120 batimentos por minuto, direção de Robin Campillo

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4 Respostas para “120 batimentos por minuto, direção de Robin Campillo

  1. JORGE

    EDUARDO, meu Amigo querido, vou dar uma batida hoje no cinema mais próximo da minha casa
    120+1

    • Eduardo Coelho

      Jorge, querido, gostou? Bjs

      • JORGE

        “O AMOR EM VISITA”
        Quando se fizer o filme das despedidas de amantes em estações de trem, não há nenhuma que se compare às do cinema italiano ou de filmes passados na Itália. Ontem, à saída de “Me chame pelo seu nome”, dizia o rapaz à jovem, talvez a namorada, não gostei do filme, muito longo, não gosto do didatismo do pai (Talvez tenha lido críticas favoráveis ao “120”). Não concordo. No justo discurso do Pai (num ponto remoto do norte da Itália), sabedor do relacionamento homoerótico do filho com o colega pesquisador em visita, o que vejo é a expressão comovida, inteligente, entre uma vivência pessoal homoafetiva não assumida no passado e a experiência adquirida no presente, através do amor do próprio Filho pelo seu visitante, vindo da conservadora Nova Inglaterra. Sobre a pedagogia (não a didática) do amor homoerótico, “120 batimentos por minuto” também nos ensina. São dois filmes tão próximos quanto distantes. Avançar na hipótese exigiria um ensaio, não uma resposta ao meu querido Eduardo. Se houver ensaio, em primeiro lugar, o ritmo entre os dois filmes, prestíssimo no francês – quem morre por Amor tem pressa pela vida – e pianíssimo no italiano – quem morre de Amor não, tem medo da despedida –, marcará os seus batimentos. Em segundo lugar, o papel da Mãe nos dois filmes, seja entre Sean e Nathan, seja entre Elio e Oliver, é uma questão a exigir tempo de ensaio e erro. Talvez por erro de tradução – por onde anda meu francês, ó maître – a reação da mãe chilena (que só aparece no fim) ao saber da morte do filho, Sean, de pai ausente, se manifesta num “droga”, que não me parece ambíguo, sequer (?). Tenho que apurar a “análise”, porém. Voltar ao fim do filme, interpretar a porcentagem de cinzas que também ela quer para si. Para o pai de Elio, na cena da lição “didática” que não agrada ao jovem (talvez) universitário, a mãe não sabe de nada. (Embora o seu silêncio, eloquente no gesto e no olhar parados, o desminta). Igualmente ignorantes (ou cúmplices, talvez, pela juventude) das sexualidades (arqueológicas em certa medida) em exibição na tela, me parecem as jovens, secundárias, usadas como corpos de ensaio para os amantes protagonistas. De ouvido atento às várias línguas faladas e às diferentes linguagens em jogo nos dois filmes, interessa notar o nome em jogo entre o político e o erótico (não necessariamente entre o público e o privado). Num, a AIDS, a droga, a posse da dose justa que a enfrenta, sua economia de troca e propaganda, na luta dos ativistas do Act Up contra o Governo e o Laboratório; noutro, me chame pelo seu nome Elio que eu o chamo pelo meu nome Oliver, uma troca perfeita, na ilusão de amantes de que há rapport sexuel, não uma luta entre dois contrários, um contra o outro. De ouvido de tuberculoso, de professor, digo, de uma coisa eu tenho certeza, foi o tempo quem me confirmou, quando se fizer a sequência das cenas de despedida de amor e dor nas estações de trem, “Me chame pelo seu nome” é já um carro-chefe. Sim. Chame pelo Nome da Mãe para [me] o levar de volta pra casa. E é isso que faz Elio ao atravessar o verão que termina, o outono que se aproxima, para chegar ao inverno do seu amadurecimento. E é uma bela cena, a final, entre lágrimas (de um lago outro) e o fogo da lareira (o verão domesticado). E é uma bela cena de renascimento, afinal, em que a mãe o chama pelo seu nome próprio – ELIO – para sentar-se à mesa. E parece Natal.

  2. JORGE

    “O AMOR EM VISITA”

    Um texto transforma-nos. Age.

