Oscar Niemeyer (1907-2012)

Uma das lembranças mais fortes que tenho é da minha primeira visita a Brasília. O planalto, o ar seco – e o sol e a lua que pareciam maiores. Mas fiquei impressionado sobretudo com a arquitetura da cidade. Ao caminhar pela Praça dos Três Poderes, via as palmeiras, o espelho d’água e por fim as duas torres que enquadravam o sol e pareciam coar sua luz. Em contraste com as torres, as duas “cumbucas” sobre a laje de concreto. As torres subiam em direção ao céu e desciam pelas agúas do espelho, duplicando sua imagem. Era a beleza em seu estado mais equilibrado e harmônico. Havia paz e conforto naquelas formas. Tudo parecia claro e nenhum problema, nenhuma tensão, nenhuma perturbação interior resistia à beleza daquele lugar.

Depois, da varanda do hotel, fiquei horas observando o traçado das vias expressas, que misturam retas muito longas e algumas espirais. A mistura de retas e curvas também trazia grande plasticidade ao espaço urbano, visto de cima.

Contudo, ao mesmo tempo que a cidade parecia muito concreta e apreensível, revelava-se abstrata e inapreensível. Por causa disso, gosto tanto das fotografias de Marcel Gautherot que registram a construção de Brasília. Como um visionário, ele conseguiu registrar a densidade e a leveza que Brasília agrupa em suas formas.

Não posso senão lamentar a morte de Oscar Niemeyer. Mesmo com 104 anos, daqui, lembrando o que sua obra máxima me despertou, sua morte soa prematura. Mas, como ele mesmo dizia, “a vida é pequena e muito dura”.

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