“Leitora distraída, escritora atenta”

Extraído do jornal Rascunho:

Nascida em Buenos Aires, na Argentina, em 1975, Paloma Vidal mudou-se para o Rio de Janeiro aos dois anos de idade. Escritora, tradutora e crítica, é autora dos romances Mar azul (2012) e Algum lugar (2010), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e teve trabalhos incluídos nas antologias 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (2004) e Paralelos (2004). Na breve entrevista a seguir, Paloma não generaliza sobre os aspectos que podem fazer bem (ou mal) a um livro, preferindo relembrar o bom leitor segundo Roland Barthes e apostar no próprio trabalho como fonte de aprendizado. E se os contos de As duas mãos (2003) e Mais ao sul (2008) são marcados pela investigação das próprias razões da escrita, Paloma abre este Inquérito colocando em questão seu ofício de escritora, para engatar uma seqüência de respostas certeiras sobre seus hábitos de leitora e o trabalho com literatura — mesmo que para duvidar mais uma vez.

Quando se deu conta de que queria ser escritora?
Ainda tenho minhas dúvidas. 

• Quais são suas manias e obsessões literárias?
Não tenho.

Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
Algumas páginas de qualquer coisa antes de dormir.

• Se pudesse recomendar um livro à presidente Dilma, qual seria?
Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

• Quais são as circunstâncias ideais para escrever?
Quando meus filhos estão sossegados.

• Quais são as circunstâncias ideais de leitura?
Idem.

O que considera um dia de trabalho produtivo?
Duas horas de dedicação.

• O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
A liberdade.

Qual o maior inimigo de um escritor?
Ele mesmo.

O que mais lhe incomoda no meio literário?
A presunção.

Um autor em quem se deveria prestar mais atenção.
Julio Moravsik.

Um livro imprescindível e um descartável.
El discurso vacío, de Mario Levrero. Descartável, não sei.

Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?
Qualquer defeito pode ser usado a favor de um livro.

Que assunto nunca entraria em sua literatura?
Qualquer assunto pode servir.

Qual foi o canto mais inusitado de onde tirou inspiração?
Não tiro inspiração de cantos inusitados.

Quando a inspiração não vem…
É melhor trabalhar.

• Qual escritor — vivo ou morto — gostaria de convidar para um café?
André Gide, meu primeiro amor.

O que é um bom leitor?
Como diria Roland Barthes, aquele que se distrai durante a leitura.

O que te dá medo?
Tudo.

O que te faz feliz?
Qualquer coisa.

Qual dúvida ou certeza guia seu trabalho?
A de que não sei nada.

• Qual a sua maior preocupação ao escrever?
Aprender alguma coisa.

A literatura tem alguma obrigação?
Não.

Qual o limite da ficção?
Ela mesma.

• Se um ET aparecesse na sua frente e pedisse “leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Aos meus filhos.

• O que você espera da eternidade?
Nada.

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