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Espalhe Drummond

Extraído do perfil da Companhia das Letras (Facebook):

(Verso do poema “O sobrevivente”, de Carlos Drummond de Andrade)

A Companhia das Letras passa a editar em 2012 a obra de Carlos Drummond de Andrade. Serão mais de 40 títulos ao longo dos próximos anos que terão textos estabelecidos por especialistas, indicações de leitura e ensaios inéditos, além de um projeto gráfico moderno e elegante.

Os 5 primeiros volumes da coleção chegam às livrarias dia 10:
– “A rosa do povo” (poesia)
– “Claro enigma” (poesia)
– “Sentimento do mundo” (poesia)
– “Contos de aprendiz” (contos)
– “Fala, amendoeira” (crônicas)

Para comemorar a chegada das novas edições, a editora preparou uma série de eventos espalhados por São Paulo e no Rio de Janeiro e outras capitais. Confira a programação:

DRUMMOND E O MUNDO

A Companhia das Letras, em parceria com SESC-SP, convida para o lançamento das novas edições e homenagem ao escritor Carlos Drummond de Andrade. O evento terá direção e apresentação de José Miguel Wisnik, direção de arte de Daniela Thomas e a presença dos músicos Arrigo Barnabé, Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Emicida. Durante a apresentação, serão exibidos pequenos filmes feitos pelo Instituto Moreira Salles e por Carlos Nader, com participação especial de Luiz Tatit e Alice Ruiz.

Quarta-feira, 14 de março, às 20h
Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, 141
Tel: 5080-3000 / 0800-11-8220
São Paulo / SP
www.sescsp.org.br
Retirada gratuita de até dois ingressos por pessoa, pelo sistema INGRESSOSESC, a partir das 14h do dia 8 de março, enquanto houver disponibilidade de lugares.

HOMENAGEM A DRUMMOND

A Biblioteca Nacional, a Casa da Gávea e a editora Companhia das Letras convidam para homenagem a Carlos Drummond de Andrade, por ocasião do lançamento das novas edições de sua obra pela Companhia das Letras, com participação de Cristina Pereira, Vera Fajardo, Paulo Betti e Eucanaã Ferraz.

Segunda, 12 de março, às 18h
Fundação Biblioteca Nacional
Jardins da BN
Rua México, s/n (entrada pelo jardim)
Centro – Rio de Janeiro

SARAU ESPECIAL DRUMMOND

Sarau Leitores e Leituras — Especial Drummond, com a participação do editor da Companhia das Letras, Leandro Sarmatz.

Quarta-feira, 14 de março, das 17h30 às 19h30
Biblioteca Mário de Andrade – Sala de Convivência
Rua da Consolação, 94 – Centro
Telefone: (11) 3256-5270
São Paulo / SP

AULA SOBRE A POESIA DE DRUMMOND

“A trajetória poética de Drummond”, aula sobre a obra do autor Carlos Drummond de Andrade com o Professor Doutor da faculdade de Letras da Universidade de São Paulo, Murilo Marcondes de Moura.

Quinta-feira, 15 de março, às 19h
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777
Telefone: (11) 3082-5023
São Paulo / SP

SARAU DA COOPERIFA DEDICADO A DRUMMOND

Quarta-feira, 21 de março, às 20h45
Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Jd. Guarujá – Zona Sul
São Paulo / SP
cooperifa@gmail.com

ESPALHE DRUMMOND

Sábado, 10 de março
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mais importantes poetas brasileiros e um dos maiores nomes da poesia do século XX.
Para comemorar a publicação de sua obra pela Companhia das Letras, com novas e modernas edições, a Companhia das Letras promoverá um dia de leitura de poesia de Drummond.
Confira abaixo as cidades e locais participantes.
Mais informações no site http://www.companhiadasletras.com.br/eventos.php

– Belo Horizonte:
Leitura Leitura Pátio Savassi
Leitura BH Shopping
Quixote Livraria
Livraria Mineiriana

– Brasília:
Livraria Cultura – Shopping Iguatemi Brasília

– Recife:
Livraria Cultura – Paço Alfândega

– Curitiba:
Livraria Cultura – Shopping Curitiba

– Rio de Janeiro:
Livraria Argumento – Leblon
Livraria Cultura – Fashion Mall
Livraria da Travessa – Ipanema
Livraria da Travessa – Leblon
Livraria da Travessa – Barra
Livraria da Travessa – CCBB
Estátua de Carlos Drummond de Andrade – Calçadão da Praia de Copacabana

