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Fechamento da editora Cosac & Naify

Conforme noticiado no jornal Estado de S. Paulo, a editora Cosac & Naify fechará as portas. É uma grande perda: sob a chancela da Cosac foram publicados alguns autores importantes que revisam a poesia moderna, além de crítica brasileira, como o excelente Passos de Drummond, de Alcides Villaça; diversos clássicos da literatura universal, como O vermelho e o negro, de Stendhal, e a nova tradução de Guerra e Paz, de Tolstoi. Fora os artistas plásticos, os infanto-juvenis, a poesia recente.

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“Senhoras e senhores, apresentamo-vos o ‘padeiro dos livros'”

Matéria publicada no jornal português Expresso:

Nove mil livros e 30 anos depois, Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico, construtor de violinos e impressor, tem a sua primeira exposição em Portugal. Chama-se “9000 Formas da Felicidade: as edições Pulcinoelefante”.

Uma gravura baseada no famoso quadro de Goya, “Três de Maio de 1808 em Madrid”, assinada por Luciano Ragozzino. Fotografias de Marylin Monroe coladas sobre uma mão de papel e uma fotografia também da atriz, provavelmente recortada de um jornal ou revista, com números pintados sobre o papel. Um poema de Rainer Maria Rilke, o poeta alemão, escrito em italiano. Três fotografias de Alda Merini (1931-2009), a escritora italiana que teve a admiração de artistas como Pasolini, Salvatore Quasimodo e Giorgio Manganelli, e foi vencedora em 2003 do Premio Librex Montale, que reconhece poetas italianos contemporâneos. É ela, aliás, que assina alguns dos livros expostos (mas já lá vamos).

Mais à frente, entra-se no chamado “Núcleo: Alberto em Portugal”. Uma fotografia a preto e branco de Manuel Alegre, vestido de fato. E um desenho de um homem deitado com uma monumental letra “M” junto à sua cabeça, parecendo decapitá-lo, e que segundo o programa da exposição é do livro de Alberto Pimenta, o escritor português, feito e escrito por ele. Miguel Martins, Luís Manuel Gaspar, Manuel de Freitas. Outros nomes da poesia portuguesa contemporânea que aparecem destacados. O 91 da exposição é de Vasco Graça Moura, é de 2013, e tem uma dedicatória sua na capa que diz assim: “Na verdade, o poema é um ruído modelado de gente”.

Chama-se “9000 Formas de Felicidade: as edições Pulcinoelefante”, é dedicada a Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico, construtor de violinos e impressor, e inaugurou no final de outubro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, onde fica até 31 de janeiro.

É a primeira exposição em Portugal dedicada a Alberto, que prefere, no entanto, ser conhecido como o “padeiro de livros”, e o “único padeiro que trabalha durante o dia”. Há uma boa razão para isto: desde 1992, tem feito, em média, mais de um livro por dia. Atualmente, são mais de nove mil.

 

Os livros “belos e simples” do mestre Alberto
Em 1982, depois de ter sido despedido da tipografia onde trabalhava, uma grande casa em Milão que imprimia jornais, Alberto Casiraghi decidiu construir a sua própria oficina, a que deu o nome de Pulcinoelefante. Fê-lo em casa, na cidade de Osnago, em Itália, onde nasceu. Fala-se muito dessa tarde ventosa e de um primeiro livro dado à estampa nesse dia: “Una Lirica. Una Immagine”, de um escritor chamado Marco Carnà. No ano seguinte, 1983, foram lançados mais quatro livros, três com textos do próprio Casiraghi (assinados, não sabemos, se por ele, se por um dos seus três pseudónimos) e o outro da autoria de Gaetano Neri, também ilustrados por Carnà, em conjunto com Pierluigi Puliti e Gianni Maura. Em 1984, sete, e no ano seguinte, nove. Ao fim dos primeiros dez anos, estavam feitos 236 livros, ou 236 “pulcinos”, nome por que são chamados.

Mas o que são, afinal, os “pulcinos”? A descrição oficial diz assim: são quatro ou seis folhas de papel Hahnemühle, tamanho A4, dobradas em A5. Contêm um aforismo ou um pequeno poema impresso em carateres móveis, e uma ilustração, que tanto pode ser uma impressão digital dos desenhos de Alberto, uma xilografia, águas-fortes, litografias, fotografias, colagens, desenhos e pinturas com todas as técnicas, ready-made, esculturas, entre outras intervenções. As tiragens vão de 15 exemplares a 30 ou 35, numerados sequencialmente.

