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Três poemas de Antonio Cicero

Estes poemas de Antonio Cicero foram publicados no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, a 24 de junho:

DESEJO

Só o desejo não passa
e só deseja o que passa
e passo meu tempo inteiro
enfrentando um só problema:
ao menos no meu poema
agarrar o passageiro.

 

VALEU

Vida, valeu.
Não te repetirei jamais.

 

APARÊNCIAS

Não sou mais tolo não mais me queixo:
enganassem-me mais desenganassem-me mais
mais rápidas mais vorazes e arrebatadoras
mais volúveis mais voláteis
mais aparecessem para mim e desaparecessem
mais velassem mais desvelassem mais revelassem mais revelassem
mais eu viveria tantas mortes
morreria tantas vidas
jamais me queixaria
jamais.

SOBRE OS POEMAS Os textos inéditos aqui publicados pertencem à coletânea “Porventura”, que Antonio Cicero lança em julho, pela editora Record.

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