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“Sylvia Plath editada no Brasil”

Extraído do Blogtailors:

Pouco editada no Brasil, Sylvia Plath será editada neste país nos próximos meses. A Globo, atualmente a única editora com um livro da poeta em catálogo (Os Diários de Sylvia Plath), prepara para o próximo semestre o inédito Sylvia Plath: Drawings, com desenhos a tinta feitos pela poeta entre 1955 e 1957. Leia mais aqui.

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Matéria de Trajano Pontes publicada na Folha de S. Paulo de 3 de novembro:

A Edusp (Editora da Universidade de São Paulo), a maior do segmento em número de obras lançadas, chega aos 50 anos com mais de 3.200 títulos, 68 prêmios Jabuti recebidos, um olho no passado e outro no futuro.

Entre os dias 5 e 8 deste mês, a Edusp comemora seu cinquentenário com o simpósio “Livros e Universidades” -a ser realizado no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária, em São Paulo.

Para os 12 debates, a curadora Marisa Midori Deaecto, 38, convidou professores de produção editorial, editores universitários e estudiosos do livro como objeto de transmissão de cultura.

Destaca-se a participação do editor André Schiffrin, 77, autor de obras que discutem a excessiva mercantilização da profissão que ele exerce há mais de 50 anos.

Ele está na primeira mesa de discussões do dia 6, às 10h, porque seu pensamento, nas palavras da curadora, permite a compreensão “da dinâmica do livro na economia capitalista e das angústias do editor universitário”.

Em entrevista à Folha, Schiffrin mostrou sua preocupação com a recente união dos grupos Penguin e Random House. “É, provavelmente, a primeira de várias operações entre grandes grupos que levarão ao oligopólio no setor. A razão para isso é apenas obter mais lucro, com foco em best-sellers.”

Schiffrin comanda, há 20 anos, a editora independente The New Press. “Lançamos mais de mil livros, 999 dos quais não teriam sido lançados por outras editoras simplesmente porque não estão dispostas a tomar o risco.”

E-BOOKS

Sobre outras novidades do setor, Schiffrin não vê com entusiasmo os livros eletrônicos. “A lista de e-books mais vendidos praticamente replica a dos impressos.”

A desconfiança em relação a novas plataformas de leitura é compartilhada pela Edusp. Seu diretor-presidente, Plinio Martins Filho, 61, diz que ainda não é o momento de a editora seguir a trilha. “Tenho a impressão de que tanto se fala de novos suportes para estimular a venda do suporte, não a do livro”, diz.

Atuando na Edusp há 22 anos, período em que foram publicados cerca de 1.500 títulos (93 deles em 2012), Martins Filho disse à Folha que nota mudança na aceitação das publicações de editoras universitárias. “Um sintoma disso são os [68] Jabuti que ganhamos desde 1991. Não existe mais qualquer ranço com o livro universitário.”

Ele valoriza a sobrevivência da editora em um país “pouco afeito às letras”, mas acredita ser este também momento de reflexão.

“Queremos refletir sobre o nosso papel na cultura brasileira. Nosso papel não é concorrer, mas publicar livros que tenham mérito cultural e não mercadológico. Se fizermos um produto de qualidade, ele vai encontrar seu leitor”, argumenta.

Martins Filho pretende ler um manifesto em defesa das editoras universitárias na abertura do simpósio, às 10h da próxima segunda-feira.
A programação completa do evento, gratuito e aberto ao público, está em http://www.edusp.usp.br.

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“Mercado editorial brasileiro cresce pouco e preço do livro diminui”

Matéria de Maria Fernanda Rodrigues publicada no site do Estadão em 11 de julho de 2012:

Estimado em R$ 4,8 bilhões, o mercado editorial brasileiro está produzindo mais e imprimindo mais. Em termos de faturamento, no entanto, o crescimento de 2011 comparado ao de 2010 foi mínimo, de apenas 0,81% – já descontada a inflação e somadas as vendas das editoras para livrarias e leitor final e também para o Governo. Se excluídas dessa conta as expressivas compras do Governo, sobretudo o Federal, que sustentam muitas editoras, o que se registrou, no último ano, foi queda real de 3,27%. As informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2011, revelada nesta quarta-feira, 11, em São Paulo.

Feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores (Snel), a pesquisa ouviu 178 editoras, uma amostra considerada por Leda Paulani, da Fipe, como suficiente estatisticamente. São cerca de 500 as editoras ativas no País.

Para Karine Pansa, presidente da CBL, 2011 foi um ano ruim para todos os setores da economia se comparado ao anterior. “Livro não é produto de primeira necessidade, como o arroz e o feijão, e vai ser o primeiro item a deixar de ser comprado.” Mas ela ressalta que o mercado está seguro. “Estamos vivendo um momento de estabilidade com tranquilidade por saber que o mercado está estruturado para se manter mesmo em momentos difíceis”, comenta Pansa.

E está sendo um momento difícil especialmente para o segmento de obras gerais, que registrou queda de 11,07% no faturamento – caindo de pouco mais de R$ 1 bilhão em 2010 para R$ 903 milhões em 2011. Essa queda tem sido contínua. Em 2010, o faturamento já tinha ficado 6,38% menor do que o do ano anterior.

Também ganhou-se menos dinheiro com os livros religiosos – R$ 464 milhões em 2011 contra R$ 494 milhões em 2010. Aqui, vale lembrar que a edição anterior da pesquisa mostrava que o setor era o que mais crescia. Se agora a queda é de 6%, em 2010 o crescimento foi de 24%.

Quem cresceu mesmo em 2011 foi o segmento de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP). Ele faturou R$ 910 milhões contra os R$ 739 milhões de 2010. O aumento, de 23,10%, pode ser relacionado ao boom da educação superior, expresso no aumento de estudantes universitários e numa maior demanda por livros técnicos, apontou Leda.

Os didáticos ainda são responsáveis pela maior fatia deste mercado e o setor teve um crescimento de 7,87% em relação a 2010, quando o faturamento foi de R$ 1,1 bilhão. O setor fechou 2011 com R$ 1,18 bilhão.

Produção. Foram produzidos, no total, 58.192 títulos em 2011 – em 2010 o número era 54.754. Desse total, 20.405 foram feitos em primeira edição e 37.787 se referem a reimpressões; 4.686 são títulos traduzidos e 53.506 de autores brasileiros. Em exemplares produzidos, o número foi parecido: 492.579.094 (2010) e 499.796.286 (2011).

Outro dado que chama a atenção refere-se às tiragens das obras em primeira edição, que ficaram 33,39% menores em 2011, totalizando 90.112.709 exemplares impressos. A Fipe diz que uma mudança na nomenclatura da questão na pesquisa pode ter influenciado na conta, mas há outros fatores.

Para Karine Pansa, existe hoje a necessidade de ter mais e mais títulos em primeira edição para garantir maior espaço de exposição nas livrarias. Sonia Jardim, presidente do Snel, concorda: “Com a competição, a estratégia das editoras muda. Elas ampliam a oferta de lançamentos e diminuem a tiragem, e rezam para alguma coisa funcionar. Se funciona, você entra então na reimpressão.” Foram reimpressos 409.683.577 exemplares, 14,66% a mais do que no ano passado.

Venda. Dos R$ 4,8 bilhões que o mercado editorial fatura, R$ 3,4 bilhões são de venda para livrarias e outros canais de distribuição e R$ 1,3 bilhão para o Governo – e esse valor depende sempre dos programas de compra vigentes naquele ano.

As livrarias ainda são o lugar preferido dos brasileiros para comprar livros. Elas são responsáveis por 44% dos exemplares vendidos e por 60% do que se fatura com livro no País. Em termos de faturamento, aparecem na sequência distribuidores (20,5%), porta a porta (4,97%), escolas (2,8%), igrejas e templos (1,74%). Supermercado, banca de jornal e internet são alguns dos outros canais de venda.

O segmento de venda porta a porta, que tinha 16,6% do mercado em 2009 em número de exemplares comercializados, saltou para 21,6% em 2010 e fechou 2011 com 9,07%. A crise da Avon, responsável por boa parte dessas vendas, e o aumento da participação de igrejas e templos na venda de livros (4,03% em 2011 contra 1,47% em 2010) podem ter sido alguns dos fatores deste desempenho. O faturamento desse canal, apesar de menor que os outros, também teve um bom crescimento – de R$ 18 milhões em 2010 para R$ 60 milhões no ano passado.

