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“Sylvia Plath editada no Brasil”

Extraído do Blogtailors:

Pouco editada no Brasil, Sylvia Plath será editada neste país nos próximos meses. A Globo, atualmente a única editora com um livro da poeta em catálogo (Os Diários de Sylvia Plath), prepara para o próximo semestre o inédito Sylvia Plath: Drawings, com desenhos a tinta feitos pela poeta entre 1955 e 1957. Leia mais aqui.

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“Mercado editorial brasileiro cresce pouco e preço do livro diminui”

Matéria de Maria Fernanda Rodrigues publicada no site do Estadão em 11 de julho de 2012:

Estimado em R$ 4,8 bilhões, o mercado editorial brasileiro está produzindo mais e imprimindo mais. Em termos de faturamento, no entanto, o crescimento de 2011 comparado ao de 2010 foi mínimo, de apenas 0,81% – já descontada a inflação e somadas as vendas das editoras para livrarias e leitor final e também para o Governo. Se excluídas dessa conta as expressivas compras do Governo, sobretudo o Federal, que sustentam muitas editoras, o que se registrou, no último ano, foi queda real de 3,27%. As informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2011, revelada nesta quarta-feira, 11, em São Paulo.

Feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores (Snel), a pesquisa ouviu 178 editoras, uma amostra considerada por Leda Paulani, da Fipe, como suficiente estatisticamente. São cerca de 500 as editoras ativas no País.

Para Karine Pansa, presidente da CBL, 2011 foi um ano ruim para todos os setores da economia se comparado ao anterior. “Livro não é produto de primeira necessidade, como o arroz e o feijão, e vai ser o primeiro item a deixar de ser comprado.” Mas ela ressalta que o mercado está seguro. “Estamos vivendo um momento de estabilidade com tranquilidade por saber que o mercado está estruturado para se manter mesmo em momentos difíceis”, comenta Pansa.

E está sendo um momento difícil especialmente para o segmento de obras gerais, que registrou queda de 11,07% no faturamento – caindo de pouco mais de R$ 1 bilhão em 2010 para R$ 903 milhões em 2011. Essa queda tem sido contínua. Em 2010, o faturamento já tinha ficado 6,38% menor do que o do ano anterior.

Também ganhou-se menos dinheiro com os livros religiosos – R$ 464 milhões em 2011 contra R$ 494 milhões em 2010. Aqui, vale lembrar que a edição anterior da pesquisa mostrava que o setor era o que mais crescia. Se agora a queda é de 6%, em 2010 o crescimento foi de 24%.

Quem cresceu mesmo em 2011 foi o segmento de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP). Ele faturou R$ 910 milhões contra os R$ 739 milhões de 2010. O aumento, de 23,10%, pode ser relacionado ao boom da educação superior, expresso no aumento de estudantes universitários e numa maior demanda por livros técnicos, apontou Leda.

Os didáticos ainda são responsáveis pela maior fatia deste mercado e o setor teve um crescimento de 7,87% em relação a 2010, quando o faturamento foi de R$ 1,1 bilhão. O setor fechou 2011 com R$ 1,18 bilhão.

Produção. Foram produzidos, no total, 58.192 títulos em 2011 – em 2010 o número era 54.754. Desse total, 20.405 foram feitos em primeira edição e 37.787 se referem a reimpressões; 4.686 são títulos traduzidos e 53.506 de autores brasileiros. Em exemplares produzidos, o número foi parecido: 492.579.094 (2010) e 499.796.286 (2011).

Outro dado que chama a atenção refere-se às tiragens das obras em primeira edição, que ficaram 33,39% menores em 2011, totalizando 90.112.709 exemplares impressos. A Fipe diz que uma mudança na nomenclatura da questão na pesquisa pode ter influenciado na conta, mas há outros fatores.

