“Versos de um cônsul”, de Raul Bopp

Coitado do meu filho!

Vai pra escola
Muda de escola

Sucedem-se mudanças para novos postos
Novos carimbos nos papéis de matrícula

No quadro negro
o professor mexe com algarismos:

Zwei mal zwei?
− Vier
− Zwei mal vier?
Ach…………….

A resposta se engasga. A voz se some
acabrunhado pela matemática

E lá se vai ele por essas manhãs friorentas
com uma mochila de livros às costas
(como quem vai pr’uma guerra)

Terras novas   Muito sol   Bandeira ao vento
No pátio del Colégio a professora rege o coro:

− …si mañana en tu solo sagrado…

 A almazinha do meu filho
vai se compondo e decompondo
com pedaços de pátrias misturadas

De noite
a gente recolhe os pensamentos
com um cansaço internacional

− Pai!
− O que é que tu queres meu filho?

Ele achega-se a mim com um abraço carinhoso:

− Pai!
Conta mais uma vez
como é que era mesmo o Brasil

 

Putirum, s/d.

2 Comentários

Arquivado em Poesia

2 Respostas para ““Versos de um cônsul”, de Raul Bopp

  1. Milton Carvalho.

    Muito tocante. A estes homens que, com grande sacrifício pelo amor aa pátria, representam tão bem a nação querida. Que seus filhos, assim como sua companheira, que participam desta aventura fora das nossas fronteira sejam felizes pelo retorno aa terra amada.
    Eu.

  2. Sandra

    Eu quero saber cade ainterpretaçao de texto disso

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