Foram vendidos, em 2011, 469.468.841 exemplares – dos quais 283.984.382 para o mercado e 185.484.459 para o Governo.

Preço. O livro está ligeiramente mais barato e hoje custa, em média, R$ 12,15. Em 2010, o valor era R$ 12,94. O valor pago pelo governo, no entanto, ficou em R$ 7,48. Esses números não são comparáveis, já que por comprarem em quantidades altíssimas, os órgãos responsáveis por essas negociações fazem o preço. Por outro lado, esse valor mais baixo do livro para o consumidor final pode estar relacionado ao aumento da oferta de obras mais econômicas, como as em formato de bolso.

O preço do livro tem ficado mais barato a cada ano e o setor se preocupa. “A competição entre as editoras é alta e chega uma hora que isso tem que ter um limite. Olhamos com preocupação para o futuro. Quando vemos que o crescimento está abaixo da inflação e do PIB temos que estar atentos. Daqui a pouco vamos pagar para comprarem nossos livros e isso é impossível”, diz Sonia Jardim.

Digital. Pela primeira vez, a pesquisa da Fipe incluiu os e-books. “Estamos na fase de investimento. Como o número é pequeno, qualquer crescimento é geométrico, mas o número é inexpressivo”, comenta Sonia. Foram vendidos, no total, 5.235 itens digitais – de arquivos em PDF a aplicativos. O faturamento ficou em R$ 868 mil.

A chegada da Amazon também esteve em pauta na apresentação da pesquisa. “Esperamos que a Amazon venha aumentar o mercado, não acabar com nenhum elo da cadeia e nem assombrar nenhum editor. Esperamos, então, que ela venha complementar a oferta de títulos e aumentar a possibilidade de distribuição de uma maneira mais igualitária dentro do nosso país, já que não temos livrarias em todos os municípios”, comenta Karine Pansa.

“Olhamos com algum temor para o que aconteceu no mercado americano. A segunda maior cadeia de livrarias ter quebrado lá é uma preocupação. Esperamos que a entrada de um player desses, com um poder de fogo enorme, não venha dar uma chacoalhada no nosso mercado e que todos consigam conviver em paz e harmonia. Que a Amazon venha para fazer crescer o mercado, e não para desestabilizá-lo”, avalia Sonia Jardim.

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Cecília Meireles: enfim, publicada

Enfim, uma boa notícia sobre a obra de Cecília Meireles [via Painel de Letras]:

Metade do ano passou, e a volta de Cecília Meireles (1901-64) às livrarias, prometida para janeiro, não aconteceu. Agora parece que vai: a Global finaliza para a Bienal do Livro de São Paulo seus quatro primeiros títulos da autora, cuja obra praticamente sumiu durante longa disputa entre herdeiros. Saem em agosto “Romanceiro da Inconfidência”, com apresentação de Alberto da Costa e Silva; “Viagem”, livro que consagrou Cecília; os infantis “Ou Isto ou Aquilo”, ilustrado por Odilon Moraes, e “Os Pescadores e Suas Filhas”, por Cris Eich; e uma antologia na série Crônicas para Jovens.

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Clarice Lispector elogiada por Orhan Pamuk e Pedro Almodóvar

Matéria de Ubiratan Brasil publicada no site do Estadão:

É o momento Clarice Lispector – quinta-feira, as livrarias dos Estados Unidos começam a receber quatro livros (Perto do Coração Selvagem, Água Viva, A Paixão Segundo G. H. e Um Sopro de Vida) da grande escritora traduzidos para o inglês, todos pela editora New Directions, que já lançou no ano passado A Hora da Estrela. O fato repercutiu na imprensa, com o jornal Los Angeles Times citando a frase de um antigo tradutor de Clarice (1920-1977), Gregory Rabassa, que comparava a autora brasileira a Marlene Dietrich (no traço físico) e a Virginia Woolf (no traço estilístico).

“A maneira chocante com que fala dos grandes temas é a característica de sua prosa que mais desperta atenção do leitor americano”, acredita Benjamin Moser, organizador dos lançamentos e grande divulgador da prosa clariciana entre seus conterrâneos, especialmente depois de publicada a tradução em inglês de sua biografia Clarice, lançada em 2009 pela Cosac Naify. “São assuntos que, no nosso dia a dia, não temos coragem de enfrentar – a vida, a morte, o Deus – e que são os grandes temas universais, independentemente de detalhes superficiais, como a nacionalidade do leitor.”

