“Blackbird”, de Marcos Siscar

BLACKBIRD

agora que o preto pássaro da noite desce
ouçamos a canção a canção do vento. não é triste
não é triste como a criança afogada. só um tecido
sobre um corpo nu um arrepio. esta canção
que meus amigos cantam os últimos goles
da nossa urgência. nossa urgência não me deixe
afogar não me deixe dentro d’água natureza.
me mostre as coxas me manche os lábios
com dedos de saliva e batom. sentirei sua intimidade
por baixo da roupa a maciez e a ardência. tenho medo
de você e estamos juntos quando o dia vem

 

Interior via satélite, Ateliê Editorial, 2010

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