Para Karine Pansa, existe hoje a necessidade de ter mais e mais títulos em primeira edição para garantir maior espaço de exposição nas livrarias. Sonia Jardim, presidente do Snel, concorda: “Com a competição, a estratégia das editoras muda. Elas ampliam a oferta de lançamentos e diminuem a tiragem, e rezam para alguma coisa funcionar. Se funciona, você entra então na reimpressão.” Foram reimpressos 409.683.577 exemplares, 14,66% a mais do que no ano passado.

Venda. Dos R$ 4,8 bilhões que o mercado editorial fatura, R$ 3,4 bilhões são de venda para livrarias e outros canais de distribuição e R$ 1,3 bilhão para o Governo – e esse valor depende sempre dos programas de compra vigentes naquele ano.

As livrarias ainda são o lugar preferido dos brasileiros para comprar livros. Elas são responsáveis por 44% dos exemplares vendidos e por 60% do que se fatura com livro no País. Em termos de faturamento, aparecem na sequência distribuidores (20,5%), porta a porta (4,97%), escolas (2,8%), igrejas e templos (1,74%). Supermercado, banca de jornal e internet são alguns dos outros canais de venda.

O segmento de venda porta a porta, que tinha 16,6% do mercado em 2009 em número de exemplares comercializados, saltou para 21,6% em 2010 e fechou 2011 com 9,07%. A crise da Avon, responsável por boa parte dessas vendas, e o aumento da participação de igrejas e templos na venda de livros (4,03% em 2011 contra 1,47% em 2010) podem ter sido alguns dos fatores deste desempenho. O faturamento desse canal, apesar de menor que os outros, também teve um bom crescimento – de R$ 18 milhões em 2010 para R$ 60 milhões no ano passado.

Foram vendidos, em 2011, 469.468.841 exemplares – dos quais 283.984.382 para o mercado e 185.484.459 para o Governo.

Preço. O livro está ligeiramente mais barato e hoje custa, em média, R$ 12,15. Em 2010, o valor era R$ 12,94. O valor pago pelo governo, no entanto, ficou em R$ 7,48. Esses números não são comparáveis, já que por comprarem em quantidades altíssimas, os órgãos responsáveis por essas negociações fazem o preço. Por outro lado, esse valor mais baixo do livro para o consumidor final pode estar relacionado ao aumento da oferta de obras mais econômicas, como as em formato de bolso.

O preço do livro tem ficado mais barato a cada ano e o setor se preocupa. “A competição entre as editoras é alta e chega uma hora que isso tem que ter um limite. Olhamos com preocupação para o futuro. Quando vemos que o crescimento está abaixo da inflação e do PIB temos que estar atentos. Daqui a pouco vamos pagar para comprarem nossos livros e isso é impossível”, diz Sonia Jardim.

Digital. Pela primeira vez, a pesquisa da Fipe incluiu os e-books. “Estamos na fase de investimento. Como o número é pequeno, qualquer crescimento é geométrico, mas o número é inexpressivo”, comenta Sonia. Foram vendidos, no total, 5.235 itens digitais – de arquivos em PDF a aplicativos. O faturamento ficou em R$ 868 mil.

A chegada da Amazon também esteve em pauta na apresentação da pesquisa. “Esperamos que a Amazon venha aumentar o mercado, não acabar com nenhum elo da cadeia e nem assombrar nenhum editor. Esperamos, então, que ela venha complementar a oferta de títulos e aumentar a possibilidade de distribuição de uma maneira mais igualitária dentro do nosso país, já que não temos livrarias em todos os municípios”, comenta Karine Pansa.

“Olhamos com algum temor para o que aconteceu no mercado americano. A segunda maior cadeia de livrarias ter quebrado lá é uma preocupação. Esperamos que a entrada de um player desses, com um poder de fogo enorme, não venha dar uma chacoalhada no nosso mercado e que todos consigam conviver em paz e harmonia. Que a Amazon venha para fazer crescer o mercado, e não para desestabilizá-lo”, avalia Sonia Jardim.

