Jornada Novas Cartas Portuguesas: 40 anos depois

JORNADA NOVAS CARTAS PORTUGUESAS: 40 ANOS DEPOIS

Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro

25 de abril de 2013

Comissão Científica e Organizadora:

Prof. Dr. Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ) – Presidente

Profª. Drª. Tatiana Pequeno – Vice-Presidente

Profª. Drª. Sofia de Sousa e Silva (UFRJ) – Coordenadora executiva

Profª. Drª. Luci Ruas (UFRJ) – Regente da Cátedra Jorge de Sena

Profª. Drª. Ana Luísa Amaral – (Universidade do Porto)

Beatriz Helena de Souza (PG/ UFF)

Leonel Velloso (PG/ UERJ)

Raquel Menezes (PG/ UFRJ)

Rhea Silvia Willmer (PG/ UFRJ)

 

Apoio:

 

FAPERJ

PR-3

Direção da Faculdade de Letras

Diretoria Adjunta de Extensão da Faculdade de Letras

 

8h30

Retirada de material e inscrição de ouvintes

9h

Abertura: Profª. Drª. Eleonora Ziller (UFRJ), Prof. Dr. Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ) e Profª. Drª. Luci Ruas (UFRJ)

9h30

Conferência NOVAS CARTAS PORTUGUESAS E A SÁBIA DESEDUCAÇÃO,

Drª Marinela Freitas (Universidade do Porto)

Apresentação: Profª. Drª. Sofia de Sousa Silva (UFRJ)

10h30

Intervalo

11h

Plenária 1

LUZES PORTUGUESAS NA CAVERNA DO PATRIARCADO BRASILEIRO, Profª. Drª. Constância Lima Duarte (UFMG)

 

“A CHAMA MAIS AGUDA”: AMOR E EROTISMO NA POESIA DE MARIA

TERESA HORTA, Profª. Drª. Conceição Flores (UnP/RN)

 

“DURAR É MELHOR QUE ARDER?” – A VIA CRUCIS DA PAIXÃO EM MARIA TERESA HORTA E CLARICE LISPECTOR, Profª. Drª. Ângela Beatriz de Carvalho Faria (UFRJ)

 

DAS CARTAS AOS CANTARES (A FICÇÃO PORTUGUESA NO CONTRAPONTO DA HISTÓRIA), Profª. Drª. Cinda Gonda (UFRJ)

Mediação de Me. Raquel Menezes (UFRJ)

13h – 14h30

Intervalo para almoço

14h30 – 16h

Sessões de comunicações

16h

Plenária 2

 

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS: A PALAVRA REVOLUCIONÁRIA, Profª. Drª Marlise Vaz Bridi (Mackenzie)

 

MARIA TERESA HORTA: PRIMEIROS ESCRITOS, Profª. Drª. Ana Maria Domingues (Unesp/ Assis)

 

“COMO UM PÁSSARO / A VOAR POR DENTRO”: A POÉTICA ERÓTICO-ECOLÓGICA DE MARIA TERESA HORTA, Profª. Drª Angélica Soares (UFRJ)

 

LUISA SIGEA E NICOLAS CHORIER: DO DIÁLOGO DOUTRINÁRIO À NOVELA LICENCIOSA, Profª. Drª. Sheila Moura Hue (UNIRIO)

Mediação de Profª. Drª. Tatiana Pequeno (UFRB)

18h

Plenária 3

“DO MEU CORPO O CANTO”: DO CORPO DAS FORMAS ÀS FORMAS DO CORPO, Prof. Dr. Emerson Inácio (USP)

 

INVENTAR O OUTRO, INVENTARIAR AMAR, Prof. Dr. Luis Maffei (UFF)

 

“A PARTE QUE É ANJO NO TEU CORPO”, MARIA TERESA HORTA, Me. Raquel Menezes (UFRJ)

 

NOVAS CARTAS E DEPOIS: AINDA CONTRA A PERIFERIA DO FEMININO Profª. Drª. Tatiana Pequeno (UFRB)

Mediação de Me. Leonel Velloso (Uerj)

20h

Leitura dramatizada de trechos de Novas Cartas Portuguesas, produzida e idealizada por Dília Gouveia e Cristiana Seixas, com a participação de Kátia Sasso (voz) e Ivo Carvalho (violão).

COMUNICAÇÕES (Bloco H)

14h30 – 16h

Mesa A: Clássico, anticlássico e Sophia de Mello Breyner Andresen

Júlia Osório (UFSC): “O mar de Sophia, releituras”

Leonardo de Barros (USP): “Poetas da atenção: Sophia Breyner de Mello Andresen e Al Berto”

Rodrigo Machado (UFF): “Sophia: ‘Poesia e revolução’”

Mediação: Profª. Drª. Sheila Moura Hue (UNIRIO)

Mesa B: Maria Teresa Horta, “O corpo, os corpos”

Luiz Guilherme Barbosa (UFRJ): “À margem do discurso: a poesia de Maria Teresa Horta”

Sara Pinho (FURG): “N’o delírio da palavra, dou a ver o infinito. Uma leitura do prazer n’As palavras do corpo, de Maria Teresa Horta”

