“Ontem”, de Carlos Drummond de Andrade

 

Até hoje perplexo
ante o que murchou
e não eram pétalas.

De como este banco
não reteve forma,
cor ou lembrança.

Nem esta árvore
balança o galho
que balançava.

Tudo foi breve
e definitivo.
Eis está gravado

não no ar, em mim,
que por minha vez,
escrevo, dissipo.

 

Do livro A rosa do povo, de 1945

4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para ““Ontem”, de Carlos Drummond de Andrade

  1. Roberto Rocha

    Lindo…

  2. Drummond… sempre cirúrgico, incisivo, pungente, sem meias palavras! Bela postagem!🙂

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