
Anna Rachel Ferreira escreveu, para a revista Bravo!, uma matéria sobre o livro de inéditos de Julio Cortázar, Papéis inesperados, publicado no Brasil pela editora Civilização Brasileira, com tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht: “São discursos, anotações, autoentrevistas, perfis, contos, poemas e textos sem classificação, de épocas distintas. A mistura atualiza a velha questão: excetuando o caso de Drummond, vale a pena publicar escritos que os autores deixaram – por uma série de motivos – confinados a uma gaveta? No caso de Papéis Inesperados, os organizadores se defendem citando uma carta em que Cortázar autorizava Aurora a fazer com o material o que considerasse “mais conveniente”, nomeando-a sua herdeira. Garriga também recorre ao caso do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924), que pediu ao amigo Max Brod que destruísse livros seus que, anos depois, seriam reconhecidos como obras-primas – casos de A Metamorfose, O Castelo e O Processo. Para Garriga, o episódio mostra que a publicação póstuma pode ser indispensável.”

