Arquivo da tag: Crítica da literatura

“…certos poetas elegantes, apesar de gordos”

Na citadíssima e muito discutida crítica de Monteiro Lobato “A propósito da Exposição Malfatti”, publicada no Estado de S. Paulo 8 dias após a vernissage, há certas considerações que hoje seriam absolutamente condenáveis, como esta: “Na poesia também surgem, às vezes, furúnculos desta ordem [trata-se de “furúnculos da cultura”, conforme trecho anterior], provenientes da cegueira nata de certos poetas elegantes, apesar de gordos, e a justificativa é sempre a mesma: arte moderna.” O “poeta gordo”, conforme Mário da Silva Brito, é uma alusão a Oswald de Andrade.

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José Aderaldo Castello

Reproduzo o texto do mural do Facebook de Ivan Marques:

“Sempre evitei falar de mim, / falar-me. Quis falar de coisas. / Mas na seleção dessas coisas / não haverá um falar de mim?”

Versos de João Cabral de Melo Neto, nos quais José Aderaldo Castello dizia encontrar inspiração e justificativa para sua própria obra. Crítico e historiador da literatura brasileira, o professor Castello estudou a literatura colonial, o Modernismo, o romance do Nordeste, entre outros temas, buscando revelar e preencher claros importantes. Morreu esta semana em São Paulo, aos 90 anos, discretamente.

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Poesia 61 hoje

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A geração que esbanjou os poetas

Há muito não lia textos de Roman Jakobson. Durante a graduação em Letras, era um autor muito em foco nos cursos de Teoria da Literatura. Seu livro Linguística e comunicação era leitura obrigatória. Quase todos os alunos traziam consigo, em algum momento da graduação, essa famosa edição, publicada sob a chancela da Cultrix – editora, por sinal, também indispensável nos anos 1990. Agora, com A geração que esbanjou seus poetas, lançado em 2006 pela Cosac & Naify, com tradução e posfácio de Sonia Regina Martins Gonçalves, volto a sentir a inteligência e sensibilidade de Jakobson e lamento ter ficado tanto tempo longe de seus textos. Se não bastasse sua leitura aguda dos poemas de Maikóvski, existem ainda as lembranças do próprio Jakobson, que conviveu com o poeta. Há análises como esta: “Maiakóvski podia, abstratamente, levar em consideração a missão criadora ‘dos bebês do coletivo’ em sua luta interminável contra o velho, mas ele mesmo estremecia quando entrava correndo na sala uma criança de carne e osso. Maiakóvski não reconhece na criança concreta o seu próprio mito do futuro. Para ele, não passa de um novo filhote multifacetado do inimigo.” (p. 34). É bonito sobretudo ler as páginas em que Jakobson analisa a ideia de Maiakóvski de que os poetas são aqueles que adiantam e apressam o tempo. Os poetas são os fortes, que “se adiantam a ponto de puxar o tempo que ultrapassaram”.

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A literatura brasileira contemporânea

Extraído do blog Estudos Lusófonos [via Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea]:

Organizadores

Maria Graciete Besse (Université de Paris-Sorbonne)
José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne)
Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)
A LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Espaço onde se constroem e se validam representações do mundo social, a literatura constitui igualmente um dos principais terrenos de reprodução e perpetuação de estereótipos e preconceitos, muitas vezes camuflados no pretenso realismo das obras. Cientes disso, diferentes grupos identitários têm reivindicado, cada vez mais, lugar e voz nos espaços de enunciação de discursos, acentuando desta maneira a chamada crise na representação literária. No momento em que se agudiza a consciência de que o criador é socialmente situado, e de que tudo o que ele(a) produz traz as marcas dessa circunstância, a legitimidade de suas representações tornou-se passível de questionamento. Instalada a dúvida, abriram-se na contemporaneidade ranhuras em um sistema em geral bastante uníssono e refratário à presença de grupos sociais diferenciados,  sejam eles(as) constituidos por autores(as) ou suas personagens. São essas vozes, que se encontram nas margens do campo literário, essas vozes cuja legitimidade para produzir (ou mesmo ser objeto da) literatura é permanentemente posta em questão, que tensionam, com a sua presença, nosso entendimento do que é (ou deve ser) o literário. Ao reunir pesquisadores de diferentes instituições internacionais, o presente colóquio pretende questionar alguns dos problemas que se apresentam como relevantes no interior do conjunto literário brasileiro contemporâneo, especialmente no que diz respeito à presença, ao silenciamento e às formas de representação destes grupos sociais diferenciados. Neste sentido, ele dá continuidade aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília e pelo Grupo de Estudos Lusófonos da Universidade Paris-Sorbonne (Paris IV) acerca das relações e imbricações entre o fazer literário e o mundo social.
PROGRAMA
Terça-Feira 10 de Janeiro – Maison du Brésil
           