Jorge Morais (Colégio Pedro II): “O prazer cantante da palavra poética: Uma leitura de poemas do Brasil, de Maria Teresa Horta”

Mediação: Profª. Drª. Ana Maria Domingues (Unesp/ Assis)

Mesa C: Questões do/para o feminino na literatura portuguesa

Luciana Moraes (UERJ): “A animalização do feminino: leitura de ´Um casaco de raposa vermelha´, de Teolinda Gersão”

Mariana Caser (UFF): “Nostalgia (e literaura) também são formas de vingança: antigas e novas formas de ler o amor a partir do mito de Inês de Castro”

Renata Quintella (UFRJ): “´George`:a errância de um sujeito na busca pela liberdade”

Viviane Vasconcelos (UFF): “As outras `Três Marias´ e a `dissimulação que elas oferecem ao mundo´”

Mediação: Prof. Dr. Emerson Inácio (USP)

 

Mesa D: Notícias e cartas de uma revolução

Flávia Palha (UFRB): “`Uma santa arruaceira`. Um olhar para os embates trazidos a baila pelas personagens Rami e Luisa, na obra Niketche-Uma  história de poligamia da moçambicana Paulina Chiziane.

Carlos Rogério Barbosa (USP): “Novas Cartas Portuguesas: obra coletiva, obra em processo”

Maria Salete Souza (UFSC): “Corpos amorosos femininos e a Guerra Colonial Portuguesa: autoria feminina e(m) testemunhos do amor”

Mediação: Drª. Marinela Freitas (U. Porto)

Mesa E: Poesia portuguesa contemporânea

Matthews Cirne (UFAM): “Rilkeana : o sagrado nas variações poéticas de Ana Hatherly”

Mariane Tavares (UNIFESP): “Um diálogo possível: `A escrita feminina` de Adília Lopes e Novas Cartas Portuguesas

Paulo Ricardo Braz de Sousa (Uff): “Luiza a desabrigo”

Mediação: Profª. Drª. Conceição Flores (UnP/RN)


RESUMOS

Ana Maria Domingues de Oliveira (Unesp/Assis)

MARIA TERESA HORTA: PRIMEIROS ESCRITOS

É inegável que o nome de Maria Teresa Horta alcançou visibilidade internacional, sobretudo, após a publicação de Novas cartas portuguesas, em 1972, gesto ousado que custou às três coautoras perseguições, prisões, enfrentamentos de várias ordens.  Em meu texto, abordarei os livros de poemas da autora que antecedem a publicação dessa obra coletiva, a fim de tentar evidenciar o quanto o atrevimento, que é uma de suas marcas mais evidentes, já estava presente nos poemas de Maria Teresa Horta desde a publicação de Espelho inicial, de 1960, até Minha senhora de mim, publicado em 1971, volume que antecede – e a meu ver desencadeia – a criação das Novas cartas portuguesas.

Ângela Beatriz de Carvalho Faria (UFRJ)

“DURAR É MELHOR QUE ARDER?” – A VIA CRUCIS DA PAIXÃO EM MARIA TERESA HORTA E CLARICE LISPECTOR.

A partir de determinadas reflexões críticas presentes em “Laços do desejo”, de Marilena Chauí, “A água e o mel”, de José Américo Mota Pessanha, “A Psicanálise e o domínio das paixões”, de Maria Rita Kehl, pretende-se apontar as consonâncias e dissonâncias entre A Paixão segundo Constança H. (Maria Teresa Horta) e A Paixão segundo G.H. (Clarice Lispector). Em ambos os romances, o páthos e a hybris, vivenciados pelas personagens femininas estarão “correlacionados ao desencantamento do mundo e à fratura de uma identidade, assinalada por um caráter, intrinsecamente, agônico e antagonístico.” Assim, Eros (pulsões de vida) e Thanatos (pulsões de morte) coexistem na interioridade do sujeito, capaz de perguntar a si próprio: “E agora, como é que eu vou viver com um coração aceso?”. Segundo Benedito Nunes, em O Dorso do Tigre, “o silêncio, desistência da compreensão e da linguagem, é o termo final da aventura espiritual de G.H., que principia pela náusea e culmina no êxtase do Absoluto, indiscernível do Nada e tal aventura é a via crucis de uma paixão.” Constança H, por sua vez, ao expor-se ao risco do excesso e da desmesura, inerentes à cartografia erótica, vivencia a náusea existencial, transgride a ordem estabelecida da lei e do sistema social, “deixa-se consumir pela paixão até ao sangue” e à loucura. Enclausurada em uma prisão ou hospital psiquiátrico, a personagem de Maria Teresa Horta despersonaliza-se e indiferencia-se, e, ao receber choques elétricos, recusa-se a “conhecer de novo aquele espaço negro onde se afunda a caminho do nada.” Em ambas as personagens, as paixões que as consomem é o desejo de ser. Em ambos os romances, observa-se a crise da representação e uma pergunta incontornável: Como narrar o inenarrável; o inelutável e, intrinsecamente, cruel; as experiências traumáticas plenas de “ardência”.