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“Uma nova ordem no mercado editorial brasileiro” – André Miranda

Texto do jornalista André Miranda sobre o novo perfil do mercado editorial brasileiro. Publicado no jornal O Globo:

RIO – Em 2012, a nova realidade do mercado editorial brasileiro vai permitir que um autor seja representado por um agente baseado em Nova York, tenha seu original aprovado por um executivo morando em Portugal, assine um contrato com uma empresa da Espanha e seja imediatamente traduzido para uma editora na Inglaterra. Com a iminente chegada de um gigante da venda de livros virtuais, a nova realidade do mercado pode permitir, ainda, que a obra daquele autor seja lida com facilidade em qualquer canto do país, com um simples toque num botão de um tal Kindle.

Como tem sido repetido por aí em outras áreas, o Brasil também se tornou a “bola da vez” nos livros. A última etapa desse movimento foi o anúncio, na última semana, de que a jornalista Luciana Villas-Boas deixará o poderoso cargo de diretora editorial do Grupo Record, um dos maiores do país, para se dedicar a uma nova agência literária, chamada Villas-Boas & Moss. Hoje, o mercado brasileiro conta apenas com uma agência de relevância para livros estrangeiros e nacionais, a Agência Riff, cujos autores incluem Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Lya Luft e Zuenir Ventura.

— Não fazia sentido o Brasil ainda estar desprovido de mais agências — afirma Lucia Riff, fundadora da Agência Riff. — O fato é que as editoras brasileiras estão mais sólidas, com expectativa de crescimento. A estabilidade da economia, o edital da Biblioteca Nacional de apoio a traduções e o surgimento dos e-books favorecem o mercado. É curioso que, enquanto vemos uma Europa em crise, aqui temos uma meta a ser alcançada para os livros. Temos um público a conquistar, diferentemente de outros países.

Luciana Villas-Boas, por sua vez, prefere não revelar ainda quem serão os autores de sua agência (leia entrevista na página 2), mas é praticamente certo que Edney Silvestre, Alberto Mussa, Francisco Azevedo e Rafael Cardoso, todos escritores publicados pela Record, estarão entre eles. Ela admite que o bom momento do setor pesou em sua decisão de montar a empresa, mas faz um alerta quanto a comentários nacionalistas que vem ouvindo sobre o investimento de grupos estrangeiros no Brasil:

— O impacto de uma internacionalização da indústria brasileira do livro é positivo para aumentar a profissionalização das relações. Nos EUA, a maior parte da indústria editorial já está completamente desnacionalizada. Há poucas editoras de peso que não foram compradas por grupos estrangeiros. Isso não afeta a literatura americana — diz.

Editoras preparam reestruturação

A nova agente literária se refere às aquisições recentes de editoras brasileiras por grupos estrangeiros. No ano passado, a editora portuguesa Leya, que tem operações no Brasil desde setembro de 2009, comprou 59% das ações da editora carioca Casa da Palavra e ainda passou a cuidar dos lançamentos das obras da Barba Negra, empresa especializada em quadrinhos.

Em dezembro, a principal notícia que surpreendeu o mercado, porém, foi a compra de 45% das ações da Companhia das Letras pelo grupo britânico Penguin, num negócio que pode ter ficado na casa dos R$ 50 milhões. A própria Record, onde Luciana vai se manter como diretora até 31 de março, já sofreu investidas de editoras estrangeiras.

— Eu coloco várias condições para começar uma conversa. Quero saber qual o grau de interesse em comprar a empresa e se será um processo que vai somar. Já houve interesse, mas nunca percebi solidez nas ofertas — afirma Sergio Machado, presidente do Grupo Record. — Acontece que, hoje, qualquer analista internacional que esteja pensando estrategicamente no segmento editorial precisa ter um plano-Brasil. Se eles não estiverem dispostos a entender os ideogramas chineses ou o alfabeto russo, o Brasil é o país que apresenta as melhores opções para o mercado. A questão é que o crescimento da renda da classe média brasileira e as melhorias da educação têm começado a dar resultado no aumento do consumo de livros.