A descrição não-oficial é esta que nos traz Catarina Figueiredo Cardoso, comissária da exposição, e responsável por outros projectos anteriores na área da edição independente e livros de artista. Distingue nos “pulcinos” a “beleza e a aparente simplicidade”. Do ponto de vista tipográfico, assegura que são “impecavelmente bem feitos”. “O que torna o Alberto diferente é a consistência da sua prática e a mestria com que a utiliza. Há muitos problemas na utilização dos tipos móveis: gastam-se, partem-se, as máquinas desafinam e avariam, todo o material envolvido é caro e a sua utilização é difícil e implica muita prática. Ora o Alberto tem tudo: foi tipógrafo de tarimba, tem imensos tipos, tem a máquina e sabe concertá-la se for preciso. É por isso que ele se distingue dos restantes impressores”.

 

 

A técnica que nasceu na China antes de Cristo
O primeiro sistema de impressão a partir de tipos móveis (letras, símbolos e sinais de pontuação individuais), feito em porcelana chinesa, é atribuído a Bi Sheng (990-1051 AD), e terá sido criado por volta de 1040 A.D., na China. Quando, cerca de 200 anos depois, a técnica começou a ser usada na Coreia, os tipos móveis passaram a ser feitos em metal. “Jikji” (1377), ou “Antologia de ensinamentos zen pelos grandes sacerdotes budistas”, documento budista coreano, é o mais antigo livro imprimido com o uso desta técnica, título que a UNESCO confirmou em 2001, tendo incluído o livro no programa “Memory of the World”, destinado a preservar documentos e arquivos de grande valor histórico.

Por volta de 1450, os tipos móveis voltariam à mó de cima (eram caros e exigiam muita mão-de-obra e isso teve consequências), com a impressão da Bíblia por Johannes Gutenberg, na Europa, a partir de um sistema que o próprio inventou, e que superava em larga medida os antigos modelos. Como se passou para a impressão em línguas europeias (número mais limitado de carateres), a técnica tornou-se rentável e foi, dito de uma forma abreviada, um sucesso. Mais tarde, já no século XIX, com a invenção da composição mecânica e seus sucessores, acabaria por entrar em declínio.

 

Cabras, coelhas e galinhas, e máquinas grandalhonas
Numa das fotografias dos livros em exposição, Alberto surge acompanhado de uma cabra. Ao vê-la, lembramo-nos das imagens do editor e tipógrafo, arrumadas em vídeos (no youtube), que nos trazem essa outra realidade de um quintal cheio de cabras e coelhos e galinhas, e uma casa aparentemente pequena cheia de máquinas grandalhonas que já ninguém parece saber ao certo para que servem, e livros, muitos livros, atrás das portas de vidro dos armários altos ou ali mesmo à mão de semear.

É nessa casa que Alberto continua a receber visitas, artistas, poetas e ilustradores, que ali vão “para lhe ditarem os textos e ajudarem a fazer os livros, cortar o papel e coser as páginas”, explica Catarina. E foi também nessa casa que recebeu a escritora italiana de que falávamos, Alda Merini, amiga e colaboradora. Catorze dos 110 livros expostos são dela. Parece pouco, mas há outra história por detrás disto, que podemos arriscar, embora com palavras que não são nossas, contar assim: “A amizade e consequente colaboração com Alda Merini conduziram ao aumento alucinante no número de livros produzidos, e à enorme projeção de Alberto e da sua editora em Itália, nos Estados Unidos e no Japão”. A escritora deu, ainda segundo essas páginas que acompanham a exposição, “uma dimensão inesperada à Pulcinoelefante”.

 

O mestre Alberto em Portugal
Em 2013, Alberto vinha pela primeira vez a Portugal, a convite de Catarina. “Achei importante dar a conhecer aos meus amigos portugueses que se dedicam à edição a obra de um dos expoentes da arte da composição tipográfica com tipos móveis”.

Nesse ano, fez um workshop no Homem do Saco, um dos ateliers que, segundo Catarina, continua a dedicar-se à técnica de impressão em tipos móveis. A outra é a Oficina do Cego, também em Lisboa. Desse workshop resultaram quatro “pulcinos” sob a supervisão direta de Alberto, que deram aos tipógrafos e artistas portugueses envolvidos (alguns têm agora expostos os livros que fizeram) a motivação necessária para, a partir daí, dedicarem-se à “criação de edições artísticas inovadores e imaginativas que os singularizam no panorama da edição independente.”

Mas a ligação de Alberto a Portugal é bem mais antiga. Em 1993, fazia o primeiro livro de um escritor português. É lançar um palpite e acertar, senão à primeira, pelo menos à segunda. Sim, foi mesmo de Fernando Pessoa, mas esse não está entre os que viajaram de Itália para Portugal. Vai ter de ficar para a próxima.

