“Nossa música” – Jean-Luc Godard

Em 1948, os israelitas entram na água ruma à Terra Prometida. Os palestinos entram na água rumo ao afogamento. Campo e contracampo. Campo e contracampo. O povo judeu se torna ficção. O povo palestino, documentário.

Dizem que os fatos falam por si, e Céline dizia: “Infelizmente, não por muito tempo.” Já dizia isso em 1936… porque o campo do texto já havia coberto o campo da visão.

Em 1938 Heisenberg e Bohr passeiam pelo interior da Dinamarca. Eles passam diante do castelo de Elsinore. O sábio alemão diz: “Esse castelo não tem nada de extraordinário.” O físico dinamarquês responde: “Sim, mas basta dizer ‘o castelo de Hamlet’, e ele se torna extraordinário.” Elsinore: o real. Hamlet: o imaginário. Campo e contracampo. Imaginário: certeza. Real: incerteza.

O princípio do cinema: ir até a luz e apontá-la para a nossa noite. Nossa música.

Deixe um comentário

Arquivado em Cinema

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s