Olhares sobre o moderno

Trecho da entrevista de Italo Campofiorito publicada no livro Italo Campofiorito: olhares sobre o moderno  – arquitetura, patrimônio e cidade, organizado por Eduardo Jardim, Luiz Camillo Osorio e Otavio Leonídio e publicado pela Casa da Palavra:

Não achava que eu tinha capacidade para fazer uma arquitetura a meu gosto. Então fiz um primeiro momento arquitetura e depois não fiz mais. Urbanismo eu gostei muito e me apaixonei. Mas aí era impraticável, as cidades são péssimas, são frias, a Baixada Fluminense é o pior possível. Aspásia Camargo diz sempre: “Italo, o que fazer para que a Baixada não seja feia?” Eu digo para ela: “O que tem que fazer é gostar dela, pois quem ama o feio, bonito lhe parece.” Bonita igual ao Champs Elysée é muito difícil de ficar, é pouco provável. A nossa Biblioteca Nacional é um dos prédios mais monstruosos que eu conheço no mundo, mas eu me bateria para que não a tirassem de lá. Ela faz parte da minha vida. No Centro do Rio, o Teatro Municipal é gracioso; a Escola de Belas Artes é nobre; o Tribunal de Justiça é um horror e a Biblioteca é um desastre. É feia, uma fortaleza verde-oliva, mas eu amo. Por esta razão, acho que é preciso levar à Baixada, levar às zonas pobres do mundo, que vão ser incontáveis por incontáveis séculos, uma maneira de fazer corredores culturais. E aprender a gostar dos lugares, de tal modo que eles pareçam bonitos para quem ama. Assim, já estou falando de patrimônio. Quer dizer, o urbanismo que é impraticável leva ao patrimônio.

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