Os quatro volumes chegam com um delicado projeto gráfico: juntas, as capas reproduzem uma foto de Clarice jovem. E, em um canto, são reproduzidos elogios de personalidades literárias como Jonathan Franzen (“Uma escritora verdadeiramente notável”), Orhan Pamuk (“Uma das mais misteriosas autoras do século 20”) e Colm Toíbín (“Um dos gênios ocultos do século 20”), além de uma citação do jornal The New York Times (“A principal escritora latino-americana de prosa do século”).

Moser, que descobriu a escrita de Clarice na universidade, durante um curso sobre literatura brasileira em que se estudou A Hora da Estrela, enriqueceu ainda a nova fornada de volumes com prólogos diversos, como o assinado por Caetano Veloso para Perto do Coração Selvagem e um surpreendente texto de cineasta Pedro Almodóvar que, ao recusar o convite de Moser para escrever sobre Um Sopro de Vida, acaba tecendo vários elogios à autora.

Apesar do enorme sucesso, Benjamin Moser considera tardia a chegada da obra de Clarice ao mercado americano. E o que a mantinha tão afastada? “A resposta é simples: uma má tradução”, acredita. “As antigas versões em inglês eram muito ruins. Tentaram preencher ou eliminar as estranhezas da linguagem de Clarice, de ‘completá-la’, sem entender que isso é que justamente fizeram de Clarice a escritora Clarice. Se conseguirmos na nova série fazer o leitor americano chegar mais perto do coração de Clarice, teremos sabido traduzir um pouco do encanto do seu português esquisito e belíssimo.”

Como editor de séries da New Directions, Moser já planeja novos lançamentos – em seus planos, figuram Contos Completos, além de uma obra infantil. Um trabalho de paciência, pois a dificuldade continua na tradução – alguns dos novos lançamentos, por exemplo, passaram por até oito versões. Mesmo assim, Moser orgulha-se de ter feito uma contribuição às letras americanas. “Trata-se de algo realmente revolucionário.”

No Brasil, os livros de Clarice são um dos bens mais preciosos do catálogo da editora Rocco, que prepara vários lançamentos a partir do segundo semestre. Em outubro, por exemplo, deve sair a coletânea Clarice na Cabeceira – Jornalismo, que vai reunir textos publicados na imprensa ao longo de quase quatro décadas.

Organizada por Aparecida Maria Nunes, a obra pretende oferecer uma amostra consistente da forma singular como Clarice praticava o jornalismo, seja no papel de repórter, entrevistadora, colunista de páginas femininas ou cronista, além de ajudar a traçar um perfil do próprio jornalismo brasileiro nesse período.

Também a obra infantojuvenil da escritora vai ganhar nova edição, com um projeto gráfico reformulado e volumes em capa dura. Os primeiros serão A Vida Íntima de Laura, ilustrado por Odilon Moraes, e A Mulher Que Matou os Peixes, por Renato Moriconi. 

TRECHO

“Esse livro (Um Sopro de Vida) provocou em mim um efeito similar ao dos primeiros romances que li do sul-africano J. M. Coetzee. Cada frase acumula tal quantidade de significados, é tão densa, rotunda e rica que eu preciso parar antes de sentir um impacto semelhante a trombar com uma parede (…)

O romance é recheado de frases memoráveis sobre a criação literária e a passagem do tempo, o desespero e a multiplicidade humana, incluindo a necessidade de se falar de si mesmo, a procura por um interlocutor e o fato de se encontrar isso dentro de si mesmo. Quero citar frases dela na edição em livro do roteiro de A Pele Que Habito.”

Trecho da carta de Pedro Almodóvar a Benjamin Moser

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Amazon vs. Editoras

Matéria da Bloomberg Businessweek que trata das tensões entre Amazon e as editoras [Via Booktailors]:

There’s a glaring anachronism at the center of most Amazon.com (AMZN) fulfillment centers: aisle after aisle of old-fashioned books. Amazon stocks these volumes for the many customers who still favor the tangible pleasures of reading on paper. Yet the company is relentless about increasing efficiency and has at the ready an easy way to remove some of those bookshelves: on-demand printing. With an industrial-strength printer and a digital book file from the publisher, Amazon could easily wait to print a book until after a customer clicks the yellow “place your order” button. The technology is championed by those who want to streamline the book business—and it might turn out to be a flash point in the hypertense world of publishing.