– Porto Alegre:
Palavraria Livros & Cafés
Livraria Cultura – Shopping Bourbon Country

– São Paulo:
Livraria Cultura – Shopping Villa Lobos
Livraria Cultura – Shopping Market Place
Livraria Cultura – Shopping Bourbon
Livraria Cultura – Conjunto Nacional
FNAC Pinheiros
FNAC Paulista
FNAC Morumbi
Livraria Martins Fontes – Paulista
Livraria da Vila – Fradique
Livraria da Vila – Cidade Jardim
Livraria da Vila – Lorena
Livraria da Vila – Itaim
Livraria da Vila – Moema
Livraria da Vila – Higienópolis

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Clarice Lispector na Relógio d’Água

Reproduzo uma grande notícia postada no blog da Ler:

A Relógio d’Água acaba de adquirir «os direitos para a edição, até 2018, de toda a obra de Clarice Lispector». Para além da reedição de vários títulos, já este ano serão lançados os romances Água Viva, O Lustre, Para não Esquecer e Um Sopro de Vida, assim como textos infanto-juvenis (A Mulher Que Matou os Peixes e A Vida Íntima de Laura, reunidos num só volume, e O Mistério do Coelho Pensante, Quase de Verdade e Como Nasceram as Estrelas). «De todo inesperados são os álbuns», acrescenta a editora, «que, sob pseudónimo, Clarice Lispector divulgou com conselhos dedicados às mulheres e que foram organizados pela professora Aparecida Nunes. É o caso de Correio Feminino e Só para Mulheres — Conselhos, Receitas e Segredos, em que é visível o estilo da autora e o seu interesse pela elegância feminina através de inúmeras sugestões práticas. Nestes textos, inicialmente publicados na imprensa a partir de 1940, Clarice aborda temas como a maternidade e a educação dos filhos, os tratamentos de beleza, o veneno para ratos, a escolha dos perfumes e os dilemas morais, passando do trivial ao transcendental com desconcertante à-vontade.»

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Entrevista de João Anzanello Carrascoza

Reproduzo entrevista de João Anzanello Carrascoza feita por Andrea Ribeiro para o jornal Rascunho. O livro de contos Espinhos e alfinetes merecia, por sinal, ter recebido maior destaque ao longo de 2011. Trata-se de uma das melhores obras do gênero publicada neste ano:

João Anzanello Carrascoza escreve porque tudo que nos cerca e nos diz respeito um dia encontrará seu fim — assim como o próprio livro no qual, como escritor, esteja trabalhando. E é assim, com essa afirmação serena, que o autor de Espinhos e alfinetes concluiu a entrevista abaixo, concedida, via e-mail, à jornalista Andrea Ribeiro. Carrascoza, para quem o prazer da literatura está em navegar sem destino, anarquicamente, também discorreu sobre o alcance das dores e das feridas do homem, adquiridas já durante a sua infância, explicou que influência exercem o mar e sua vida pessoal sobre sua obra literária, apontou soluções para o problema da leitura no Brasil e, entre outras coisas, indicou aos leitores os poetas e escritores de sua preferência.

• Os contos de Espinhos e alfinetes remetem, quase em sua totalidade, à infância. Apegam-se às lembranças, aos anseios, às fantasias e, especialmente, ao período de amadurecimento pela perda — da inocência, da vida, da família. Esse é o momento em que se sente o primeiro espinho?
Sim! A infância é um tempo mágico, em que vivenciamos, ainda que em meio às contrariedades, um processo de encantamento pelo mundo. Depois, adultos, cegamos para as belezas que antes nos deslumbravam e, aí, passamos o resto da existência em busca desse território perdido. Perdido, mas possível de reencontrarmos dentro de nós; às vezes, pela palavra. Nesse período, entre as descobertas admiráveis há uma que nos espanta e, desde cedo, nos obriga a aceitar a nossa condição: a certeza da finitude. Ainda nem bem pisamos aqui e já descobrimos que viver dói.