    Eduardo Prado Coelho

    Quando se fizer o filme das despedidas de amantes em estações de trem, não há nenhuma que se compare às do cinema italiano ou de filmes passados na Itália. Ontem, à saída de “Me chame pelo seu nome”, dizia o rapaz à jovem, talvez a namorada, não gostei do filme, muito longo, não gosto do didatismo do pai (Talvez tenha lido críticas favoráveis ao “120”). Não concordo. No justo discurso do Pai (num ponto remoto do norte da Itália), sabedor do relacionamento homoerótico do filho com o ex-aluno em visita, o que vejo é a expressão comovida, inteligente, entre uma vivência pessoal homoafetiva não assumida no passado e a experiência adquirida no presente, através do amor do próprio Filho pelo seu visitante, vindo do interior da conservadora Nova Inglaterra. Sobre a pedagogia (não a didática) do amor homoerótico, “120 batimentos por minuto” também nos ensina. São dois filmes tão próximos quanto distantes. Avançar na hipótese exigiria um ensaio, não uma resposta ao meu querido Eduardo. Se houver ensaio, em primeiro lugar, o ritmo entre os dois filmes, prestíssimo no francês – quem morre por Amor tem pressa pela vida – e pianíssimo no italiano – quem morre de Amor não, tem medo da despedida –, marcará os seus batimentos. Em segundo lugar, o papel da Mãe nos dois filmes, seja entre Sean e Nathan, seja entre Elio e Oliver, é uma questão a exigir tempo de ensaio e erro. Talvez por erro de tradução – por onde anda meu francês, ó maître – a reação da mãe chilena (que só aparece no fim) ao saber da morte do filho, Sean, de pai ausente, se manifesta num “droga” (merde?), que, em português soe ambíguo, talvez. Tem um não-sei-o-quê de mal acordado o seu luto. Tenho que apurar a “análise”, porém. Voltar ao fim do filme, interpretar a porcentagem de cinzas que também ela quer para si. Na montagem do texto, um trabalho de corte à maneira do [corte] cinematográfico, vale a pena rever a participação no [h]AJA AGORA da mãe ativista do menino que pegou AIDS via transfusão de sangue, indo ao encontro da mãe da vítima da vez, Sean, ou do seu (im)provável futuro. Para o pai de Elio, na cena da lição “didática” que não agrada ao jovem (talvez) universitário, a mãe não sabe de nada. (Embora o seu silêncio, eloquente no gesto e no olhar parados, o desminta). Ignorantes (ou cúmplices, talvez, pela juventude) das sexualidades (arqueológicas em certa medida) em exibição na tela, me parecem as jovens, secundárias, usadas como corpos de ensaio para os amantes protagonistas. De ouvido atento às várias línguas faladas e às diferentes linguagens em jogo nos dois filmes, interessa notar o nome em jogo entre o político e o erótico (não necessariamente entre o público e o privado). Num, a AIDS, a droga, a posse da dose justa que a enfrenta, sua economia de troca e propaganda, na luta dos ativistas do Act Up contra o Governo e o Laboratório; noutro, me chame pelo seu nome Elio que eu o chamo pelo meu nome Oliver, uma troca perfeita, na ilusão de amantes de que há rapport sexuel, não uma luta entre dois contrários, um contra o outro. De ouvido de tuberculoso, de professor, digo, de uma coisa eu tenho certeza, foi o tempo quem me confirmou, quando se fizer a sequência das cenas de despedida de amor e dor nas estações de trem, “Me chame pelo seu nome” é já um carro-chefe. Sim. Chame pelo Nome da Mãe para [me] o levar de volta pra casa. E é isso que faz Elio ao atravessar o verão que termina, o outono que se aproxima, para chegar ao inverno do seu amadurecimento. E é uma bela cena, a final, entre lágrimas (de um lago outro) e o fogo da lareira (o verão domesticado). E é uma bela cena de renascimento, afinal, em que a mãe o chama pelo seu nome próprio – ELIO – para sentar-se à mesa. E parece Natal.

    25/30 de janeiro de 2018

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