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“O Ângelo de Lima que nos olha” – Jorge Fernandes da Silveira

Uma linda análise feita pelo professor Jorge Fernandes da Silveira, em diálogo com o artigo “O Lima Barreto que nos olha”, da professora Beatriz Rezende:

SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado

Na doida correria em que levado

Ia em busca da paz, do esquecimento…


Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára m cavalo alucinado

Ante um abismo súbito rasgado…

Pára e fica e demora-se um momento.


Pára e fica na doida correria…
Pára à beira do abismo e se demora

E mergulha na noite escura e fria


Um olhar de aço que essa noite explora…
Mas a espora da dor seu flanco estria

E ele galga e prossegue sob a espora.

Ângelo de Lima. “Porto, 30 de Julho de 1872Lisboa, 14 de agosto de 1921 (49 anos), pintor e poeta louco da revista Orpheu.

Conhecido como o soneto da entrada na loucura, transcrevo-o quase imediatamente à leitura do bem achado e informado texto de pesquisa de Beatriz Resende sobre o nosso Lima Barreto (1881 – ­1922). Também nosso é o outro Lima, não sem a ironia de certas coincidências, o louco “de verdade” da revista Orpheu, de Pessoa & Cia, em cujo segundo número publica o soneto. Não me proponho, é claro, a nenhuma comparação entre os dois escritores. Nem avançar na biografia do “alienado do manicómio de Rilhafoles”, filho de pai suicida, retornado de África, alcoólatra, de passagens pelo Colégio Militar (é expulso) e pela Academia de Belas-Artes, internado com o diagnóstico de “delírio de perseguição”, e mantido preso até o fim da vida, declarado esquizofrênico paranóide pelo psiquiatra Miguel Bombarda. Reitero, sim, o elogio ao comovente documento do que Beatriz nos dá a ler, a ver (com prazer, hélas!): a busca de uma foto imaginariamente existente. Os traços de parecença nas fotos dos limas impressionam: pronunciados menos no nariz grande, mais alto num, mais largo noutro, têm eloquencia igual no olhar e na boca de ambos, onde o que é fixidez inquiridora nos olhos de Lima Barreto parece estar a ponto de expressar perturbadora pergunta em lábios de Angelo de Lima. Vindos do século XIX, coexistentes em vida – ambos morrem aos 40 anos no início dos novecentos, do Modernismo –, deixam uma história da loucura associada à miséria, ao preconceito, ainda por investigar entre os nossos homens de letras, ou, perdão, como bem diz a ensaísta e pesquisadora, entre os contemporâneos, em que “ao crítico literário, ao pes­quisador, cabe, ao que me parece, sobretudo um trabalho de cartografia que atravessa todas essas formas de manifestação, formando um sistema de possíveis.”

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“RMS Empress of Britain under constrution”

Fotografia e informações extraídas do site Retronaut:

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“The RMS Empress of Britain was an ocean liner built between 1928 and 1931 by John Brown shipyard in Scotland and owned by Canadian Pacific Steamship Company, providing trans-Atlantic passenger service between Canada and Europe from 1931 until 1939.

“She was torpedoed on 28 October 1940 by U-32 and sank. She was the largest liner lost during the Second World War and the largest ship sunk by a U-boat.”

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David Hamilton (1933)

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O fim da guerra em Piccadilly

Uma bela cena do fim da Segunda Guerra Mundial, em Piccadilly, com civis, policiais e soldados:

Sem TítuloAutor desconhecido

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As mãos de Pina Bausch

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Haruo Ohara (1909-1999)

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Martín Chambi

Extraído do blog do Instituto Moreira Salles. Conforme informação abaixo, as 88 fotografias de Martín Chambi podem ser visualizadas no site do IMS:

Martín Chambi (1891-1973), de origem camponesa, nasceu no povoado de Coaza, província de Puno, às margens do lago Titicaca, no Peru. Iniciou-se na fotografia ainda jovem, ao obter uma colocação como assistente de fotógrafo na Mineradora Santo Domingo, na cidade de Cambaya, para onde seus pais se mudaram impulsionados pelo ciclo do ouro na região.

Já em Arequipa, em 1908, teve como mestre Max T. Vargas, célebre fotógrafo local, com quem trabalhou até montar seu próprio estúdio em Sicuani, nove anos depois. Na ocasião, publica de forma pioneira no Peru seus primeiros cartões postais.

Também de origem indígena, Chambi se dedicou a registrar a população nativa do Peru, principalmente as etnias Quéchua e Aymará, com uma abordagem diferente da forma exótica comum à época. Registrou a humildade da vida andina sem desrespeitá-la, tornando seu trabalho reconhecido mundialmente tanto pelo caráter etnográfico quanto pelo aspecto artístico.

Primeiro a fotografar Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, descoberta em 1911, Chambi ficou também conhecido como fotojornalista, tendo trabalhado nos jornais locais de Cusco. Teve também fotos publicadas em outros países, como no jornal argentino La Nación e na revista National Geographic.

Em 1977, quatro anos após sua morte, os filhos, Victor e Julia Chambi, e o fotógrafo e antropólogo americano, Edward Ranney, catalogaram as 14 mil placas de vidro do fotógrafo. A pesquisa resultou em uma grande exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA), em 1979. A forte repercussão internacional levou essa mostra a circular por museus e universidades americanas, passando pelo Canadá e terminando na Photographer’s Gallery, de Londres.

Na década de 1980 foram organizadas importantes mostras sobre a obra de Chambi, como a de 1981, que passa por Zurique, Berlim, Madrid e Roterdã, e a de 1984, com curadoria de Juan Carlos Belón, apresentada em Veneza. Desde então várias exposições vêm sendo exibidas em diversos países, inclusive no Brasil, como no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, em 2010.

Atualmente os originais de Chambi encontram-se no Archivo Fotográfico Martín Chambi, em Cusco, instituição fundada e dirigida por seu neto Teo Allain Chambi, que prima pela preservação e difusão da obra do avô. Em suas apropriadas palavras, Martín Chambi é o primeiro fotógrafo de sangue indígena a retratar seu próprio povo com altivez e dignidade somadas a um altíssimo nível técnico, um olhar excepcional e um magistral domínio da luz.

As 88 imagens que agora podem ser vistas no site do IMS, fotografadas entre 1919 e 1948, são provenientes dessa fundação, e foram selecionadas e ampliadas a partir de seus negativos originais de vidro, nos anos 1980, por Teo Chambi.

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