Angélica Soares (UFRJ)

“COMO UM PÁSSARO / A VOAR POR DENTRO”: A POÉTICA ERÓTICO-ECOLÓGICA DE MARIA TERESA HORTA

Um olhar ecocrítico (Guattari e Rueckert) permite acompanhar diferentes modos de recriação horteana de experienciações erótico-amorosas (Bataille e Paz) vivenciadas em comunhão com o vigor e a presença de diferentes seres; o que conduz a uma identificação entre a natureza do corpo e o corpo da Natureza. A interconexão erótica das dimensões subjetivas, sociais e ambientais, ao alicerçar imagens poéticas, constitui um solo fértil para a germinação de uma ética de alteridade, pela qual se superem as hierarquias opressivas ainda dominantes na cultura ocidental.

Carlos Rogerio Duarte Barreiro (USP)

 

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS: OBRA COLETIVA, OBRA EM PROCESSO  

A tarefa de verificar as relações entre a forma literária híbrida das Novas Cartas Portuguesase o processo social português, em que elas foras escritas, exige um cuidado inicial: a apreciação das turbulências experimentadas por Portugal ao longo do século XX, que deixam revelar mais que incongruências – talvez possamos chegar a dizer fraturas – entre vida ideológica e vida material. Com efeito, por mais que portugueses aspirassem à modernidade, sua economia, suas relações, suas formas de convívio ainda guardavam raízes pré-capitalistas. Essa posição específica e coadjuvante no cenário europeu se inicia ainda antes do século XIX e se estende ao século XXI e é a base material, o chão histórico, o fulcro da experiência coletiva portuguesa, nos termos de Boaventura de Sousa Santos: nação semiperiférica, porque era metrópole de colônias, mas periferia de centros europeus. Nossa hipótese é a de que essa experiência sempre ambivalente – talvez perpetuada até hoje, se consideradas as condições em que se vê Portugal frente à crise da dívida soberana europeia – seja a base sobre a qual se erigem as Novas Cartas Portuguesas e que lhes dê a feição específica da forma literária portuguesa – obra coletiva, devido ao lineamento radicalmente popular e coletivizante, escrita simultaneamente por três autoras, mas repercutindo para muito além do leitor português; obra em processo, cuja composição se dá a ver, renovando e atualizando as Novas Cartas no ato mesmo da leitura, 40 anos depois da publicação.

Cinda Gonda (UFRJ)

 

DAS CARTAS AOS CANTARES (A FICÇÃO PORTUGUESA NO CONTRAPONTO DA HISTÓRIA)

Duas vozes, a de Eduarda Dionísio e Lídia Jorge, narram a história recente de Portugal. Entre a confissão e a desconstrução, articulam a ponte entre a realidade subjetiva e objetiva. Retrato dum amigo enquanto falo e A Noite das mulheres cantoras,  romances das autoras em questão, parecem confirmar a hipótese formulada por Walter Benjamin de  que todo monumento da cultura é também um documento de barbárie. Do Salazarismo aos Cravos de Abril, do período pós-revolucionário à sociedade de massa, um mosaico nos é apresentado. Tenta-se juntar as peças, onde sonhos, frustrações e esperanças parecem apontar o caminho por onde prosseguir.

 

Conceição Flores (UnP/RN)

 

“A CHAMA MAIS AGUDA”: AMOR E EROTISMO NA POESIA DE MARIA TERESA HORTA

Nesta celebração às Novas Cartas portuguesas (1972), obra que constituiu uma resposta solidária e feminista das três Marias às provocações e aos insultos que Maria Teresa Horta sofrera ao publicar Minha senhora de mim (1971), pretendo abordar o amor e o erotismo na obra horteana, a partir de uma seleção de poemas da obra já citada e de Educação sentimental (1975).

Constância Lima Duarte (UFMG)

 

LUZES PORTUGUESAS NA CAVERNA DO PATRIARCADO BRASILEIRO

 

Novas cartas portuguesas revelou literariamente as diversas formas de opressão a que as mulheres estavam submetidas através dos séculos, pela distorcida mística imposta pelo patriarcalismo – verdadeira caverna que cerceava o pensamento das mulheres e seu lugar na sociedade. A publicação do livro das três Marias contribuiu para a formação de um senso crítico, ampliou a consciência feminista, e propiciou o surgimento de uma literatura engajada também entre nós. Minha fala pretende refletir sobre a repercussão da publicação da obra, e também da repressão sofrida pelas autoras, na mídia impressa e entre as feministas brasileiras.

Emerson Inácio (USP)

“DO MEU CORPO O CANTO”: DO CORPO DAS FORMAS ÀS FORMAS DO CORPO

Relacionando a diversidade formal perceptível no concerto das NCP tanto com os corpos ali representados, quanto com uma possível concepção de corpo atinente àquele “organismo textual”, pretende-se discutir como Literatura, Texto e Corpo estabelecem relações de continuidade e correspondência na economia da obra, entendendo tal interatividade como um processo de materialização das subjetividades ali circulantes.

