversas finalidades, recebeu mais R$ 63,4 milhões.

A digitalização dos sacrossantos Anais da BN parou em 1997, mas ela gastou alguns milhões em coedições, no patrocínio de traduções (inclusive para o croata) e na manutenção de um Circuito Nacional de Feiras do Livro. Colocou R$ 16,7 milhões num programa de compra e distribuição de livros populares, ao preço máximo de R$ 10 para distribuí-los pelo país afora. (Quem achou que por R$ 10 compram-se também estoques de livros encalhados ganha uma passagem de ida e volta a Paris.)

A criação de um polo de irradiação editorial pode ser uma boa ideia, mas essa não é a atribuição da Casa. Mercado de livros é coisa privada, biblioteca é coisa pública. Se ela não tivesse ratos no primeiro andar, baratas em todos, estantes que dão choque e um catálogo eletrônico mixuruca, poderia entrar no que quisesse, até mesmo na exploração do pré-sal.

Se Galeno Amorim pode revolucionar o mundo editorial brasileiro, a doutora Dilma deveria criar o Programa do Livro Companheiro, o Prolico. Nomeando-o para lá, deixaria a Biblioteca Nacional para quem pudesse cuidar dela.

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“Gerentona?” – Elio Gaspari

Texto publicado no jornal O Globo de 22 de julho de 2012 [via André Vallias]:

Quem está na frigideira com a greve de servidores é a doutora Dilma com seus ministros descoordenados

Não deu outra: o governo produziu um surto grevista no serviço público federal. Estão paradas há dois meses 56 universidades federais e há funcionários em greve em pelo menos 15 repartições de 26 Estados. Chegou-se a essa situação porque a doutora Dilma e seus comissários acharam que podiam enfrentar as reivindicações com onipotência e embromatina.

O surto começou em junho com a greve dos professores de universidades federais. Era uma paralisação parcial, e o governo disse que o problema deveria ser negociado no Ministério do Planejamento, onde a comissária Miriam Belchior informava que não trataria com grevistas. Era o modelo Scania. Em 1978, ele produziu um surto grevista no ABC de São Paulo e dele emergiu um sujeito chamado Lula.

Ao escolher esse caminho, a doutora Dilma cometeu uma imprudência semelhante à do industrial que, diante de uma greve, manda o assunto para uma discussão entre o sindicato e a diretoria financeira da empresa. De lá, só sai uma resposta: não há dinheiro.

A onipotência ruiu numa sexta 13, quando a comissária Belchior apresentou uma proposta aos grevistas. Em quase todos os casos, além de aumentos salariais, os servidores querem planos de carreira prometidos e jamais apresentados.

O comissariado do Planalto quer a coisa (acabar com a greve) e seu contrário (preservar a incolumidade política dos ministros cujas áreas são afetadas pelo movimento).

Aí entra a embromatina. O ministro da Educação sumiu. O da Saúde emudeceu, com servidores da Anvisa parados e com a Funasa parcialmente paralisada. O do Trabalho, não se sabe onde está. O comissário dos movimentos sociais, Gilberto Carvalho, passou por perto, afastou-se e reapareceu, falando em “equacionar as contas”, sem que se saiba o que isso quer dizer.

Com as greves espalhadas pelas agências reguladoras, pelo Incra, pelo IBGE e em pelo menos seis ministérios, somando algo entre 150 mil servidores, segundo o governo, e 500 mil, segundo os grevistas, o Planalto soltou o espantalho da crise econômica refletida no Pibinho.

É um truque velho, generaliza o problema com o propósito de não discutir a pauta específica. A crise europeia nada teve a ver com o engavetamento dos planos de carreira dos professores universitários brasileiros. Se um servidor do Judiciário está sem aumento há três anos ou espera pelo plano de carreira há outros tantos, essa argumentação chega a ser desrespeitosa. Ele pode até discordar da extensão das reivindicações do sindicato, mas não quer ser tratado como bobo.

Foi Miriam Belchior quem travou as negociações? Mercadante ficou longe? Padilha se manteve calado? Tudo isso é verdade, mas só aconteceu porque a gerentona Dilma Rousseff desenhou uma estratégia cataléptica que estimulou as greves e acrescentou um desnecessário elemento de tensão. Dificilmente Lula tomaria esse caminho, parecido com o dos generais ou com a severidade de Fernando Henrique Cardoso na greve dos petroleiros de 1995.

Na última opção preferencial pela embromatina, o Planalto ameaça cortar os salários dos grevistas. Nem Ronald Reagan, o exterminador de sindicatos, seria capaz de deixar 55 mil professores sem dois meses de salários. Se a ameaça fosse séria, teria eficácia em junho. É uma parolagem sempre repetida, jamais cumprida. Exatamente por isso as greves no serviço público são duradouras e no setor privado são breves.

