O amor cortês – Jacques Lacan

Para Jorge Fernandes da Silveira e Luciana Salles, reproduzo um trecho de “Deus e o gozo d’a mulher”, publicado no livro Mais, ainda, com texto estabelecido por Jacques-Alain Miller e tradução de M.D. Magno para a editora Jorge Zahar (2a edição, 1985). Nesta edição, o “a” que antecede a palavra “mulher”, no título, se encontra riscado. Eis o trecho sobre o amor cortês, na p. 94:

É uma maneira inteiramente refinada de suprir a ausência de relação sexual, fingindo que somos nós que lhe pomos obstáculos. É verdadeiramente a coisa mais formidável que jamais se tentou. Mas como denunciar seu fingimento?

Em vez de ficar aí boiando no paradoxo de o amor cortês ter aparecido na época feudal, os materialistas deveriam ver nele uma ocasião magnífica de mostrar, ao contrário, como ele se enraíza no discurso da fieldade, da fidelidade à pessoa. Em último termo, a pessoa, é sempre o discurso do Senhor, do Mestre. O amor cortês é, para o homem, cuja dama era inteiramente, no sentido mais servil, a sujeita, a única maneira de se sair com elegância da ausência da relação sexual.

3 Comentários

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3 Respostas para “O amor cortês – Jacques Lacan

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  2. jorge

    Eduardo, querido, profundamente comovido com a homenagem e os poemas de Carlos de Oliveira, mando-lhe a minha cantiga do amor medieval à portuguesa preferida. Ela é híbrida. Talvez Lacan gostasse.

    Par Deus, coitada vivo:
    pois non ven meu amigo.
    Pois non ven, que farei?
    Meus cabelos, con sirgo
    eu non vos liarei.

    Pois non ven de Castela,
    non é viv’, ai mesela,
    ou mi o detén el-Rei.
    Mias toucas da Estela,
    eu non vos tragerei.

    Pero m’eu leda semelho,
    non me sei dar conselho.
    Amigas, que farei?
    En vós, ai meu espelho,
    eu non me veerei.

    Estas dõas mui belas
    el mi as deu, ai donzelas,
    non vo-las negarei.
    Mias cintas das fivelas,
    eu non vos cingerei.

    Pero Gonçalves Portocarrero

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