The book industry isn’t eager to embrace any more wrenching changes. The introduction of the Kindle in 2007, and Amazon’s insistence on a customer-friendly $9.99 price for new releases, has set off a multifront fracas. Efforts by the largest publishers to sidestep Amazon’s pricing strategy attracted the attention of the U.S. Department of Justice, which recently filed an antitrust lawsuit against Apple (AAPL) and five book publishers over their alleged collusion to raise e-book prices. (Three publishers have settled the lawsuit.) The issue of print on demand has taken a backseat as this e-book drama plays out.

Yet executives at major New York-based book publishers, who requested anonymity because of the legal scrutiny of their business, say Amazon regularly asks them to allow print on demand for their slower-selling backlist titles. So far they’ve declined, suspecting that Amazon will use its print-on-demand ability to further tilt the economics of book publishing in its favor. Asking publishers to move to print on demand “is largely about taking control of the business,” says Mike Shatzkin, founder of Idea Logical, a consultant to book publishers on digital issues. “It adds some profit margin, but it also weakens the rest of the publishing universe.”

Print on demand has been around for more than a decade. In 1997, the largest book wholesaler in the U.S., now known as Ingram Content Group, started a division called Lightning Source to serve publishers who wanted to print limited copies of certain books. In 2005, Amazon acquired a rival print-on-demand provider, BookSurge, and began offering publishers the option of supplementing inventory with print-on-demand copies when physical volumes of a title sell out. Now called CreateSpace, the Amazon subsidiary mostly caters to small publishers and self-published authors. The technology has gotten better over time, and print-on-demand books are now indistinguishable from most paperbacks.

Publishers worry that a widespread shift to print on demand could, like the advent of e-books, disrupt their century-old business model. Companies such as Random House and Simon & Schuster have spent decades investing in their own supply chains, storing books in giant warehouses and developing the transportation infrastructure to ship those volumes to stores within days. If print on demand became widespread, publishers could cut their fixed costs and solve the perennial problem of stores returning unsold books. But that would throw into doubt almost everything else about the way big publishers conduct business, since they’re compensated based on the range of services they provide, from editorial guidance to storage and distribution. Print-on-demand technology would make it harder for the publishers to justify keeping a large majority of a book’s wholesale price.

One of the New York publishing chiefs says that even allowing titles to be printed on demand by Amazon when shortages occur is a bad idea, since it might encourage the company to order fewer printed books. And having a limitless inventory would give Amazon yet another edge over retailers such as Barnes & Noble (BKS), which publishers want to keep in business as a counterweight to the e-commerce juggernaut. Another top executive of a major New York publisher says there’s too little trust in Amazon to consider its print-on-demand services.

Amazon is not the only company trying to usher reluctant big publishers into a print-on-demand future. In the late 1990s veteran Random House editor Jason Epstein had a vision of an ATM-like machine that could produce hard-to-find books, and in 2003 created the company On Demand Books to develop the idea. Today its Espresso Book Machine, manufactured by Xerox (XRX) and costing about $100,000, sits in a few dozen bookstores around the country. It takes about four to five minutes to download and print a high-quality paperback. Last fall, HarperCollins Publishers, a division of News Corp. (NWSA), became the first major publisher to make part of its catalog available to On Demand Books, offering about 5,000 older volumes. Yet the machines still offer an extremely narrow selection of popular titles, which has limited their appeal. “The catalog is huge, but it’s overwhelmingly public domain,” says On Demand Books Chief Executive Officer Dane Neller, referring to older books no longer under copyright. “That’s a function of publishers’ reluctance to upset their existing supply chain, though we hope and believe that will change.”

As the digital transition upends the industry, resistance to on-demand printing may fade. Smaller publishers that have already made the switch away from printing and storing their own books say it’s well worth it. “Instead of putting all those books in a warehouse, you free up cash flow to invest in R&D,” says Laura Baldwin, president of O’Reilly Media, a publisher of technical books that moved to print on demand last year and shed $1.6 million in inventory cost. “You can invest in the technical future of publishing as opposed to printed books that are sitting in the warehouse.”