• Até que ponto as lembranças de sua infância influenciaram na escrita dos contos de Espinhos e alfinetes? O repertório do escritor afeta, necessariamente, o peso e o destino dos personagens?
Escrevemos aquilo que somos. Injetamos em nossos personagens a nossa visão de mundo, incluindo nela a nossa miopia. Tudo o que fazemos revela o nosso ideário e as nossas limitações. Os primeiros versos de Drummond em A flor e a náusea talvez resumam melhor esse sentimento: “Preso à minha classe e a algumas roupas,/ vou de branco pela rua cinzenta./ Melancolias, mercadorias espreitam-me”. E mais adiante: “Olhos sujos no relógio da torre”. Nossos olhos mirando-nos no espelho, ou mirando os outros, pessoas ou personagens, estão sempre sujos.

• No conto Sol, o senhor escreve: “A menina respirou fundo: queria crescer, ser suficiente para si, como eles. Mas ia doer. Já doía”. Amadurecer é algo dolorido?
O processo de amadurecimento é sempre dolorido. Ser maduro é, talvez, chegar ao ponto em que a dor — que nunca cessará —, não dói mais tanto.

• Em outro conto, pai e filho sofrem com a perda da mulher de suas vidas. “Eu sabia que a saudade o feria como um alfinete.” A literatura funciona como um alfinete, a cutucar feridas? Escrever sobre elas é, de alguma forma, catártico?
A literatura cutuca feridas, nossas ou alheias, e, nesse sentido, é um ato corajoso. É uma falta de medo perante a dor. Às vezes, somos movidos a escrever não pelos sentimentos que nos conservam, mas pelos que nos modificam. A perda é um desses agentes que têm um efeito transmutador. Não é o único, mas certamente é o mais poderoso. Não escrevo porque, deliberadamente, preciso tematizar minhas perdas, mas porque elas me afetaram mais intensamente nos últimos anos. Quando perdemos alguém, damos adeus também a quem fomos. Na verdade, estamos o tempo todo perdendo as pessoas das nossas vidas.

• A fluidez e a transparência da água, a cadência do mar e o sol também são pontos que, aqui e ali, alinhavam seus contos. Qual é a atração que o mar exerce em sua literatura?
O mar é o território primitivo, o habitat primevo, onde tudo começa e termina. Estamos nele, como na vida, convictos de que temos muito mar pela frente, mas sem saber o que vamos encontrar. E o mar pertence mais a quem está chegando. Quem já viveu muito vai se secando dele, já acostumado ao seu sal.

• Em uma entrevista ao programa de rádio Letras e Leituras, o senhor disse que escritores estão sempre contando as histórias que os encantam, que os obcecam. Quais são suas obsessões? Como elas se refletem em suas obras?
Um escritor não é a melhor pessoa para falar sobre a sua obra, já se sabe. Desde o primeiro livro de contos que publiquei, Hotel Solidão, até este Espinhos e alfinetes, é possível perceber quais são as minhas obsessões e também os meus alumbramentos.

• No conto Adão, o senhor faz uma homenagem à palavra. Ser apaixonado pelas letras, que, juntas formam uma idéia, é vital para um escritor. Quando as palavras começaram a fazer parte de sua vida? Em que elas modificaram sua forma de encarar o mundo?
Desde menino, amo as palavras. Elas dão contorno a nós, e ao mundo. Causam dor, feito espinhos e alfinetes. Mas, como agulhas, também podem ajudar a nos curarmos de nós mesmos. Ler e escrever são, para mim, viagens na lâmina das palavras (e do silêncio): felicidades clandestinas.

• Seus contos trazem uma espécie de “oralidade poética”. São escritos com frases fluidas, mas sempre elaboradas, com palavras bem escolhidas. “(…) e era o céu azul sobre as nossas cabeças, tão lindo! O céu de todos os dias, mas para se ver diferente, o céu que tirava o peso da gente no seu flutuar.” A poesia está sempre presente em sua vida? Quais são os grandes poetas da atualidade? E seus “poetas-referência”?
Há reservas colossais de poesia no cotidiano, basta que tenhamos olhos para desfrutá-las. Oswald de Andrade nos lembra dessa verdade, com um pequeno poema, quase um haicai: “Aprendi com meu filho de dez anos/ Que a poesia é a descoberta/ Das coisas que eu nunca vi”. A vida seria muito pobre se não tivéssemos esse olhar atento para os descobrimentos inesperados que a poesia proporciona. Drummond, Bandeira, João Cabral sempre foram referências para mim, são poetas que estou sempre relendo. Dos estrangeiros, admiro Maiakóvski, Dylon Thomas, Bashô. Dos contemporâneos, a poesia de Ferreira Gullar, de Antonio Cicero, me são inspiradoras. E tem os clássicos, que nunca deixo de revisitar: Shakespeare, Homero, Camões.

