No alto, poema de Machado de Assis

NO ALTO, de Machado de Assis


O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.

Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.

Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,

Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Anúncios

4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para “No alto, poema de Machado de Assis

  1. gabiheradao@hotmail.com

    Puts esses poemas deveria ter as analises,

  2. Machado, mestre do sucinto, da “mot juste”, fazendo viva a imagem que todos trazemos no inconsciente. Ariel não conhece a rude encosta oeste, na descida, um outro guia sempre se apresenta. Uma belíssima miniatura.

  3. Deliciosa miniatura do mestre do sucinto, da “mot juste”. Todos trazemos na alma o pressentimento desse inevitável encontro. Ariel não se importa com a rude encosta oeste, quando nos chega a hora de descê-la, bem outro guia se apresenta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s