“Cecília Meireles e Manuel Bandeira de volta às estantes”

Extraído do blog do Prosa Online, do jornal O Globo:

Após um longo período longe das livrarias por conta de disputas judiciais entre familiares e impasses contratuais, obras de Cecília Meireles e Manuel Bandeira estão de volta pela Global Editora. Novas edições de “O itinerário de Pasárgada” e “Os sinos”, de Bandeira, e “Romanceiro da Inconfidência” e “Os pescadores e suas filhas”, de Cecília, já podem ser encontradas nas estantes. As reedições foram lançadas junto aos livros de poemas “Estrela da manhã” (com prefácio de Ferreira Gullar) e “Estrela da tarde”, de Bandeira, e “Viagem”, de Cecília, na Bienal do Livro de São Paulo, que terminou domingo passado.

Além dessas histórias, mais 120 publicações da escritora e outras 23 de Bandeira serão reeditadas a partir de agora — entre elas, “Ou isto ou aquilo”, um dos poemas mais conhecidos de Cecília, que deve ser relançado em setembro, com ilustrações de Odilon Moraes. O leitor sai ganhando com o retorno às prateleiras de obras e autores fundamentais para a literatura brasileira.

No poema “Romanceiro da Inconfidência”, publicado pela primeira vez em 1953, Cecília narra as angústias de um dos movimentos mais importantes da História do Brasil e de seus personagens, que foram influenciados pelos ecos dos pensadores iluministas no final do século XVIII. O perfil de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, traçado por Cecília no poema contribui até hoje para a reflexão sobre a identidade mítica do líder inconfidente. 

Da obra de Manuel Bandeira um dos primeiros a chegar às livrarias é o autobiográfico “Itinerário de Pasárgada” (1954). Escrito a pedido dos escritores e amigos Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, Bandeira faz o registro de uma época. Relembra sua infância no Recife, narra sua vida no Rio de Janeiro e tece comentários sobre autores e músicos de sua preferência.

Em outra reedição, escrita para crianças “entre entre 8 e 80 anos”, Cecília brinca com a melodia de seus versos em “Os pescadores e suas filhas”. Ilustrado por Cris Eich, a autora narra a breve história de três meninas que fazem travessuras na beira do rio, enquanto seus pais, pescadores, descansam nos barcos.

Também numa obra para crianças, Bandeira recorre à repetição de palavras como “bem-bem-bem” para reproduzir, em “Os sinos”, os sons das badaladas para os pequenos leitores.

Livros digitais estão no novo acordo

As obras de Cecília Meireles e Manuel Bandeira estavam sem reedições desde 2009, quando terminou o contrato entre a editora Nova Fronteira e a agência literária Solombra, que pertence ao advogado Alexandre Teixeira, neto de Cecília, representante dos dois autores, além de Orígenes Lessa (de quem a Global está relançando também o livro infantil “A arca de Noé”). No caso de Cecília, uma briga judicial travada há mais de dez anos entre as filhas da escritora — Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda — agravou o impasse. Em 2000, Maria Fernanda questionou as prestações de contas de Alexandre sobre os direitos autorais. Cansada da disputa, Maria Mathilde, mãe de Alexandre, passou a administração de sua parte para Ricardo Strang, filho de Maria Elvira.

Após a morte de Elvira em 2007, Strang acabou ficando com dois terços dos direitos sobre a obra e suas futuras edições. A Justiça validou esses direitos em dezembro de 2011 e, então, a Global Editora foi a casa escolhida, entre outras quatro, para reeditar as obras. O projeto editorial acordado prevê ainda a publicação de edições de bolso, digitais e audiolivros.

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