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“O apelo por publicações científicas grátis”

Extraído do blog de Luis Nassif:

A guerra dos cientistas contra as revistas científicas e as suas ávidas assinaturas também recrutou a Wikipédia. O governo britânico pediu que o fundador da enciclopédia na web, Jimmy Wales, publique gratuitamente todos os artigos científicos obtidos com o dinheiro dos contribuintes ingleses.

…..A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 03-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa é a última ofensiva da campanha batizada de “Primavera da Academia”, que teve início em janeiro pelo blog do matemático de Cambridge Timothy Gowers. Desde então, 11 mil cientistas de todo o mundo aderiram ao apelo de boicotar a editora Elsevier, a maior do setor, que recebe gratuitamente os artigos dos cientistas para, depois, impor às suas revistas assinaturas que variam de 20 a 40 mil dólares.

Os cientistas da Primavera da Academia, através do blog www.thecostofknowledge.com, se comprometem a não fornecer artigos, consultoria nem trabalho editorial à Elsevier, acusada em 2011 de ter acumulado lucros de 2,1 bilhões de dólares (com uma margem de 36% sobre as receitas), sobre os ombros da ciência financiada pelo dinheiro público.

Além de cientistas individuais, também se uniram ao boicote o Wellcome Trust, de Londres, e a Universidade de HarvardMark Walport, presidente do Wellcome Trust (o maior financiador de pesquisas médicas do mundo, depois da Fundação Gates), anunciou o lançamento de uma nova revista online completamente gratuita: eLife. Já a Harvard convidou a sua equipe a publicar todas as pesquisas gratuitamente no site da universidade. A gigante de Boston gasta 3,75 milhões de dólares por ano apenas em revistas científicas.

“Seguir em frente assim não é possível”, escreveu o governo da faculdade em seu apelo aos pesquisadores. O negócio da editoração científica chega a 10 bilhões de dólares, com 25 mil revistas especializadas e 1,5 milhões de artigos por ano. Dos quais apenas 20%, antes da Primavera da Academia, podia ser lido sem pagar.

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“Cassiano Elek Machado deixa direção da Cosac Naify”

Extraído do site do Estadão:

Maria Fernanda Rodrigues – O Estado de S.Paulo

Depois de quatro anos como diretor editorial e responsável por mais de 300 lançamentos, Cassiano Elek Machado foi desligado na manhã desta sexta, 13,  da Cosac Naify.

Quem assume a função é a antropóloga Florencia Ferrari, na Cosac há 10 anos como editora e coordenadora da área de ciências sociais. É autora também de um infantil publicado pela casa.

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“Uma nova ordem no mercado editorial brasileiro” – André Miranda

Texto do jornalista André Miranda sobre o novo perfil do mercado editorial brasileiro. Publicado no jornal O Globo:

RIO – Em 2012, a nova realidade do mercado editorial brasileiro vai permitir que um autor seja representado por um agente baseado em Nova York, tenha seu original aprovado por um executivo morando em Portugal, assine um contrato com uma empresa da Espanha e seja imediatamente traduzido para uma editora na Inglaterra. Com a iminente chegada de um gigante da venda de livros virtuais, a nova realidade do mercado pode permitir, ainda, que a obra daquele autor seja lida com facilidade em qualquer canto do país, com um simples toque num botão de um tal Kindle.

Como tem sido repetido por aí em outras áreas, o Brasil também se tornou a “bola da vez” nos livros. A última etapa desse movimento foi o anúncio, na última semana, de que a jornalista Luciana Villas-Boas deixará o poderoso cargo de diretora editorial do Grupo Record, um dos maiores do país, para se dedicar a uma nova agência literária, chamada Villas-Boas & Moss. Hoje, o mercado brasileiro conta apenas com uma agência de relevância para livros estrangeiros e nacionais, a Agência Riff, cujos autores incluem Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Lya Luft e Zuenir Ventura.

— Não fazia sentido o Brasil ainda estar desprovido de mais agências — afirma Lucia Riff, fundadora da Agência Riff. — O fato é que as editoras brasileiras estão mais sólidas, com expectativa de crescimento. A estabilidade da economia, o edital da Biblioteca Nacional de apoio a traduções e o surgimento dos e-books favorecem o mercado. É curioso que, enquanto vemos uma Europa em crise, aqui temos uma meta a ser alcançada para os livros. Temos um público a conquistar, diferentemente de outros países.

