“Obras-primas impressionistas do Museu d’Orsay são expostas em SP”

Reproduzido do site da Folha de S. Paulo. Matéria de Silas Martí:

Nas décadas que vieram depois da invenção da fotografia em 1840, artistas libertaram a pintura do peso do real e fizeram da Paris da virada para o século 20 o centro do mundo da arte com um movimento de vanguarda que fundou o olhar moderno.

Impressionistas, que pintavam a partir de sensações do contato direto com a paisagem, sem se preocuparem com a fidelidade à retina, enquadraram o mundo em cores vibrantes e contornos fugidios –o movimento da vida moderna capturado nas duas dimensões da pintura.

Mestres dessa escola, como Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet e Vincent van Gogh, serão todos reunidos agora na maior mostra do movimento já realizada no país.

São obras-primas do Museu d’Orsay, em Paris, que chegam neste sábado ao Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, espaço que teve um andar inteiro esvaziado para receber a exposição.

“Esse foi o primeiro momento em que a França teve uma arte de vanguarda”, resume Guy Cogeval, diretor do Museu d’Orsay, em entrevista à Folha. “Agora que o mundo enxerga o Brasil como superpotência também na cultura, é hora de essas peças chegarem a uma cidade global como São Paulo.”

Obras atmosféricas, pintadas sob a luz solar ou céus estrelados, essas peças escandalizaram uma Paris ainda viciada nos fru-frus dos românticos e na crueza do realismo de artistas como Gustave Courbet, que tentaram retratar a vida como ela era.

Mas Monet, Renoir, Cézanne e a trupe impressionista estavam mais interessados na vida como ela era sentida.

Uma das peças mais importantes da coleção do d’Orsay e obra central da mostra, “La Gare Saint-Lazare”, vista da estação ferroviária de Paris que Monet fez em 1877, resumia a velocidade e o espírito industrial da época em locomotivas que se perdiam em nuvens de fumaça violeta.

Noutra vertente do movimento, Edouard Manet, que causara escândalo com sua Olympia e “O Almoço na Relva”, foi recusado no Salão de Paris em 1866 com o singelo retrato de um garoto em uniforme militar tocando pífaro, uma espécie de flauta.

Jurados do salão consideraram o quadro “vulgar” e “ridículo”, embora estivessem ali os primeiros acenos ao japonismo que informou os impressionistas, figuras arquetípicas contra planos de cor sólida e uma verticalidade fluida, além de uma luminosidade ampla e expressiva.

“É um menino anônimo, num quadro sem qualquer traço decorativo, muito moderno”, diz Cogeval, que assina a curadoria com Caroline Mathieu. “Ele foi o ponto de partida de questões-chave do movimento.”

Mais impressionista de todos eles, Monet tem na mostra, além da estação de trem, também uma das vistas de seu famoso jardim japonês, de plantas que quase afogam um lago sob uma ponte.

Renoir, outro nome potente do impressionismo, faz de sua representação da pele dos personagens quase um manifesto da escola. São colorações entre o branco e o rosado, figuras que parecem feitas de luz, a sensação de movimento fugaz em cada rosto ou expressão em cena.

EMBRIÃO DA VANGUARDA

Mas a mostra não fica presa ao apogeu do movimento e destaca também a transição dos primórdios do impressionismo para obras que serviram de embrião para as vanguardas que chacoalharam Paris no início do século 20.

Van Gogh e Paul Gauguin, que conviveram em Arles, no Sul da França, deram feições mais rudes aos traços e transformaram seus personagens em quase caricaturas, sem medo de subverter o retrato.

Paul Cézanne fez a ponte das impressões fugidias de Renoir e Monet para a geometria das figuras do cubismo de Pablo Picasso. Estão na mostra seu autorretrato contra fundo rosa, uma das obras mais célebres do artista, além de paisagens e naturezas-mortas que já demonstram como ele decupou o que via em cubos, esferas e cilindros.

IMPRESSIONISMO
QUANDO: abre em 4/8; de ter. a dom., das 10h às 22h; até 12/10
ONDE: CCBB (r. Álvares Penteado, 112, tel. 0/xx/11/3113-3651)
QUANTO: grátis

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