Momento num café, de Manuel Bandeira

 

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

12 Comentários

Arquivado em Poesia

12 Respostas para “Momento num café, de Manuel Bandeira

  1. Nunca li nada de Manuel Bandeira que não fosse sublime.
    Obrigada pela divulgação.

  2. Isa

    Esse poema teria maior influência de qual vanguarda europeia? O Expressionismo?

    • Eduardo Coelho

      Cara Isa, não acredito que haja influência direta de nenhuma vanguarda europeia. É o mais autenticamente bandeiriano possível.

      Um abraço, Eduardo

  3. Ademálio de souza Benevides

    neste poema , drumond nos adverte de que a vida terrena e passageira, seja para ricos, pobres, poetas, comerciantes, europeus chines, dos USA ou do Brasil…

    • Jean

      Drumond nos adverte como estamos vivendo a vida, sem sentido nenhum, vivendo em uma “agitação feroz sem finalidade”, e como eles “Estavam todos voltados para a vida ,Absortos na vida”, não percebiam a morte, que é o que dá um sentido a vida, na verdade… Depois da morte você vai encontrar Deus, ou seja, a morte não é a finalidade em si, a finalidade é Deus, mas quem dá essa dimensão de finalidade da vida, que é Deus, é só o advento da morte.

  4. Janaina Silva de Abreu

    Manuel Bandeira escreve o que sempre precisamos saber…..

  5. Luiz

    ” A vida é uma agitação feroz e sem finalidade”
    A quem gosta de seus poemas, indico assistir as interpretações de Luiz Thomas, no youtube, só escrever o nome do poema e do Luiz Thomas.
    São 34, este é um deles

  6. Maria Francisca da silva

    MANOEL É UM POETA QUE RETRATA A VIDA COMO ELA TEM QUE SER VIVÊNCIADO EM TODOS OS MOMENTOS HUMANO…

  7. Prof. Eduardo, Manoel Bandeira era MATERIALISTA?
    (“E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da ALMA EXTINTA.”)

  8. Larissa Souza

    Olá, corrija-me se entendi errado… 😜
    No poema o autor disserta sobre vida e morte, onde, no título, a palavra “momento” caracteriza seus tempos. Basta um momento e nasce uma vida, outro momento e vem a morte; somos feitos de momentos. Podemos afirmar este ponto em “Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição”.
    Mas a morte leva tudo consigo. E em ” E saudava a matéria que passava/Liberta para sempre da alma extinta” percebemos a divisão entre corpo e alma, a matéria que, liberta, voltará a ser pó e a alma irá ao seu destino.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s