Luciana Villas-Boas, por sua vez, prefere não revelar ainda quem serão os autores de sua agência (leia entrevista na página 2), mas é praticamente certo que Edney Silvestre, Alberto Mussa, Francisco Azevedo e Rafael Cardoso, todos escritores publicados pela Record, estarão entre eles. Ela admite que o bom momento do setor pesou em sua decisão de montar a empresa, mas faz um alerta quanto a comentários nacionalistas que vem ouvindo sobre o investimento de grupos estrangeiros no Brasil:

— O impacto de uma internacionalização da indústria brasileira do livro é positivo para aumentar a profissionalização das relações. Nos EUA, a maior parte da indústria editorial já está completamente desnacionalizada. Há poucas editoras de peso que não foram compradas por grupos estrangeiros. Isso não afeta a literatura americana — diz.

Editoras preparam reestruturação

A nova agente literária se refere às aquisições recentes de editoras brasileiras por grupos estrangeiros. No ano passado, a editora portuguesa Leya, que tem operações no Brasil desde setembro de 2009, comprou 59% das ações da editora carioca Casa da Palavra e ainda passou a cuidar dos lançamentos das obras da Barba Negra, empresa especializada em quadrinhos.

Em dezembro, a principal notícia que surpreendeu o mercado, porém, foi a compra de 45% das ações da Companhia das Letras pelo grupo britânico Penguin, num negócio que pode ter ficado na casa dos R$ 50 milhões. A própria Record, onde Luciana vai se manter como diretora até 31 de março, já sofreu investidas de editoras estrangeiras.

— Eu coloco várias condições para começar uma conversa. Quero saber qual o grau de interesse em comprar a empresa e se será um processo que vai somar. Já houve interesse, mas nunca percebi solidez nas ofertas — afirma Sergio Machado, presidente do Grupo Record. — Acontece que, hoje, qualquer analista internacional que esteja pensando estrategicamente no segmento editorial precisa ter um plano-Brasil. Se eles não estiverem dispostos a entender os ideogramas chineses ou o alfabeto russo, o Brasil é o país que apresenta as melhores opções para o mercado. A questão é que o crescimento da renda da classe média brasileira e as melhorias da educação têm começado a dar resultado no aumento do consumo de livros.

Os sinais de mudança, porém, não estão apenas nas boas relações sendo firmadas entre o mercado editorial do Brasil com o exterior. Por aqui, chamam atenção o fortalecimento de editoras jovens, como a Novo Conceito e a Intrínseca, e a reestruturação de antigas. Assim como aconteceu com a Record, a Objetiva — que, aliás, teve 75% de suas ações compradas pelo grupo espanhol Prisa-Santillana em 2005 — perdeu sua diretora editorial, Isa Pessoa, no fim do ano passado. Ela está na Itália e voltará a atuar no mercado em fevereiro de forma ainda não anunciada. Ambas as companhias estão fazendo reformulações e devem dividir as antigas funções de direção editorial entre mais de um profissional.

Na Companhia das Letras, as novidades vão além. Agora com quatro publishers respondendo a Luiz Schwarcz, a empresa planeja novas frentes editoriais para este ano, sobretudo nos ramos dos livros digitais e nos didáticos, e está reestruturando seu departamento de marketing. Já a Ediouro contratou em setembro Sandra Espilotro, ex-Globo Livros, para dar foco na prospecção internacional dos negócios.

— Sou casado com uma historiadora, então acho que as mudanças não acontecem de uma hora para outra. Nos últimos anos, surgiram novos participantes, novas empresas, algumas estrangeiras, outras nacionais. É um sinal de força que vem se construindo — afirma Schwarcz. — Já faz tempo, por exemplo, que o mercado brasileiro é um importante comprador de direitos. Compramos royalties em valores bastante altos e estamos na prioridade dos agentes literários.

Todos esses investimentos ocorrem, ainda, em meio às especulações sobre o início da operação da livraria virtual Amazon, líder em vendas no mundo, no Brasil. No início deste ano, a empresa americana contratou Mauro Widman, ex-executivo da Livraria Cultura, como seu gerente de vendas para o Kindle. A Amazon já vem negociando com as editoras brasileiras há meses, mas o entrave tem sido o preço: a companhia teria pedido descontos de mais de 60% na venda de livros para lançar o serviço, o que desagradou as casas nacionais. Porém, recentemente a Amazon cedeu a percentuais menores, com a intenção de lançar seus serviços em até seis meses.

