“V – Afasta-te”, de Elizabeth Barrett Browning

Ergui ao alto o coração pesado,
Como Electra a sua urna sepulcral,
E, co’os olhos no teu olhar leal,
Despejei-o no chão, junto a teu lado,

Da cinza que continha. Amontoado,
Tens aí o resíduo do meu mal.
Vê como brilham, num clarão fatal,
As chispas, sobre o fundo acinzentado!

Pisando-as, meu Amor, p’ra as extinguir,
Apagando essa brasa, ainda a luzir,
Talvez te salves. A não ser assim,

Nem os teus louros, quando o vento a erguer,
Te podem os cabelos proteger.
Vai-te, portanto. Afasta-te de mim.

Sonetos portugueses. Tradução de Manuel Corrêa de Barros

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