Arquivo da tag: Chico Alencar

“Milagres do povo” – Caetano Veloso

No dia 22 de abril, a história pode ser cantada e contada por Caetano Veloso [via Chico Alencar]:

Deixe um comentário

Arquivado em História

A força dos vermes, por Chico Alencar e Cecília Meireles

Entre os discursos que antecederam a votação do impeachment, realizados na última sexta-feira e no sábado, destaco o de Chico Alencar, deputado federal do PSOL pelo estado do Rio de Janeiro. Além de político, ele é professor de História, o que torna sua fala, nesse contexto, ainda mais relevante.

Chico Alencar ressaltou a necessidade de pensarmos sobre os nossos problemas estruturais, separando o público e o privado da política nacional. São relevantes e lúcidas as suas considerações seguintes: “Lamento que o PT , com tanta esperança de mudança, tenha entrado no esquema que sempre condenou, e está pagando por isso agora. É uma pequena grande tragédia da história nacional. Mas este impeachment é uma farsa, é um engodo.” Refere-se à “vocalização” do impeachment pela “direita mais raivosa”. Segue com outras considerações, todas relevantes, e por fim, com muita pertinência, cita os versos finais do “Romance XXXIV ou de Joaquim Silvério”, do excepcional Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles (1953):

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros…
e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso e impenitente,
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)

O livro Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, trata do Brasil do século XVIII, portanto, período colonial. Ontem, domingo, o que se via no Congresso – discursos em nome de Deus e em nome de proprietários de terras – parecia da mesma época, o que faz do romance atual algo ainda mais assustador!

Deixe um comentário

Arquivado em Poesia, Política