Os sinais de mudança, porém, não estão apenas nas boas relações sendo firmadas entre o mercado editorial do Brasil com o exterior. Por aqui, chamam atenção o fortalecimento de editoras jovens, como a Novo Conceito e a Intrínseca, e a reestruturação de antigas. Assim como aconteceu com a Record, a Objetiva — que, aliás, teve 75% de suas ações compradas pelo grupo espanhol Prisa-Santillana em 2005 — perdeu sua diretora editorial, Isa Pessoa, no fim do ano passado. Ela está na Itália e voltará a atuar no mercado em fevereiro de forma ainda não anunciada. Ambas as companhias estão fazendo reformulações e devem dividir as antigas funções de direção editorial entre mais de um profissional.

Na Companhia das Letras, as novidades vão além. Agora com quatro publishers respondendo a Luiz Schwarcz, a empresa planeja novas frentes editoriais para este ano, sobretudo nos ramos dos livros digitais e nos didáticos, e está reestruturando seu departamento de marketing. Já a Ediouro contratou em setembro Sandra Espilotro, ex-Globo Livros, para dar foco na prospecção internacional dos negócios.

— Sou casado com uma historiadora, então acho que as mudanças não acontecem de uma hora para outra. Nos últimos anos, surgiram novos participantes, novas empresas, algumas estrangeiras, outras nacionais. É um sinal de força que vem se construindo — afirma Schwarcz. — Já faz tempo, por exemplo, que o mercado brasileiro é um importante comprador de direitos. Compramos royalties em valores bastante altos e estamos na prioridade dos agentes literários.

Todos esses investimentos ocorrem, ainda, em meio às especulações sobre o início da operação da livraria virtual Amazon, líder em vendas no mundo, no Brasil. No início deste ano, a empresa americana contratou Mauro Widman, ex-executivo da Livraria Cultura, como seu gerente de vendas para o Kindle. A Amazon já vem negociando com as editoras brasileiras há meses, mas o entrave tem sido o preço: a companhia teria pedido descontos de mais de 60% na venda de livros para lançar o serviço, o que desagradou as casas nacionais. Porém, recentemente a Amazon cedeu a percentuais menores, com a intenção de lançar seus serviços em até seis meses.

Venda de e-books ainda é insignificante

A Amazon também estuda como fará para vender seu leitor de e-books, o Kindle, no país. Hoje, o aparelho só pode ser importado de seu site internacional, mas a empresa estuda até fabricá-lo no Brasil. Se os acordos se concretizarem, o Kindle pode representar o maior incentivo até o momento para a popularização dos e-books — apesar do investimento recente das editoras e de livrarias como a Cultura e a Saraiva, a venda de livros virtuais ainda é quase insignificante frente a de obras físicas.

— A Amazon vai chegar, e a tendência é que os tablets como o Kindle comecem a ficar acessíveis ao grande público. A partir daí o mercado de e-books vai existir — afirma Pascoal Soto, diretor editorial da Leya no Brasil. — Antes mesmo desse período de vacas gordas da economia, o setor dos livros no Brasil já era atraente para o mundo. As pessoas começaram a perceber que existe um país interessantíssimo além do carnaval e do futebol.

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Prêmio Faz Diferença 2011

Reproduzido do site do jornal O Globo:

Ítalo Moriconi

Suzana Velasco – suzana.velasco@oglobo.com.br

O trabalho de Italo Moriconi na Bienal do Livro – ele foi curador do Café Literário pela segunda vez – foi mais um dos esforços desse professor de literatura brasileira da Uerj em empreender uma mediação entre universidade, autores, grande público e mercado.

- Minha preocupação era garantir um lugar para a literatura brasileira, pôr em contato com o público uma geração muito ativa nos últimos 15 anos. É a concretização de um perfil que venho construindo há muito tempo – diz Moriconi.