 

Flavia Palha (UFRB)

“UMA SANTA ARRUACEIRA”. UM OLHAR PARA OS EMBATES TRAZIDOS A BAILA PELAS PERSONAGENS RAMI E LUISA, NA OBRA NIKETCHE-UMA HISTÓRIA DE POLIGAMIA DA MOÇAMBICANA PAULINA CHIZIANE.

Neste trabalho intentamos abordar  possíveis questões de gênero presentes nos embates travados por duas personagens emblemáticas presentes no romance Niketche- Uma história de Poligamia. Assim, a partir de Rami, primeira esposa de um marido polígamo, encarnação a priori  do que se espera de uma típica mulher do sul de Moçambique, ou seja, ausência de vaidades e total devoção a família, e de Lu, terceira esposa, com seus argumentos permeados de dor e uma racionalidade que beira a crueza. Debruçaremos-nos mais restritamente no quão intensamente as palavras de Lu, recaem sobre Rami e promovem transformações, acreditando que esta  personagem representa a mulher a emergir  em Moçambique, nos parece aceitável afirmar que este romance lança luz sobre os rumos que estão tornando as questões  e discussões referentes ao gênero em Moçambique.

 

Jorge Marques  (Colégio Pedro II)

 

O PRAZER CANTANTE DA PALAVRA POÉTICA: UMA LEITURA DE POEMAS DO BRASIL, DE MARIA TERESA HORTA

Esta comunicação tratará do livro Poemas do Brasil (2009), de Maria Teresa Horta, um dos muitos volumes na qual a escritora sublinha a ligação de seu manejo artístico com as raízes seculares do gênero lírico, ou seja, com a musicalidade que se encontra entranhada nas suas origens.  A partir da obra em questão, será empreendida uma reflexão acerca do coerente projeto literário empreendido por Maria Teresa Horta em sua longa trajetória.  Identificada com uma proposta que une arte a questões sociais, em especial o Feminismo, não há dúvida de que não fosse a habilidade com que costura as palavras, em um delicado manejo de filigranas poéticas, a palavra de Horta escaparia do literário e descambaria para o panfleto.  Não é isso, porém, o que ocorre.  Recorrendo à sedução do ritmo e da musicalidade, a autora dá às demandas sociais que permeiam sua obra uma solidez estética vigorosa.  Emerge, então, o prazer de uma voz que seduz:  poesia cantante e expansiva, que nutre o leitor com a delícia algo lúdica que apenas a arte é capaz de proporcionar.


Julia Telésforo Osório (UFSC)

O MAR DE SOPHIA, RELEITURAS

O mar é tema frequente na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e, também, em toda literatura portuguesa. Foi por ele que partiram as naus d’Os Lusíadas. Também pelo mar, Fernando Pessoa releu Camões e problematizou a questão da pátria lusitana em sua Mensagem. Já Sophia pareceu construir esse conceito através de uma ótica subjetiva ao relacioná-lo, muitas vezes, às experiências de um sujeito poético confesso, marcado em primeira pessoa. Neste estudo, escolho ler alguns textos que compõem Os poemas escolhidos(2004), selecionados por Vilma Arêas, para compreender a maneira pela qual o mar se materializa na poesia dessa autora, observando os diálogos estabelecidos entre ela, Sophia, e Pessoa, ambos poetas do século XX, que questionaram a grandiosa ideia de mar, construída e difundida no imaginário português desde a publicação do épico poema camoniano.

Leonardo de Barros Sasaki (USP)

 

POETAS DA ATENÇÃO: SOPHIA BREYNER DE MELLO BREYNER ANDRESEN E AL BERTO

A poetisa italiana Cristina Campo sentenciou: “a poesia é também uma atenção”. Tal afirmação tem especial aplicabilidade nas obras de Sophia Breyner de Mello Andresen e Al Berto. A partir das reflexões de nomes como Simone Weil, Susan Sontag e Walter Benjamin, pretendemos analisar a constituição e importância da ideia de atenção nesses dois escritores. Ainda que ambos tenham sustentado o imperativo de uma poesia “atenta”, justamente esse predicativo é revelador de poéticas e mundividências tão diversas. Nessa comparação, acreditamos, estão esboçados os deslocamentos e tensões da poesia portuguesa na segunda metade do século XX.

 

Luciana Morais da Silva (UERJ)

A ANIMALIZAÇÃO DO FEMININO: LEITURA DE “UM CASACO DE RAPOSA VERMELHA”, DE TEOLINDA GERSÃO.

