“Os filhos perdem-se na neve”, de Fiama Hasse Pais Brandão

 

Terrível sobre as montanhas de neve e névoa,
quando de súbito cai num excesso de branco opaco.
Perdi as figuras e mesmo todos os ruídos,
e estava só, na berma de um caminho fictício.
Os nomes, gritei-os sem som. Nem a minha voz
me fazia ouvir que era eu quem chamava.
Então, sem linhas ou volumes, concebi
o haver nenhum lugar. Sem voz, imaginei
que não sentia ao tempo. Somente foi
a morte das crianças longínquas,
e elas voltaram sem corpo, a sussurrar.

 

De Cenas vivas, Lisboa, Relógio d’Água.

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1 comentário

Arquivado em Poesia

Uma resposta para ““Os filhos perdem-se na neve”, de Fiama Hasse Pais Brandão

  1. “Os nomes, gritei-os sem som. Nem a minha voz
    me fazia ouvir que era eu quem chamava.”

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