 14h00h : Recepção dos participantes
 14h15 : Abertura do Simpósio por Sua Excelência José Maurício Bustani (Embaixador do Brasil na França – a confirmar), pelo Professor Sadi Lakhdari, diretor do CRIMIC e pela Professora Maria Graciete Besse, diretora do Departamento de Estudos Lusófonos.
 14h30 : Conferência inaugural: Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília): « Um território constestado : literatura brasileira contemporânea e as novas vozes sociais »
debate
            Margens e marginalidades
Moderador : José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne)
15h00 : Ricardo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) : «Narrativas terrivelmente [in]felizes: a letra-pólvora de Marçal Aquino e Ana Paula Maia»
15h20 : Paulo C. Thomaz (Universidade de Brasília): «A contemporaneidade in extremis : desolação e violência em Onze e em As iniciais de Bernardo Carvalho »
15h40 : Laeticia Jensen Eble (Universidade de Brasília):  «[Auto]biografias urbanas :  percursos possíveis pela literatura marginal»
16h00 : Vinícius Gonçalves Carneiro (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul): «A produção literária contemporânea: da literatura marginal a Lourenço Mutarelli»
Debate – Pausa café
Corpos alterados
Moderador : Fernando Curopos (Université de Paris-Sorbonne)
17h00 : Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela): «Literatura brasileira contemporânea : um produto para exportação»
17h20 : Camila Gonzatto da Silva (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul): «O Filho da mãe: da experiência ao livro»
17h40 : Susana Moreira de Lima ( Universidade de Brasília):  «Corpo e voz da mulher velha : um olhar a partir da literatura brasileira contemporânea»
18h00 Edma Cristina de Góis (Universidade de Brasília/ Universidade do Minho): «Donas dos próprios corpos ! Representação e resistência na literatura brasileira contemporânea»
Debate
18h30: Encontro com os escritores Elvira Vigna e Luiz Ruffato  
Moderadores : Regina Dalcastagnè, Maria Graciete Besse e José Leonardo Tonus
19H30 : Lançamento:
Fora do retrato: estudos de literatura brasileira contemporânea, Regina Dalcastagnè e Anderson Luís Nunes da Mata (orgs.)
Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n° 38.
Quarta-feira 11 de Janeiro – Université Paris-Sorbonne/Maison de la Recherche
( salle des conférences – D035)
O campo literário no feminino
Moderadora : Maria Graciete Besse (Université de Paris-Sorbonne)
9h10 : Virgínia Maria Vasconcelos Leal (Universidade de Brasília): «Campo literário, identidade e gênero : [im]possíveis diálogos entre a Editora Malagueta e Elvira Vigna»  
9h30: Lúcia Osana Zolin ( Universidade Estadual de Maringá): «Escolher a inclusão? A personagem na pena das escritoras brasileiras/paranaenses contemporâneas »
9h50 : Claire Williams (University of Oxford): «Aspectos da Literatura Marginal de Autoria Feminina»
Debate – pausa café
Memórias estilhaçadas
Moderadora : Maria Araújo da Silva ( Université de Paris-Sorbonne)
10h40 : Maria Isabel Edom Pires (Universidade de Brasília): «O imigrante alemão no romance brasileiro da segunda metade do século XX »
11h00 : Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília): «Como vai a família? – As reconfigurações da instituição familiar no imaginário do romance brasileiro contemporâneo»
11h20 : José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne): «O relato de [des]filiação e o romance brasileiro da década de 1980»
Debate – almoço
Quinta-feira 12 de Janeiro de  2012 –  Université de Paris-Sorbonne/Institut d’Etudes Ibériques ( salle 22)
Reuniões de trabalho reservadas aos palestrantes
10h00-13h00 : Preparação do IV° Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea (Brasília, Agosto de 2012) ; novos projetos de pesquisa e publicações conjuntas.
Pausa-almoço
14h30 – 17h30 : A cooperação franco-brasileira ;  editais ; cotutelas ; intercâmbio e acordos inter-universitários no âmbito do projeto de pesquisa.
Encerramento