A transformação quer física, quer psicológica, está presente em diversas narrativas da escritora Teolinda Gersão. Suas narrativas traçam um contínuo entre o que se quer falar e as falas interditas, permitindo que se possa lê-las a partir de uma visão crítica, em que as personagens ocupam papéis sociais em constante mudança. A presente pesquisa debruça-se sobre a narrativa “Um casaco de raposa vermelha”, da escritora portuguesa Teolinda Gersão. Sem nem mesmo mencionar nomes para a personagem, eixo central da narrativa, a ficção de autoria feminina discorre a respeito da desumanização, possibilitando a extrapolação do âmbito da diegese de discussões em torno do feminino e dos enfrentamentos contemporâneos enfrentados pelo sujeito. Ao trazer à cena discussões quotidianas, em que a mulher nem mesmo é nomeada, Gersão estabelece uma escrita profundamente crítica, lançando mão do inesperado para marcar as atribulações porque passa a personagem feminina de sua literatura. O conto em questão traça, pouco a pouco, a perspectiva de uma personagem feminina determinada a modificar sua vida, suas tristezas, pela via do consumismo. Todavia, o caminho para a compra não ocorre de modo corriqueiro ou mesmo comum, ao contrário, a mulher é instintivamente guiada, tornando-se um animal.

Luis Maffei (UFF)

 

INVENTAR O OUTRO, INVENTARIAR AMAR

 

Amar é vocábulo decisivo na lírica erótica de Maria Teresa Horta, muito mais que seu substantivo, amor, o que sugere a prevalência do ato sobre uma ideia que a cultura ocidental muitas vezes congela. Essa poética inventa modos de amar e corpos amantes, pondo em cena um discurso que tem na reflexão sobre o feminino um de seus vértices. Ao se inventar como gesto feminino amoroso, a obra da autora de Minha senhora de mim investe numa imbricação radical entre palavra e corpo, inventariando, como consequência, diversas maneiras amadoras que a história da poesia portuguesa pôs em prática desde a Idade Média.

Luiz Guilherme Barbosa (UFRJ)

 

À MARGEM DO DISCURSO: A POESIA DE MARIA TERESA HORTA

A leitura de um poema de Maria Teresa Horta poderá sugerir ao leitor no Brasil a “reconsideração do caminho de casa”, conforme assinalou Jorge Fernandes da Silveira (2008), que lê o campo da poesia como território transnacional da língua portuguesa. Os problemas suscitados por este posicionamento deverão estar mais claros após a leitura do poema “Não pretendo mais do que o limite”, a partir do qual desejamos demonstrar como a clara distinção na poética de Horta entre as palavras do poema e as regras do corpo produz um discurso-limite. Esta formulação visa sublinhar a quase ausência da obra de Horta em importantes leituras panorâmicas da poesia portuguesa após Poesia 61, como Gastão Cruz (1999), Luís Miguel Nava (2004) e Rosa Maria Martelo (2007), que valorizam, respectivamente, o “discurso restaurado”, a “reformulação do discurso” e a “somatização estrutural”. Interessa analisar em que medida se pode reconhecer discurso e somatização numa poética em regime de intensa concisão e erotismo construído. Nossa hipótese é que o poema de Horta está atento a seu anacronismo e por isso escapa aos panoramas da poesia em Portugal, pois se compõe atravessando a língua portuguesa (Llansol, 2011), que é o seu território e o seu limite.

Maria Salete Daros de Souza (UFSC)

 

CORPOS AMOROSOS FEMININOS E A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA: AUTORIA FEMININA  E(M) TESTEMUNHOS DO AMOR

Cartografar os corpos amorosos femininos sobre suas vivências durante a Guerra Colonial Portuguesa, colhidas de testemunhos do livro ‘África no feminino as mulheres portuguesas e a guerra colonial’ de Margarida Calafate Ribeiro, é objetivo deste estudo. Substanciado especialmente pelos teóricos Octávio Paz, Roland Barthes e George Bataille, tenta seguir a tríade corpo, afeto e erótica para analisar os testemunhos das mulheres referente ao corpo em suas vivências de amor. O panorama resulta rico de testemunhos do corpo amoroso e do corpo histórico e social, mostrando uma interface/intraface da expansão portuguesa, cruzando tempo interior e tempo exterior da guerra, o que comprova que a memória privada pode ser recuperada por historiografia ‘mais arejada’, atenta ao privado e ao publico. Se toda (re)inscrição do passado implica em memória e esquecimento, as narrativas de autoria das mulheres/testemunhas de Calafate Ribeiro são perpassadas por sofrida e contraditória experiência de revisitação: traumática e nostálgica, violenta e lírica. Muito embora os testemunhos sejam perpassados por conceitos movediços sobre a importância de narrar o trauma, e por umcerto desconforto em narrar o amor, quando não, ainda mais em narrar o corpo em estado amoroso, ele, o corpo em vivência amorosa, tem significativo comparecimento nos testemunhos. O espaço a ele destinado não é escasso, e o lugar que ocupa faz reconhecer que, a despeito da guerra e do silenciamento dela, as mulheres da ‘expansão portuguesa’ estão criticamente atentas a seu tempo e à importância da autoria e da corporeidade amorosa feminina, sim.