Um dos momentos cruciais nessa construção foi a organização, no início dos anos 2000, de duas coletâneas para a editora Objetiva, em que o crítico selecionou os cem melhores contos e os cem melhores poemas do século XX. Sucesso de público, o projeto – que não escapou de críticas no meio universitário – foi, para Moriconi, o primeiro passo para romper as barreiras da academia.

- Atravessei os muros da universidade na organização desses livros, tendo contato com a nova realidade do mercado. Já estava cansado de ficar só no cânone das obras universitárias – diz ele, cujos projetos de pesquisa sempre se relacionaram à prosa e à poesia contemporâneas. – Quero pensar como o conhecimento acadêmico pode interagir com os movimentos literários contemporâneos.

Outro passo importante nessa trajetória foi assumir, em 2008, a direção da editora da Uerj. O objetivo de Moriconi é atingir o mercado do livro universitário – que no exterior é em grande parte abastecido pelas editoras ligadas a essas instituições. Pela EdUerj, ele organizou a coleção Ciranda da Poesia, dedicada à crítica da produção contemporânea, sempre acompanhada de uma antologia de poemas do autor em questão. Para ele, essa é uma forma de o leitor se familiarizar com uma linguagem com a qual nem sempre tem intimidade. Em abril e maio, a coleção publicará poetas estrangeiros.

A pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda, editora da Aeroplano – que publicou uma seleção de cartas de Caio Fernando Abreu feita por Moriconi -, ressalta a qualidade do crítico de correr riscos.

- Ele sempre mostrou uma curiosidade enorme pelo contemporâneo e pelos assuntos que a academia considera menores. Mas a História já demonstrou que as formações discursivas emergentes vão se consolidar como as novas séries literárias bem mais rápido do que se pensa. E o Italo trabalha muito bem essa zona de risco – diz Heloisa.

O professor e poeta lembra que hoje as universidades são muito mais abertas à pesquisa sobre a produção literária contemporânea, citando a Uerj e a PUC-Rio, além de núcleos em Minas Gerais e Brasília. Mas ainda vê outras possibilidades no futuro:

- Em certo sentido, a separação entre Letras e Comunicação foi ruim para o estudo da literatura contemporânea. Estou preocupado com a formação de quadros para o novo tipo de comunicação dos blogs, da internet, e com a redefinição do jornalismo impresso. A faculdade de Letras pode contribuir para isso.

Este ano, Moriconi participa da comissão de seleção de 20 escritores para o primeiro número da prestigiada revista americana “Granta” dedicado à literatura contemporânea nacional. Editado pela Objetiva, “Os melhores jovens autores brasileiros” será lançado em julho, durante a décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty.

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Tinta-da-China chega ao Brasil

A Tinta-da-China tem um excelente catálogo e os livros são lindos. Sem qualquer dúvida, podem surgir obras imprescindíveis em nossas livrarias, como Mark Twain, ainda pouco traduzido no Brasil. Segue matéria do Globo:

RIO – Logo em sua estreia, em 2005, a editora portuguesa Tinta-da-china movimentou o mercado editorial de seu país com o lançamento de “O pequeno livro do grande terramoto”, de Rui Tavares, sobre o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. A obra ganhou o prêmio de melhor ensaio do ano, esgotou cinco edições e projetou o autor, que se elegeu deputado do Parlamento Europeu. De lá para cá, a editora ganhou prestígio e lançou quase 180 títulos.

Seleção de crônicas

Agora, a Tinta-da-china desembarca no Brasil, atraída pelos bons ventos da economia local e impulsionada pela crise europeia.

— A Europa está numa crise tremenda — diz Bárbara Bulhosa, que foi livreira por dez anos antes de fundar a Tinta-da-china. — Pensamos: “Para onde expandir? Onde poderíamos ter mais receptividade?”. Para o Brasil. E não só porque o país está crescendo, incentivando a leitura, criando uma camada nova de leitores. Mas é também porque é nossa língua, interessa-me divulgar autores portugueses que não estão aqui.