Para baixar o programa completo do Simposio clique aqui : Programa Completo

Maison du  Brésil

7 L, boulevard Jourdan
74014 Paris
RER B : Cité Universitaire
Tramway T3 – Charlety
Bus 21 et 67 (Porte de Gentilly – terminus)
Université de Paris-Sorbonne
Maison de la Recherche
28, rue Serpente
75006 Paris
 Métro Odéon – lignes 4 ou 10 ou
Saint-Michel – ligne 4 ou RER B/C
Université de Paris-Sorbonne
Institut d’Etudes Ibériques
31 rue Gay-Lussac
75005 Paris
 RER B Luxembourg
Bus 21

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“Teoría y praxis de Andrés Neuman”, por Ana Rodríguez Fischer

O texto aqui reproduzido foi publicado no Babelia do jornal El País. No Brasil, Andrés Neuman é publicado pela Alfaguara.

“Ignoro cuándo escribió Andrés Neuman los dos nuevos Dodecálogos de un Cuentista que se editan como ‘Apéndice curioso’ de Hacerse el muerto (donde reúne sus cuentos de 2004 a 2011), aunque me inclino a pensar que estas breves reflexiones sobre el género brotaron al hilo de la escritura de los relatos, algunas al modo de “pequeñas conclusiones en marcha”, como las denomina su autor, si bien otras anotaciones parecen más bien apuntar sendas o planteamientos posibles, quizás pendientes aún de tantear y desarrollar, dado que algunas se postulan como duda e indagación. No conforman un corpus doctrinal ni dibujan un territorio cerrado porque no lo es este libro, que contiene seis constelaciones independientes, con sus respectivas variaciones. Del juego de la muerte trata el primer conjunto: de los impulsos, tentaciones o pesadillas que la idea de la muerte puede desatar en un general con poder de fusilar, en un niño con necesidad de espantar sus miedos, en un suicida risueño o en un hombre que al perder a su mujer decide perdonar a sus enemigos, pero en realidad se venga de ellos dejándolos tan clausurados por dentro como se siente él.La figura de la madre -su enfermedad y muerte, su ausencia y sus retornos soñados- agavilla un breve grupo de relatos tan poéticos como elegíacos, que contrastan mucho con los reunidos en ‘Sinopsis del hogar’, donde el humor amable que se desprende de cierta épica infantil va tiñéndose de otros matices -el desasosiego que provoca en el narrador la hija nínfula de un amigo- hasta estallar en el delirio de ‘Juan, José’, donde terapeuta y paciente intercambian sus respectivos papeles, sin que el lector tenga medio de saber quién es quién. También el humor preside los relatos que tratan del amor erótico, si bien ‘Las cosas que no hacemos’ es un cálido poema en prosa, un canto al estar sencillamente juntos los enamorados, sin mucho más. La joya del grupo es ‘Bésame, Platón’, por el ingenio y la originalidad al tratar de las diferencias que se dan entre una pareja a partir de postulados y premisas filosóficas; y al igual que este relato, también se sustentan en el lenguaje las prodigiosas síntesis de los autorretratos de quienes se anuncian con palabras (‘Vidas instantáneas’) y la hilarante diatriba verbal que sostienen un (aparente) macarra machito y un elegante pedante en unos urinarios. Y si “el hablante elevado a discurso, el narrador como argumento” es una hipótesis del cuarto dodecálogo de Andrés Neuman, el lector encontrará buenas muestras en los monólogos del aduanero, la mirona y otras criaturas y monstruos. Hacerse el muerto se cierra con una serie de relatos que tratan de estética, entre los que descuella el divertido ‘Teoría de las cuerdas’ (repleto de detalles y verdadera lección del modo de mirar), el ‘Breve alegato contra el naturalismo’, así como la (¿imposible?) ficción retrofuturista de ‘Fahrenheit.com’. Tan plurales son estas historias (absurdas, dulces, grotescas, piadosas, cómicas, tristes) como arriesgada y sugerente es la forma en que Andrés Neuman las cuenta, invitando, novalisianamente, a apreciar teoría y praxis.”

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“Notas à beira do caminho”, por Alcides Villaça

O artigo “Notas à beira do caminho”, de Alcides Villaça, sobre Carlos Drummond de Andrade foi publicado no caderno Sabático do jornal O Estado de S. Paulo, em 29 de outubro:

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