 

Mariana Caser da Costa (UFF)

NOSTALGIA (E LITERATURA) TAMBÉM SÃO FORMAS DE VINGANÇA: ANTIGAS E NOVAS FORMAS DE LER O AMOR A PARTIR DO MITO DE INÊS DE CASTRO

O amor entre Inês de Castro e Dom Pedro I, 4º episódio abordado no Canto III d’Os Lusíadas, de Luis de Camões, faz exceder as narrativas acerca das “glórias e barões assinalados” para a paradoxal face pura/ fera do Amor. A conhecida história do romance entre D. Pedro e Inês, por sua vez, excede o mito cantado na epopeia camoniana e é recorrente tema na literatura portuguesa, em especial aquela feita a partir da segunda metade do século XX, até os nossos dias. Tanto a história daquela que “despois de morta foi rainha” quanto o caráter dúbio do amor por ela encenado, que faz mover as engrenagens de tal enredo, fazem-se presentes, por exemplo, nas curtas narrativas “Teorema” e “Dom Pedro I e Inês de Castro”, respectivamente presentes em Os passos em volta, de Herberto Helder, e em Triunfo do amor português, de Mario Claudio, e na poesia de Maria Teresa Horta, refletindo, tematicamente, a discussão sobre o feminino e sobre o amor, suscitada, em especial, pelas Novas cartas portuguesas. Sendo assim, ao lançar mão das obras acima mencionadas como objeto de (re)leitura do mito de Inês de Castro, pretende-se refletir acerca de sua retomada, por alguns autores, na literatura portuguesa dos últimos 60 anos, especialmente no que tange à questão da dupla face do amor, que é, ao mesmo tempo, puro e fero, nostálgico e vingativo, mas que pode ser – e de fato o é – pensado através da histórica figura de Inês.

 

Mariane Tavares Sousa (Unifesp)

                                                            

UM DIÁLOGO POSSÍVEL: “A ESCRITA FEMININA” DE ADÍLIA LOPES E NOVAS CARTAS PORTUGUESAS

Adília Lopes, poetisa portuguesa contemporânea, a partir de diversos poemas em que a autoria aparece marginalizada, tratando de temas que não são importantes à sociedade, à cultura e à política portuguesa, se apresenta como uma mulher, que escreve pós o 25 de abril e valoriza aqueles que “não podem falar”, como os gatos, as baratas e inclusive as mulheres. Sendo assim, ela traduz sua resistência ao tradicional gênio literário português que é predominantemente masculino. Da mesma forma ocorreu com as Novas Cartas Portuguesas, de autoria das três Marias, texto esse que foi uma abertura para a conscientização política e social do Portugal ditatorial, ainda que o desenvolvimento da questão feminina, no país, tenha sido suprimido da memória literária portuguesa, por quase quarenta anos. Outro diálogo possível, entre os dois cenários literários, é a recuperação da figura mítica de Mariana Alcoforado. Ao remeterem a essa imagem, as escritoras voltam a provocar as autoridades, principalmente no que diz respeito à família e à submissão. Em Novas Cartas a freira é quem, também, vive no espaço de marginalização, espaço propício para iniciar a tradição literária feminina portuguesa. As Marias escolhem Mariana para representar Tereza, Isabel, Velho, José e todas que buscam liberdade.

Marinela Freitas (Universidade do Porto)

 

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS E A SÁBIA DESEDUCAÇÃO

Partindo dos processos de rutura linguística e ideológica explorados em Novas Cartas Portuguesas, procurar-se-á analisar a construção de uma “poética de resistência” aos discursos legitimadores da repressão exercida sobre as mulheres (escritoras), presentes nesta obra de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Neste contexto, será também reavaliado o contributo de Novas Cartas, enquanto documento de rutura crítica, literária e política, para uma genealogia da escrita de mulheres no contexto literário português.

Marlise Vaz Bridi (Universidade Presbiteriana Mackenzie/ USP)

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS: A PALAVRA REVOLUCIONÁRIA

As Novas Cartas Portuguesas que, como se sabe, foram assinadas conjuntamente por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, constituíram-se em antecedente concreto e material à própria Revolução dos Cravos. Especialmente Maria Teresa Horta já havia desencadeado, através da sua escrita, um forte e progressivo processo de transformação das mentalidades em Portugal, trazendo à cena, para nunca mais deixar de a encenar, a questão da sexualidade e do corpo feminino como o cerne de sua escrita, quer em verso, quer em prosa.

É interessante apontar que a acusação composta pelos órgãos de censura e de repressão política do Regime Salazarista para a proibição das Novas Cartas Portuguesas, alegaram serem elas imorais e contrárias à moral e aos bons costumes, ou seja, num só tempo, escamoteavam e indicavam o que a obra guardava de inovação (também estética, sem dúvida) e, potencialmente, transformadora da sociedade portuguesa como um todo, o que a História viria a confirmar.

Contemplar, num só compasso, a agenda de temas centrais da sociedade portuguesa de então e a forma estética inovadora compõe a palavra revolucionária das Novas Cartas Portuguesas.

