“Versos de um cônsul”, de Raul Bopp

 

Coitado do meu filho!

Vai pra escola
Muda de escola

Sucedem-se mudanças para novos postos
Novos carimbos nos papéis de matrícula

No quadro negro
o professor mexe com algarismos:

– Zwei mal zwei?
– Vier
– Zwei mal vier?
Ach…………………..

A resposta se engasga. A voz se some
acabrunhado pela matemática

E lá se vai ele por essas manhãs friorentas
com uma mochila de livros às costas
(como quem vai pr’uma guerra)

Terras novas   Muito sol   Bandeira ao vento
No pátio del Colégio a professora rege o coro:

– …si mañana en tu solo sagrado…

A almazinha do meu filho
vai se compondo e decompondo
com pedaços de pátrias misturados

De noite
a gente recolhe os pensamentos
com um cansaço internacional

– Pai!
– O que é que tu queres meu filho?

Ele achega-se a mim com um abraço carinhoso:

– Pai!
Conta mais uma vez
como é que era mesmo o Brasil!

 

1 comentário

Arquivado em Poesia

Uma resposta para ““Versos de um cônsul”, de Raul Bopp

  1. Lula Arraes

    Querido Eduardo,
    tocou-me particularmente.Meu irmão caçula que nasceu no exílio,perguntava sempre como era o Brasil.
    Grande abraço e dê notícias.

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