Soneto XIX, de Rainer Maria Rilke

 

Ainda que se mude rápido o mundo
como figuras de nuvens,
todo o perfeito tomba
de volta ao primordial.

Por sobre a mudança e a marcha,
mais longe e mais livremente,
dura ainda o teu pré-canto,
deus com a lira.

Os sofrimentos não são reconhecidos,
o amor não é aprendido,
e o que na morte nos afasta

não é desvelado.
Unicamente a canção por sobre o campo
santifica e celebra.

 

De Sonetos de Orfeu, Tradução de José Miranda Justo,
Lisboa, Assírio & Alvim

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2 Respostas para “Soneto XIX, de Rainer Maria Rilke

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