• O senhor finalizou Espinhos e alfinetes durante sua participação no programa de escritores residentes do Château Lavigny (Suíça), no ano passado. Como foi essa experiência? Em que medida ter se afastado do país foi importante para sua literatura?
Não é preciso se tornar um recluso para desenvolver um projeto literário. Ao contrário, escrevemos porque estamos em conexão com os outros, sozinhos ou entre a multidão. As residências são espaços onde podemos ter um convívio fecundo com escritores de outras culturas e, claro, tempo e condições favoráveis para acessar a nós mesmos. O isolamento é um estado em que podemos, de fato, usufruir de nossa companhia e, assim, ouvir a nossa própria voz.

• O imediatismo, a generalidade e a informalidade vêm tomando uma proporção assustadora na informação e nas artes — inclusive na literatura. Hoje, basta alguém ter um blog para se considerar, imediatamente, um escritor. Como o senhor vê este cenário? Leituras on-line e escritas ligeiras — mesmo que nem tão boas assim — representam um avanço para a literatura?
Todo tipo de expressão é legítimo e válido. Hoje, com a internet, democratizou-se a produção e a distribuição de literatura. Apesar de levar muita gente a se expressar, a buscar o seu estilo, esse cenário gera também uma avalanche de textos confessionais, de histórias rasas, que não atingem a condição de obra ficcional. No meio desse labirinto, como sempre, pequenos rios vão encontrar a sua foz. As veredas, para lembrar Guimarães Rosa, proliferam-se na imensidade do sertão.

• Quais são os escritores que o senhor lê, atualmente? Qual autor recomenda?
Leio tanto os contemporâneos, como Roth, Coetzee, Pamuk, Oz e Vila-Matas, quanto os clássicos Machado, Faulkner e Cortázar. Bom é poder embaralhar os autores, conforme o nosso desejo, a nossa vontade. Ir de um a outro, entrar em uma obra e sair por outra. Literatura é uma navegação sem rumo, o prazer está em singrar o alto-mar, em se acostar a pequenas ilhas ou mesmo atracar em cais desconhecidos.

• Escrever é vocação ou talento? O que é preciso ter — ou fazer — para se tornar um bom escritor? Que conselho o senhor daria a alguém que desejasse tornar-se autor?
Escrever é tentar se conhecer. Pode ser sonho ou fome. Disciplina e paciência são requisitos essenciais. Para quem está começando a caminhar, este ditado latino pode servir: “Apressa-te devagar”.

• O senhor costuma ler críticas literárias? Como reage a avaliações (positivas e negativas) de suas obras?
A crítica criteriosa é útil ao escritor, que pode ver confirmadas as suas virtudes e se conscientizar de suas deficiências. É fundamental que tenhamos interlocutores, de preferência não condescendentes. Só assim podemos nos aprimorar.

• O senhor também escreve literatura infanto-juvenil. Quais as diferenças em relação à literatura adulta (se é que elas existem) e os desafios para escrever para este leitor em formação?
A literatura é uma água só, que assume diferentes cores. Talvez a literatura infanto-juvenil seja mais azul, enquanto a adulta, pela sua profundidade, vai se tornando mais escura, às vezes de um azul quase negro. Quanto ao público, escrever é sempre um desafio, inicialmente, para si e, depois, para o outro. Só nos aproximamos do leitor se despejamos vida em nossas histórias, se entregamos a ele textos que respiram aventura humana.

• Quais caminhos o senhor indicaria para aumentar o número de leitores no Brasil, uma barreira que sempre se apresentou intransponível?
Leitor não é apenas aquele que lê livros, mas aquele que aprende a ler o mundo, para lembrarmos aqui de Paulo Freire e, acrescento, é também aquele que sabe ler os outros. Assim, o único jeito de aumentar os leitores (de livros) é antes ensiná-los a ler o mundo e a pessoas, o que só é possível por meio da educação (como projeto social) e por meio daqueles que já são leitores do mundo (num plano mais individual).

• A morte também ocupa o centro da sua literatura. De que maneira o senhor encara a questão da morte no seu cotidiano? Ela o preocupa?
Queiramos ou não, um dia o livro (que estamos escrevendo) termina. E é por isso que nós o escrevemos: porque tudo termina.

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A palavra ausente, de Marcelo Moutinho

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