Venda de e-books ainda é insignificante

A Amazon também estuda como fará para vender seu leitor de e-books, o Kindle, no país. Hoje, o aparelho só pode ser importado de seu site internacional, mas a empresa estuda até fabricá-lo no Brasil. Se os acordos se concretizarem, o Kindle pode representar o maior incentivo até o momento para a popularização dos e-books — apesar do investimento recente das editoras e de livrarias como a Cultura e a Saraiva, a venda de livros virtuais ainda é quase insignificante frente a de obras físicas.

— A Amazon vai chegar, e a tendência é que os tablets como o Kindle comecem a ficar acessíveis ao grande público. A partir daí o mercado de e-books vai existir — afirma Pascoal Soto, diretor editorial da Leya no Brasil. — Antes mesmo desse período de vacas gordas da economia, o setor dos livros no Brasil já era atraente para o mundo. As pessoas começaram a perceber que existe um país interessantíssimo além do carnaval e do futebol.

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Tinta-da-China chega ao Brasil

A Tinta-da-China tem um excelente catálogo e os livros são lindos. Sem qualquer dúvida, podem surgir obras imprescindíveis em nossas livrarias, como Mark Twain, ainda pouco traduzido no Brasil. Segue matéria do Globo:

RIO – Logo em sua estreia, em 2005, a editora portuguesa Tinta-da-china movimentou o mercado editorial de seu país com o lançamento de “O pequeno livro do grande terramoto”, de Rui Tavares, sobre o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. A obra ganhou o prêmio de melhor ensaio do ano, esgotou cinco edições e projetou o autor, que se elegeu deputado do Parlamento Europeu. De lá para cá, a editora ganhou prestígio e lançou quase 180 títulos.

Seleção de crônicas

Agora, a Tinta-da-china desembarca no Brasil, atraída pelos bons ventos da economia local e impulsionada pela crise europeia.

— A Europa está numa crise tremenda — diz Bárbara Bulhosa, que foi livreira por dez anos antes de fundar a Tinta-da-china. — Pensamos: “Para onde expandir? Onde poderíamos ter mais receptividade?”. Para o Brasil. E não só porque o país está crescendo, incentivando a leitura, criando uma camada nova de leitores. Mas é também porque é nossa língua, interessa-me divulgar autores portugueses que não estão aqui.

O primeiro livro sai em março. É uma seleção de crônicas de Ricardo Araújo Pereira, um dos grandes fenômenos do humor português, convidado do festival Risadaria deste ano, em São Paulo. Em seguida, é a vez do romance “O retorno”, de Dulce Maria Cardoso, considerado um dos livros de 2011 em Portugal pelo jornal “Público” e pelas revistas “Ler” e “Time Out”. E, depois, “E a noite roda”, romance de estreia de Alexandra Lucas Coelho, correspondente do “Público” no Brasil.

Diferentemente da LeYa e da Babel, outras duas editoras portuguesas que já estão no Brasil e vêm ampliando sua atuação, a Tinta-da-china tem um catálogo pequeno.

— Somos uma editora independente, que lança 40 livros por ano e associa qualidade e venda. Recusamos várias propostas de compra, queremos manter a independência.

Em 2008, a Tinta-da-china ganhou o prêmio de melhor editora portuguesa, conferido pela Ler/Booktailors. Na justificativa, é dito que ela “combina a qualidade editorial à gráfica, aposta em bons materiais e mantém essa forte coerência em todos os livros que publica”.

— Gostamos do livro como objeto e acreditamos na sua viabilidade — diz Bárbara, que ainda não publica e-books.

A ideia não é se limitar aos autores portugueses. A Tinta-da-china vai estrear no universo infantil justamente com uma brasileira, Tatiana Salem Levy (“A chave de casa” e “Dois rios”). Ela já começou a escrever o primeiro livro da coleção, que será editado simultaneamente no Brasil e em Portugal.

— Publicaremos também obras de referência na literatura internacional que não se encontram disponíveis no Brasil.

Entre as coleções da editora, um dos destaques é a de literatura de viagens, que inclui desde Werner Herzog e Saul Bellow até Alberto Moravia e Mark Twain.

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