Roubo de obras raras

Reproduzido do site do Estadão:

SÃO PAULO – Três ladrões roubaram nesta quinta-feira, 2, 15 volumes de livros da biblioteca do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, na Avenida Miguel Stéfano, na Água Funda, zona sul da capital paulista. O assalto foi por volta das 16h. Dois homens armados com revólveres renderam dois seguranças, três funcionários e dois estagiários antes de roubar os livros.

No ano passado, diretores do Instituto de Botânica já haviam recebido um ofício da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro informando que detentos de um presídio fluminense tinham uma lista de obras raras de botânica que deveriam ser roubadas. As conversas foram interceptadas pelos federais e comunicada aos diretores da biblioteca.

Desde então, os livros foram trancados em uma sala especial, com grades e câmeras de vigilância. “Só não imaginamos que o roubo ocorreria em pleno dia”, diz a diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi.

Antes de praticar o assalto, os ladrões almoçaram no restaurante do Instituto de Botânica. Entraram calmamente na biblioteca e fizeram consultas no computador, como se quisessem localizar o livro. Romperam o silêncio do local anunciando o assalto. Um revólver foi apontado para a cabeça da bibliotecária, que os levou para as obras desejadas. “Eles já sabiam o que queriam”, disse Vera.

Investigação. Segundo o delegado Enjolras Relo de Araújo, titular do 83.º DP (Parque Bristol), que investiga o caso, disse que os ladrões ainda disseram: “É encomenda internacional”. “O normal desse tipo de ação é o furto e não o roubo. Esse caso mostra certa organização dos bandidos. O material tem valor histórico”, disse o delegado Adalberto Barbosa, titular da 2.ª Delegacia Seccional.

As obras roubadas são raras e antigas. Onze volumes eram da Flora Fluminensis, publicada originalmente em 1827, escrita pelo frei José Mariano Velloso. Os livros contêm gravuras de 1640 de espécies vegetais do Rio e arredores. Parte desses desenhos está acessível para download na internet. Outros dois volumes são das obras Sertum palmarum brasiliensium, de 1903, de João Barbosa Rodrigues, e Bambusees, de 1913, escrita por F.G. Camus.

A diretora do Instituto afirma que as obras não têm valor comercial por serem raras e técnicas. O Instituto de Botânica pede que quem tiver informações sobre o paradeiro das raridades entrem em contato pelos telefones (11) 5073-2860 e (11) 8787-1414.

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