O primeiro livro sai em março. É uma seleção de crônicas de Ricardo Araújo Pereira, um dos grandes fenômenos do humor português, convidado do festival Risadaria deste ano, em São Paulo. Em seguida, é a vez do romance “O retorno”, de Dulce Maria Cardoso, considerado um dos livros de 2011 em Portugal pelo jornal “Público” e pelas revistas “Ler” e “Time Out”. E, depois, “E a noite roda”, romance de estreia de Alexandra Lucas Coelho, correspondente do “Público” no Brasil.

Diferentemente da LeYa e da Babel, outras duas editoras portuguesas que já estão no Brasil e vêm ampliando sua atuação, a Tinta-da-china tem um catálogo pequeno.

— Somos uma editora independente, que lança 40 livros por ano e associa qualidade e venda. Recusamos várias propostas de compra, queremos manter a independência.

Em 2008, a Tinta-da-china ganhou o prêmio de melhor editora portuguesa, conferido pela Ler/Booktailors. Na justificativa, é dito que ela “combina a qualidade editorial à gráfica, aposta em bons materiais e mantém essa forte coerência em todos os livros que publica”.

— Gostamos do livro como objeto e acreditamos na sua viabilidade — diz Bárbara, que ainda não publica e-books.

A ideia não é se limitar aos autores portugueses. A Tinta-da-china vai estrear no universo infantil justamente com uma brasileira, Tatiana Salem Levy (“A chave de casa” e “Dois rios”). Ela já começou a escrever o primeiro livro da coleção, que será editado simultaneamente no Brasil e em Portugal.

— Publicaremos também obras de referência na literatura internacional que não se encontram disponíveis no Brasil.

Entre as coleções da editora, um dos destaques é a de literatura de viagens, que inclui desde Werner Herzog e Saul Bellow até Alberto Moravia e Mark Twain.

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Clarice Lispector na Relógio d’Água

Reproduzo uma grande notícia postada no blog da Ler:

A Relógio d’Água acaba de adquirir «os direitos para a edição, até 2018, de toda a obra de Clarice Lispector». Para além da reedição de vários títulos, já este ano serão lançados os romances Água Viva, O Lustre, Para não Esquecer e Um Sopro de Vida, assim como textos infanto-juvenis (A Mulher Que Matou os Peixes e A Vida Íntima de Laura, reunidos num só volume, e O Mistério do Coelho Pensante, Quase de Verdade e Como Nasceram as Estrelas). «De todo inesperados são os álbuns», acrescenta a editora, «que, sob pseudónimo, Clarice Lispector divulgou com conselhos dedicados às mulheres e que foram organizados pela professora Aparecida Nunes. É o caso de Correio Feminino e Só para Mulheres — Conselhos, Receitas e Segredos, em que é visível o estilo da autora e o seu interesse pela elegância feminina através de inúmeras sugestões práticas. Nestes textos, inicialmente publicados na imprensa a partir de 1940, Clarice aborda temas como a maternidade e a educação dos filhos, os tratamentos de beleza, o veneno para ratos, a escolha dos perfumes e os dilemas morais, passando do trivial ao transcendental com desconcertante à-vontade.»

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O preço dos e-books

Os preços dos livros digitais sem qualquer dúvida vão tornar as tiragens dos livros em papel ainda menores e ainda mais caras. Leiam a matéria de Antonio Fraguas publicada no caderno Babelia do jornal El País:

¿Dinamitar o dinamizar el ecosistema editorial español? La irrupción en diciembre del Kindle, el lector electrónico de Amazon, acompañado de una avalancha de 28.000 títulos en castellano -algunos de ellos a precios por debajo dos y tres euros, e incluso menos- está cambiando para siempre el mundo del libro en España. Nuevas editoriales y librerías online se suman a una guerra de precios en un contexto donde todo lo conocido está en cuestión: desde la forma en que leemos, a aquello que entendemos por libro. Primero, por la confusión entre el continente (el dispositivo de lectura) y el contenido (el texto en formato electrónico). Los fabricantes de aparatos libran la primera batalla. Las editoriales, la segunda. Amazon combate en ambos frentes.

