“Sobre o lado esquerdo”, de Carlos de Oliveira

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.

No segundo caso, o homem que não dorme pensa: “o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu coração, esmagar o coração.”

Do livro Sobre o lado esquerdo, na edição Trabalho poético,
Lisboa, Assírio & Alvim

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