 

 

 

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“A Comissão da Verdade contra as mentiras” – Elio Gaspari

Reproduzo artigo de de Elio Gaspari publicado no jornal O Globo de 1 de abril de 2012 [via Conteúdo Livre]:

A Comissão da Verdade não poderá rever a Lei da Anistia, mas poderá desmontar quase meio século de mentiras com as quais os brasileiros são obrigados a conviver. Quem tem hoje menos de 43 anos ainda não nascera em 1969, quando a tortura foi transformada em política de Estado pela ditadura. O conflito do século passado não faz parte do seu mundo, mas as mentiras ofendem-lhe a inteligência, mutilando o direito que uma sociedade tem de saber o que aconteceu no seu país. Saber, só saber.

As mentiras não persistem em nome da pacificação dos ânimos. Acima de tudo, foram e são o exercício de um poder que busca o bloqueio da lembrança. Dilma Rousseff reconhece que participou de uma organização que matou gente que nada tinha a ver com sua luta (o caso do major alemão que foi confundido com um capitão boliviano, assassinado no Rio em 1968). Por conta dessa militância, ela foi presa, torturada e pagou três anos de cárcere. Os torturadores e assassinos que participaram do combate a essas organizações cumpriram ordens e, em muitos casos, foram condecorados e continuam protegidos por um manto de silêncio. Em seu governo, Fernando Henrique Cardoso reconheceu a responsabilidade do Estado nesses crimes, mas falta responder a perguntas que completarão meio século de silêncio.

Tome-se um exemplo, o do segredo em torno do que aconteceu no combate à Guerrilha do Araguaia.

Em 1972, o Exército soube que havia naquelas matas um projeto de foco guerrilheiro do PC do B. Eram cerca de 70 militantes. A tropa chegou em abril e, até dezembro, capturou oito guerrilheiros, entre eles José Genoino, atual assessor do ministro da Defesa. Nesse período, morreram 12 combatentes da organização comunista e oito foram capturados. Processados e condenados pela Justiça Militar, cumpriram suas penas e foram libertados.
Em outubro de 1973, o Exército iniciou uma nova operação. Depois do Natal não havia mais guerrilha. Restavam apenas fugitivos e só dois escaparam. Um era o comandante militar do foco; o outro, seu guia. O efetivo do PC do B ficou reduzido a algo como 35 militantes.

A mentira impõe aos brasileiros a ideia de que eles desapareceram. Só um foi visto morto. Talvez tenham sido recolhidos numa clareira por um disco voador albanês. Depoimentos colhidos posteriormente mostram que houve casos de prisioneiros mortos semanas depois de terem sido capturados. Sumiram até mesmo os que se renderam, convidados a entregar as armas em panfletos assinados por militantes presos na primeira fase e por exortações feitas por militares que usavam megafones nos helicópteros.

Entre dezembro de 1973 e fevereiro de 1974, a operação militar do Araguaia foi comandada pelo então coronel Nilton Cerqueira. Como major, em 1971, ele estava na cena em que o ex-capitão Carlos Lamarca foi fuzilado, no interior da Bahia. Em 1981, comandava a Polícia Militar do Rio de Janeiro quando uma bomba explodiu no colo de um sargento do DOI e estripou um capitão no estacionamento do Riocentro. Em sua carreira só teve uma derrota. Enfrentou os bicheiros da cidade e viu-se exonerado. Nos anos 90, o general presidiu o Clube Militar e, em 1994, elegeu-se deputado federal pelo PP. O governador Marcelo Alencar (PSDB) nomeou-o secretário de Segurança.

Talvez ele possa contar o que aconteceu numa campanha militar que, sob seu comando, não conseguiu capturar vivo um só prisioneiro. Só contar.

Em maio de 1945, os alemães abandonaram o bunker de Hitler embaixo da chancelaria do Reich. Da equipe do führer eram umas 20 pessoas, civis e militares. Naquele caos, sumiu só a nutricionista. A arcada dentária do desaparecido Martin Bormann, a maior autoridade a bordo do bunker, foi identificada em 1998. Os aliados e o Exército Vermelho capturaram quase todos, inclusive o dentista da SS que ajudou a sedar as seis crianças de Joseph Goebbels que seriam envenenadas. Dos que foram levados para a Rússia, pelo menos um morreu e outros ficaram presos até a segunda metade dos anos 50. A secretária de Hitler foi solta pelos ingleses em 1946. O suboficial SS Rochus Misch, que servia como telefonista, está vivo, com 95 anos.

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