El novelista Juan Gómez-Jurado oye muy de cerca los cañonazos (y lanza alguno). La edición para Kindle de El emblema del traidor lleva más de un mes en el número uno de ventas de Amazon.es. “Por contrato no puedo decir cuántas he vendido, pero en ese tiempo han sido miles”, indica. Él fija el precio (precio que en una semana ha pasado de 1,49 a 2,68 euros). “Lo que yo pretendo ganar por libro es un euro, el resto va para Amazon”, señala.

Pero El emblema del traidor es una novela peculiar por otro motivo: se puede encontrar en edición electrónica por dos precios: 2,68 euros en Amazon.es y 7,99 euros en Casadellibro.com; algo que, en principio, viola la ley española de precio fijo (según la cual la misma edición de un libro no puede tener dos precios distintos dentro del territorio nacional). Gómez-Jurado ofrece una explicación al respecto: “En un caso lo vende directamente el autor, en el otro hay una editorial de por medio”.

De estrategias agresivas saben en el sello B de Books, lanzado por Ediciones B en noviembre: “Decidimos ofrecer los precios más bajos del mercado respecto al papel (de 1,99 a 9,99 euros). Queríamos que la distancia entre el digital y el papel fuera la más grande posible”, afirma su director, Ernest Folch. Este sello vende títulos en Amazon y otras tiendas online como Leqtor.com y Fnac.es. Solo aportan datos orientativos: “Hemos vendido tres veces más e-books en diciembre que en meses anteriores”.

Desde Anagrama, Paula Canal rebaja las dosis de euforia: “Con bestsellers se pueden fijar esos precios porque venden millones de unidades, pero ¿qué ocurre en el caso de ventas de no más de 1.000 ejemplares?”, se pregunta. “No hay futuro con estos precios en un ecosistema editorial saludable, en el que todavía sobreviven ediciones pequeñas para títulos difíciles”, añade. Esta editorial recela de la llegada de Amazon: “De momento no les dejamos vender nuestros títulos en Latinoamérica y Estados Unidos -donde no hay precio fijo- para que no hagan la competencia a otras tiendas online con las que hemos firmado contratos”.

Diego Moreno, de Nórdica Libros, ha decidido lanzarse a la arena: “Este año empezamos con una línea solo digital (a 4,99 euros) y otra con los cuentos de Pirandello, que vamos a vender sueltos, a 0,99 euros. La lógica del libro electrónico es que esté a un precio muy inferior al de papel. Es una manera nueva de concebir el libro y el lector. Son obras de picoteo y no pueden costar como un libro en papel”.

La escritora Rosa Montero se ha autopublicado tres obras para Kindle: recopilaciones y libros descatalogados. “Hemos perdido un tiempo preciosísimo por navegar contra de las nuevas tecnologías (…) Esta lentitud ha favorecido a los piratas y ahora parece que los únicos que tenemos que dar las cosas gratis somos los creadores, cuando nadie se plantea no pagar por el aparato para leer”. Montero esgrime además una vieja reivindicación del sector, que el IVA del e-book pase del 18% actual al superreducido 4%, el mismo del que goza el libro de papel.

El 80% de los libros digitales que se venden en España pasan por Libranda. Creada en 2010 por, entre otras, Random House Mondadori, Planeta, Santillana, y Roca Editorial, hasta 30 editoriales que venden obras digitales en Amazon gestionan sus lanzamientos con esta distribuidora. Su directora, Arantza Larrauri, valora la llegada del Kindle: “Que el libro electrónico salga en prensa y en televisión va a ayudar a la cultura de lectura digital”. Además reconoce que el sector se está moviendo: “Se están incorporando nuevos editores, medianos y pequeños. Están empezando a dar pasos”.

