“Eduardo Lourenço preocupado com emigração jovem”

Texto publicado no Diário de Notícias de Lisboa no dia 28 de abril de 2012:

O ensaísta Eduardo Lourenço mostrou-se hoje preocupado com a nova vaga de emigração, que atinge particularmente os jovens, considerando que “defraudam, sem querer” o país onde se formaram.

O pensador disse estar preocupado com o fenómeno “porque as pessoas formam-se” em Portugal e “em vez de contribuírem para a criatividade do país, nas diversas áreas, vão lá para fora, para países mais ricos e vão a ajudar ainda a riqueza desses países”.

Em declarações à Lusa, na Guarda, à margem do lançamento do livro “Obras Completas de Eduardo Lourenço: I – Heterodoxias”, também reconheceu que aqueles que emigram “defraudam, sem querer, a energia cultural e a energia criadora” do país.

No entanto, Eduardo Lourenço que também vive no estrangeiro, em Vince (França), reconhece que “essas coisas são imperativas, não é culpa deles [dos que emigram]”.

Apontou que “uma pessoa quando está num país onde o mínimo de condições não lhes é assegurado vai procurar qualquer outra coisa longe” da pátria.

“Nós sempre emigrámos muito”, acrescentou, lembrando que na região beirã, de onde é natural, em 1964 assistiu-se a “uma fuga” de habitantes que procuraram melhor vida no estrangeiro.

Disse que naquela época “saiu quase um milhão de pessoas” do país “e isso ainda não aconteceu agora”.

Alertou que no século passado, quando ocorreu o grande fenómeno da emigração, os portugueses ainda não tinham conhecido a entrada na União Europeia, situação que compara à entrada numa “casa rica”.

Referiu que os portugueses estavam “convencidos” que tinham “uns anos longos de paz e de prosperidade e, de repente, o mundo entra em órbita e numa crise económica sem precedentes, desde há mais de 70 anos”.

Disse que “de repente, em três anos, começou esta coisa toda e a própria Europa está numa grande crise”.

Eduardo Lourenço disse ainda ter esperança que a atual crise seja ultrapassada a curto prazo.

“Esperemos que daqui a um ano, as coisas comecem a entrar numa certa normalidade, mas ninguém está certo”, vaticinou, apontando que até os países mais importantes da Europa “estão com problemas” económicos.

Sobre a forma como o governo de Pedro Passos Coelho tem enfrentado a crise, comentou que tem “feito tudo, obedientemente à ‘troika'” para que Portugal consiga “pagar pouco a pouco a dívida” que contraiu.

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