Prêmio Faz Diferença 2011

Reproduzido do site do jornal O Globo:

Ítalo Moriconi

Suzana Velasco – suzana.velasco@oglobo.com.br

O trabalho de Italo Moriconi na Bienal do Livro – ele foi curador do Café Literário pela segunda vez – foi mais um dos esforços desse professor de literatura brasileira da Uerj em empreender uma mediação entre universidade, autores, grande público e mercado.

– Minha preocupação era garantir um lugar para a literatura brasileira, pôr em contato com o público uma geração muito ativa nos últimos 15 anos. É a concretização de um perfil que venho construindo há muito tempo – diz Moriconi.

Um dos momentos cruciais nessa construção foi a organização, no início dos anos 2000, de duas coletâneas para a editora Objetiva, em que o crítico selecionou os cem melhores contos e os cem melhores poemas do século XX. Sucesso de público, o projeto – que não escapou de críticas no meio universitário – foi, para Moriconi, o primeiro passo para romper as barreiras da academia.

– Atravessei os muros da universidade na organização desses livros, tendo contato com a nova realidade do mercado. Já estava cansado de ficar só no cânone das obras universitárias – diz ele, cujos projetos de pesquisa sempre se relacionaram à prosa e à poesia contemporâneas. – Quero pensar como o conhecimento acadêmico pode interagir com os movimentos literários contemporâneos.

Outro passo importante nessa trajetória foi assumir, em 2008, a direção da editora da Uerj. O objetivo de Moriconi é atingir o mercado do livro universitário – que no exterior é em grande parte abastecido pelas editoras ligadas a essas instituições. Pela EdUerj, ele organizou a coleção Ciranda da Poesia, dedicada à crítica da produção contemporânea, sempre acompanhada de uma antologia de poemas do autor em questão. Para ele, essa é uma forma de o leitor se familiarizar com uma linguagem com a qual nem sempre tem intimidade. Em abril e maio, a coleção publicará poetas estrangeiros.

A pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda, editora da Aeroplano – que publicou uma seleção de cartas de Caio Fernando Abreu feita por Moriconi -, ressalta a qualidade do crítico de correr riscos.

– Ele sempre mostrou uma curiosidade enorme pelo contemporâneo e pelos assuntos que a academia considera menores. Mas a História já demonstrou que as formações discursivas emergentes vão se consolidar como as novas séries literárias bem mais rápido do que se pensa. E o Italo trabalha muito bem essa zona de risco – diz Heloisa.

O professor e poeta lembra que hoje as universidades são muito mais abertas à pesquisa sobre a produção literária contemporânea, citando a Uerj e a PUC-Rio, além de núcleos em Minas Gerais e Brasília. Mas ainda vê outras possibilidades no futuro:

– Em certo sentido, a separação entre Letras e Comunicação foi ruim para o estudo da literatura contemporânea. Estou preocupado com a formação de quadros para o novo tipo de comunicação dos blogs, da internet, e com a redefinição do jornalismo impresso. A faculdade de Letras pode contribuir para isso.

Este ano, Moriconi participa da comissão de seleção de 20 escritores para o primeiro número da prestigiada revista americana “Granta” dedicado à literatura contemporânea nacional. Editado pela Objetiva, “Os melhores jovens autores brasileiros” será lançado em julho, durante a décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty.

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