 

Matthews Carvalho Rocha Cirne (UFAM)

 

RILKEANA: O SAGRADO NAS VARIAÇÕES POÉTICAS DE ANA HATHERLY

Ana Hatherly, dando início ao seu percurso poético no final da década de 50 e início dos anos 60, passa a realizar releituras no campo da arte experimental, sendo precursora do movimento de Poesia Experimental na segunda metade do século XX em Portugal, juntamente com E. M. de Melo e Castro. A partir de então, desenvolve experimentos com técnicas do Barroco, com o Graffiti, com o Concretismo e com o confronto entre os grafismos oriental e ocidental. Seu primeiro contato com os poemas do poeta alemão Rainer Maria Rilke aconteceu na década de 50, mas somente em 1999, o diálogo entre os dois poetas é efetivado na obra Rilkeana, onde Hatherly dialoga com as Elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu, de Rilke. É a partir do diálogo existente entre os dois escritores que se propõe apresentar a relação de Ana Hatherly com o sagrado e os modos como a poeta portuguesa constrói suas variações poéticas. Este trabalho é parte integrante do projeto de pesquisa intitulado A plagiotropia em Rilkeana, de Ana Hatherly, faz parte das produções do Grupo de Estudos e Pesquisas em Literaturas de Língua Portuguesa (GEPELIP/UFAM) e tem colaboração da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

Paulo Ricardo Braz (UFF)

 

LUIZA A DESABRIGO

Encerrando um ciclo de sua produção poética, Luiza Neto Jorge reúne, no ano de 1973, toda sua obra (até então publicada) sob o apropriado título Os sítios sitiados. O inédito homônimo a vir a lume naquela mesma antologia vem a ser, 40 anos passados ao frescor da renovação luiziana, o objeto de nossa análise, a qual, promovendo uma leitura do texto de maturidade da poeta, busca descrever os procedimentos estéticos que se fundamentam como um desaprendizado da fala. Ainda, por meio da observação de um cruzamento – muito peculiar à sua escrita – entre o espaço do corpo e o espaço do poema, intentamos assinalar as marcas de desestabilização discursiva e de uma veemente manifestação do desejo a partir da dinâmica de interdição e transgressão promovida pelo jogo de limites teorizado nesta obra.

Raquel Menezes (UFRJ)

“A PARTE QUE É ANJO NO TEU CORPO”, MARIA TERESA HORTA

O caráter politizado da poesia de Maria Teresa Horta é incontornável, assim como – e é o que aqui mais me interessa – o sensual e o erótico. Para ler os elementos de Eros na poética de Maria Teresa Horta analisarei poemas em que o vocábulo anjo aparece como anunciador de uma poética com farta carga erótica. Em uma leitura afetiva pretendo investigar estas figuras mítico-religiosas-pagãs como representantes de uma feminilidade carregada de poder.

Renata Quintella de Oliveira (UFRJ)

“GEORGE”: A ERRÂNCIA DE UM SUJEITO NA BUSCA PELA LIBERDADE

 

Esse trabalho propõe fazer uma breve análise do conto “George”, da escritora portuguesa contemporânea Maria Judite de Carvalho. Esse texto está inserido no último livro publicado em vida pela escritora: Seta Despedida (1995). Pretendemos focalizar uma questão, que parece fundamental nesse conto: a identidade, que aparece, aqui, fragmentada, descentrada, verdadeira “celebração móvel”, como afirma Stuart Hall, ao abordar a identidade do sujeito pós-moderno. A partir desse tema central, surgem outros, igualmente importantes na análise e compreensão do conto citado: a dissolução de posições cristalizadas atribuídas aos gêneros (George, termo ambíguo, aparentemente masculino, constitui o nome de uma personagem feminina que protagoniza o conto), a trajetória da personagem, que emblematiza a sociedade do simulacro e caracteriza-se pela constante deriva e fuga interminável: um sujeito que erra pelo mundo e pelo interior de si mesmo.

Rodrigo Corrêa Martins Machado (UFF)

 

SOPHIA: “POESIA E REVOLUÇÃO”

Este trabalho tem como principal objetivo investigar a relação existente entre poesia, política e História na obra O Nome das Coisas (1977) de Sophia de Mello Breyner Andresen. Nesta obra, deparamo-nos com importantes escritos concernentes ao período ditatorial português, à Revolução responsável pelo fim do Governo totalitário em Portugal, bem como ao período posterior a estes acontecimentos. Dentre os principais estudiosos que nos forneceram apoio teórico para a realização da investigação proposta destacamos: A. Cândido (2000), R. M. Martelo (2010), L. C. Lima (2003 – 2006), T. Adorno (2003), M. Hamburguer (2007), A. Bosi (1983), L. Hutcheon (1991), P. Burke (1992), L. Secco (2004), K. Maxwell (2006), E. Lourenço (2000), L. R. Pereira (2003), C. C. Rocha (1979 – 1994), H. Malheiro (2008), dentre outros. Em O Nome das Coisas (1977), Sophia Andresen reflete acerca dos problemas políticos que envolviam Portugal, possibilitando importantes reflexões acerca dos anos finais da ditadura salazarista, da Revolução de Abril, como também dos desdobramentos que essa insurreição teve, e ainda possui em terras lusitanas.

