“A cada três assassinatos no país, em dois as vítimas são de cor negra”

Taxa

Matéria publicada no site O Globo [via João Ximenes Braga]:

BRASÍLIA – O homem brasileiro negro perde 1,73 ano de expectativa de vida ao nascer — devido à violência — enquanto a perda do branco é de 0,71 ano. Além disso, a cor negra faz aumentar em cerca de oito pontos percentuais a probabilidade da pessoa ser vítima de homicídio. Os dados inéditos foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Boletim de Análise Político-Institucional. Os números vão constar ainda em um mapa do racismo no país que deverá ser divulgado pelo IPEA em até 30 dias. No boletim, sete artigos tratam de temas como a segurança pública, a pacificação das favelas e as manifestações de junho.

No texto “Segurança Pública e Racismo Institucional” os autores Almir de Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, respectivamente pesquisador do Instituto e acadêmica da área de Direitos Humanos da UnB, falam da desigualdade de acesso à segurança entre brancos e negros. O artigo também discute o racismo que existe na atuação policial. De acordo com levantamento de Júnior, a cada três assassinatos no país dois são de negros. Ainda de acordo com ele, no conjunto da população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, é calculado que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.

— Existe uma tendência de que os negros sofram maior repressão pelo sistema de justiça criminal, seja por uma vigilância mais incisiva por parte da polícia, ou por uma probabilidade maior de sofrerem punição — avaliou Júnior que constatou: — É comum que policiais trabalhem de forma discriminatória ao buscarem sua clientela, com base em estereótipos que têm a cor da pele dos suspeitos seu elemento principal.

De acordo com Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest) do Ipea, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil. Ele lembra que a taxa de homicídios — com base em números do IBGE 2010 e informações do Ministério da Saúde — é de 36,5 para 100 mil habitantes no caso de negros e de 15,5 para brancos. O percentual de negros vítimas de agressão que não procurara a polícia é 61,8% enquanto os brancos é de 38,2%. Para Cerqueira, o negro é discriminado pela sua condição social e cor da pele.

— A criminalidade e o racismo são doenças sociais complexa e esse problema é do governo e de toda sociedade. Não há soluções fácies. Houve mudanças nos últimos 20 anos, mas ainda há muito trabalho a fazer — disse Cerqueira.

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