Hay espacio para todos, piensa Pilar Gallego, tesorera de la Confederación Española de Gremios y Asociaciones de Libreros, que reúne a 1.600 tiendas: “El libro en papel sigue vendiéndose. Sobre todo en literatura infantil y juvenil, en la que las obras son muy vistosas”. Gallego cree que el fenómeno Amazon está sobredimensionado: “Es más la publicidad que se da al tema de los dispositivos que lo que de verdad suponen las descargas”. Los libros literarios en formato digital, según previsiones de Libranda, supondrán en 2012 el 1% respecto al total del mercado del libro en papel, cinco veces más que en 2011.

Para el director de la Federación de Gremios de Editores de España, Antonio María Dávila, la meta de Amazon no está en las obras: “Puede que haya una estrategia empresarial enloquecida para vender el Kindle -que para mi juicio es bastante malo, como todas las cosas baratas-, porque su negocio no es el contenido”.

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Companhia vende 1.200% mais e-books em 2011

Matéria de Roberta Campassi publicada no PublishNews:
Quantidade equivale ao volume comercializado numa Bienal, segundo a editora
Em julho de 2010, a Companhia das Letras lançou seus primeiros doze e-books. Foi o início de um projeto que hoje engloba 200 títulos e mostra estar ganhando força. Segundo a editora, o número de livros digitais vendidos em 2011 cresceu 1.200% na comparação com o ano anterior.
A Companhia não revela as quantidades, mas, segundo Matinas Suzuki, diretor executivo da casa, o número de 2011 equivale ao volume de livros físicos comercializados pela editora numa Bienal de São Paulo, que é normalmente um dos eventos do setor que mais gera vendas. Nessa estatística, há de se levar em conta que os números de 2010 incluem apenas o segundo semestre do ano e que a base de vendas inicial era muito pequena, o que faz qualquer acréscimo em números absolutos ter mais peso percentualmente.
No entanto, para Suzuki, há motivos para encarar os resultados com otimismo. “Se levarmos em conta que ainda não existe um grande catálogo de e-books e que não há muitos e-readers em circulação no país, os números são uma surpresa e mostram que as mudanças talvez venham mais rápido do que estávamos imaginando”, afirma.
Uma das fontes do entusiasmo da Companhia das Letras é o e-book de Steve Jobs, a biografia, de Walter Isaacson, que se tornou o livro digital mais vendido no mercado brasileiro pouco tempo depois de ser lançado, em outubro. “O livro ficou como marco de uma verdadeira mudança no mercado de e-books no país”, avalia Suzuki. Em média, a venda da versão eletrônica de um título equivale a cerca de 0,5% da venda de exemplares físicos, mas Steve Jobs conseguiu fechar 2011 com uma taxa de 2,7%. Jô Soares, com As esganadas, também teve um desempenho acima da média, segundo a editora.  Os dois títulos tiveram um peso significativo na venda total de e-books da Companhia. Outros que venderam bem foram os três livros da trilogia Millenium, de Stieg Larsson. Confira abaixo a lista completa dos dez e-books da editora mais vendidos até agora.
1) Steve Jobs, a biografia, de Walter Isaacson
2) As esganadas, de Jô Soares
3) Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson
4) Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt
5) Caim, de José Saramago
6) O príncipe, de Maquiavel
7) A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson
8) A rainha do castelo de ar, de Stieg Larsson
9) Leite derramado, de Chico Buarque
10) Os últimos soldados da guerra fria, de Fernando Moraes

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O livro mais caro do mundo

No The Guardian foi publicada uma matéria sobre o livro mais caro do mundo: Birds of America.

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Novidades da Móbile Editorial

No site da Móbile Editorial, duas novidades: a homenagem ao jornalista e poeta Reynaldo Jardim, no dia 13 de dezembro, às 19h, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília, e a nota publicada na coluna Babelia do caderno Sabático do Estadão anunciando a reedição dos livros de Dinah Silveira de Queirós.

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