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Amazon vs. Editoras

Matéria da Bloomberg Businessweek que trata das tensões entre Amazon e as editoras [Via Booktailors]:

There’s a glaring anachronism at the center of most Amazon.com (AMZN) fulfillment centers: aisle after aisle of old-fashioned books. Amazon stocks these volumes for the many customers who still favor the tangible pleasures of reading on paper. Yet the company is relentless about increasing efficiency and has at the ready an easy way to remove some of those bookshelves: on-demand printing. With an industrial-strength printer and a digital book file from the publisher, Amazon could easily wait to print a book until after a customer clicks the yellow “place your order” button. The technology is championed by those who want to streamline the book business—and it might turn out to be a flash point in the hypertense world of publishing.

The book industry isn’t eager to embrace any more wrenching changes. The introduction of the Kindle in 2007, and Amazon’s insistence on a customer-friendly $9.99 price for new releases, has set off a multifront fracas. Efforts by the largest publishers to sidestep Amazon’s pricing strategy attracted the attention of the U.S. Department of Justice, which recently filed an antitrust lawsuit against Apple (AAPL) and five book publishers over their alleged collusion to raise e-book prices. (Three publishers have settled the lawsuit.) The issue of print on demand has taken a backseat as this e-book drama plays out.

Yet executives at major New York-based book publishers, who requested anonymity because of the legal scrutiny of their business, say Amazon regularly asks them to allow print on demand for their slower-selling backlist titles. So far they’ve declined, suspecting that Amazon will use its print-on-demand ability to further tilt the economics of book publishing in its favor. Asking publishers to move to print on demand “is largely about taking control of the business,” says Mike Shatzkin, founder of Idea Logical, a consultant to book publishers on digital issues. “It adds some profit margin, but it also weakens the rest of the publishing universe.”

Print on demand has been around for more than a decade. In 1997, the largest book wholesaler in the U.S., now known as Ingram Content Group, started a division called Lightning Source to serve publishers who wanted to print limited copies of certain books. In 2005, Amazon acquired a rival print-on-demand provider, BookSurge, and began offering publishers the option of supplementing inventory with print-on-demand copies when physical volumes of a title sell out. Now called CreateSpace, the Amazon subsidiary mostly caters to small publishers and self-published authors. The technology has gotten better over time, and print-on-demand books are now indistinguishable from most paperbacks.

Publishers worry that a widespread shift to print on demand could, like the advent of e-books, disrupt their century-old business model. Companies such as Random House and Simon & Schuster have spent decades investing in their own supply chains, storing books in giant warehouses and developing the transportation infrastructure to ship those volumes to stores within days. If print on demand became widespread, publishers could cut their fixed costs and solve the perennial problem of stores returning unsold books. But that would throw into doubt almost everything else about the way big publishers conduct business, since they’re compensated based on the range of services they provide, from editorial guidance to storage and distribution. Print-on-demand technology would make it harder for the publishers to justify keeping a large majority of a book’s wholesale price.

One of the New York publishing chiefs says that even allowing titles to be printed on demand by Amazon when shortages occur is a bad idea, since it might encourage the company to order fewer printed books. And having a limitless inventory would give Amazon yet another edge over retailers such as Barnes & Noble (BKS), which publishers want to keep in business as a counterweight to the e-commerce juggernaut. Another top executive of a major New York publisher says there’s too little trust in Amazon to consider its print-on-demand services.

Amazon is not the only company trying to usher reluctant big publishers into a print-on-demand future. In the late 1990s veteran Random House editor Jason Epstein had a vision of an ATM-like machine that could produce hard-to-find books, and in 2003 created the company On Demand Books to develop the idea. Today its Espresso Book Machine, manufactured by Xerox (XRX) and costing about $100,000, sits in a few dozen bookstores around the country. It takes about four to five minutes to download and print a high-quality paperback. Last fall, HarperCollins Publishers, a division of News Corp. (NWSA), became the first major publisher to make part of its catalog available to On Demand Books, offering about 5,000 older volumes. Yet the machines still offer an extremely narrow selection of popular titles, which has limited their appeal. “The catalog is huge, but it’s overwhelmingly public domain,” says On Demand Books Chief Executive Officer Dane Neller, referring to older books no longer under copyright. “That’s a function of publishers’ reluctance to upset their existing supply chain, though we hope and believe that will change.”

As the digital transition upends the industry, resistance to on-demand printing may fade. Smaller publishers that have already made the switch away from printing and storing their own books say it’s well worth it. “Instead of putting all those books in a warehouse, you free up cash flow to invest in R&D,” says Laura Baldwin, president of O’Reilly Media, a publisher of technical books that moved to print on demand last year and shed $1.6 million in inventory cost. “You can invest in the technical future of publishing as opposed to printed books that are sitting in the warehouse.”

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