Correspondência édita

Publicado na revista Ler, em minha coluna, na edição de dezembro de 2013:

A edição da revista Granta n. 2, publicada em Portugal, apresenta como inédita a correspondência entre Carlos Drummond de Andrade e Jorge de Sena. Não procede de todo.

Muitas partes dessa correspondência já foram publicadas no ensaio “Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Sena and international prizes: a personal correspondence”, de Frederick G. Williams, que foi professor da Universidade da Califórnia e da Universidade de Brigham Young. O ensaio encontra-se na revista Quaderni Portoghesi n. 13/14, de 1983; em agosto de 2012, o site Ler Jorge de Sena reproduziu o mesmo.

Jorge Fazenda Lourenço, professor da Universidade Católica Portuguesa, assinou a apresentação dessa correspondência na revista Granta. Ele também é autor de duas bibliografias sobre Jorge de Sena: Uma bibliografia sobre Jorge de Sena (Cotovia, 1991), que foi atualizada, em 1998, no Boletim n. 13 do Centro de Estudos Portugueses da UNESP/Araraquara. Em ambas consta o ensaio do professor Frederick Williams, com quem Fazenda Lourenço ainda organizou Uma bibliografia cronológica de Jorge de Sena (IN-CM, 1994).

Seria de bom tom, na edição da Grata, que houvesse ao menos uma referência ao importante trabalho desenvolvido pelo professor Williams, bem como ao fato de algumas cartas terem sido publicadas integralmente ou parcialmente em seu estudo e no site da Ler Jorge de Sena.

1 comentário

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Uma resposta para “Correspondência édita

  1. Na minha qualidade de director da revista Granta Portugal enviei à revista LER a resposta que transcrevo em seguida, resposta que lamentavelmente a publicação não publicou nem sequer referiu no número seguinte.

    UM ESCLARECIMENTO SOBRE INÉDITOS
    [a propósito de uma referência à GRANTA na edição de Dezembro da revista LER]

    A revista Granta Portugal publicou na íntegra, no seu segundo número, a correspondência trocada entre Jorge de Sena e Carlos Drummond de Andrade.
    É, para todos os efeitos, a publicação de um inédito, como tentarei demonstrar adiante.
    O colunista Eduardo Coelho escreve na edição de Dezembro da revista LER que considerar inédita esta publicação “não procede de todo”. Apoia a sua opinião no facto de uma parte dessa correspondência já ter tido publicação num ensaio académico de 1983, da autoria de Frederick G. Williams.
    Na realidade, a primeira carta de Drummond (com um erro de transcrição) e excertos de outras cartas, encontram-se transcritos em “Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Sena and International Prizes: a Personal Correspondence”, Quaderni portoghesi, n.º 13/14, Primavera/Outono de 1983 (Pisa: Giardini editori, 1985), pp. 331-358.
    Na edição da Granta considerámos a possibilidade de inserir uma nota com este e outros aspectos de contextualização académica, tendo prevalecido – por consenso entre a direcção da revista e o editor responsável pela correspondência, o professor universitário Jorge Fazenda Lourenço – a opção de limitar ao máximo as notas de rodapé e o aparato crítico, por questões de espaço e por não ser a Granta uma revista de carácter académico.
    Porque havemos então de considerar inédita a publicação da correspondência entre os dois grandes poetas? As razões são fáceis de entender: foi a primeira vez que tal correspondência teve publicação integral, revelando nomeadamente que Sena propôs Drummond ao prémio Books Abroad, considerado à época a antecâmara do Nobel. Uma parte da correspondência entre os dois poetas refere-se, aliás, a essa proposta desconhecida até à publicação da Granta.
    Acontece que o próprio Frederick G. Williams – chamado à liça à revelia – cauciona a perspectiva de que estamos perante a publicação de um inédito. Publicada em 1994, a obra intitulada “Uma bibliografia cronológica de Jorge de Sena (1939-1994)” apresenta um “Apêndice de inéditos” (entrada n.º 913, pg. 207) no qual se inclui a correspondência com Carlos Drummond de Andrade. Essa obra, com a colaboração de Mécia de Sena, é assinada por Jorge Fazenda Lourenço e… Frederick G. Williams. O que significa, portanto, que o próprio Frederick G. Wiliams – tal como os autores do trabalho apresentado no número 2 da revista Granta, Mécia de Sena e Jorge Fazenda Lourenço – considerava a obra inédita, apesar de já ter publicado o referido artigo sobre a correspondência nos Quaderni portoghesi.

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