Sara Maria Maio Ezedin Pinho (FURG)

 

N’ O DELÍRIO DA PALAVRA, DOU A VER O INFINITO. UMA LEITURA DO PRAZER N’AS PALAVRAS DO CORPO, DE MARIA TERESA HORTA

Em 2012, Maria Teresa Horta publica uma antologia de poesia erótica intitulada As palavras do corpo e reúne poemas dos primórdios dos anos 60 até um conjunto de inéditos que datam do lançamento do volume.Na forma poética, o eu-lírico, marcadamente feminino, assume a posição de sujeito, ser dominante no ato sexual, lugar reservado aos homens, e lança mão de uma cartografia do corpo ampla e contemplativa de partes não tidas como erógenas como joelhos, ombros e axilas, por exemplo. No jogo do sexo, a mulher-poesia leva o verbo ao transe e eleva o prazer ao infinito. Essa antologia é, antes de tudo, uma antologia do prazer feminino, das descobertas do corpo, uma resposta ao sacrifício do desejo imposto por uma sociedade notadamente voltada ao imaginário masculino.A palavra é o que há de mais prazeroso e o prazer começa com o verbo. Nessa “cartilha da perdição”, resta-nos perguntar: Quem pensa que a mulher pode ensinar o prazer? Definitivamente, um eu-lírico que se deita, primeiramente, com as palavras. A presente comunicação destina-se a colocar a palavra erótica de Maria Teresa Horta em diálogo com pensadores como Michel Foucault, ZigmuntBauman e Marcel Mauss.

Sheila Moura Hue – (UNIRIO)

LUISA SIGEA E NICOLAS CHORIER: DO DIÁLOGO DOUTRINÁRIO À NOVELA LICENCIOSA

Luisa Sigeia (1522-1560) pertenceu ao círculo de aias da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel, e destacou-se como uma das poucas mulheres de letras a terem sua obra reconhecida por humanistas europeus. Com uma sólida formação humanística, a dama da Infanta, escreveu, em latim, epístolas, poesia lírica e um diálogo, o Duarum Virginum Colloquium de vita aulica et privata. O diálogo serviu à jovem autora para refletir sobre as vantagens da vida retirada sobre a vida na cidade, e, assim, condenar o comportamento dos príncipes e o ambiente da corte. Esta peça doutrinária e crítica veio a tornar-se objeto de uma inusitada reescrita. Na mesma época em que foram impressas Les Lettres Portugaises, o advogado e historiador Nicolas Chorier (1612-1692) publica a novela licenciosa em forma de diálogo Satira sotadica de arcanis amoris et veneris. O diálogo latino, atribuído a Luisa Sigeia, num claro golpe de mistificação autoral, foi traduzido em várias línguas e passou por uma série de metamorfoses a reboque de sua circulação clandestina, tornando-se um best-seller da literatura libertina. Esta comunicação pretende abordar os significados da autoria feminina e da literatura doutrinária (moral e licenciosa) neste peculiar caso de tradução cultural.

Tatiana Pequeno (UFRB)

NOVAS CARTAS E DEPOIS: AINDA CONTRA A PERIFERIA DO FEMININO

O objetivo do presente trabalho é discutir e problematizar a produção poética de mulheres a partir de um recorte que leva em consideração as literaturas de língua portuguesa numa perspectiva comparada. Com efeito, pretende-se trazer à leitura a poesia de duas autoras tanto brasileiras (Mônica Menezes e Rita Santana) quanto portuguesas (Maria Sousa e Margarida Vale de Gato) e ainda as vozes de Paula Tavares e Odete Semedo como eco de muitas Áfricas representáveis. Para tanto, serão utilizados materiais teóricos que (re)pensem o feminino enquanto temática e autoria, a partir do que propõem Deleuze & Guattari em Kafka: Para uma literatura menor e Spivak em Pode o subalterno falar?, dentre outros.

Viviane Vasconcelos (UFF)

 

AS OUTRAS TRÊS “MARIAS” E A “DISSIMULAÇÃO QUE ELAS OFERECEM AO MUNDO”

 

Destacam-se, neste trabalho, algumas obras das pintoras Paula Rego (1935) e Vieira da Silva (1908-1992) analisadas pela escritora Agustina Bessa-Luís (1922) nas publicações acerca das duas artistas, As Meninas e Longos dias têm cem anos, respectivamente. Com o objetivo de perceber como a linguagem transgressora, identificada pela escritora nas duas obras, pode também se manifestar no seu processo de escrita, não é o intuito apenas apontar semelhanças no que diz respeito aos temas e técnicas, mas compreender como elas podem estabelecer entre si um profícuo diálogo sobre a produção artística portuguesa da segunda metade do século XX. Configuram-se, portanto, como “escritas” de ruptura que se relevam denunciativas de um tempo no qual a problemática central é, antes de mais nada, a incomunicabilidade das relações e do discurso. É por meio da arte e da literatura, mesmo quando frequentemente ambas são postas em xeque, que elas, as outras três “Marias”, oferecem ao mundo o disfarce.

2 Comentários

Arquivado em Evento

2 Respostas para “Jornada Novas Cartas Portuguesas: 40 anos depois

  1. jorge

    ÀS CARTAS. ÀS NOVAS CARTAS, SENHORAS E SENHORES!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s