“Boxe”, de Armando Freitas Filho

 

para meu filho

Lutamos no mesmo espelho
pelo mesmo espelho
com golpes espelhados, lutamos
e por cissiparidade abrimos
em abismo, dois espelhos
à nossa imagem e semelhança:
um contra consigo, outro
contra comigo, um contra um
contra o outro, um conta comigo
outro, consigo, e toco, sou tocado
até no espelho de troca onde
onde nos encontramos, sem saber como
do lado de um, do lado de outro
apesar de toda esquiva, pêndulo e sombra
nos espelhos idênticos e adversos.

Do recém-lançado Dever, de Armando Freitas Filho
São Paulo, Companhia das Letras

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